Domingo, 21 de Junho de 2009

LIVRO SOBRE ILUSTRAÇÃO DE LIVROS INFANTIS E JUVENIS

Celso Sisto, além de escritor de ficção e ilustrador, é também Doutorando em Teoria da Literatura, pela PUCRS. Como pesquisador da área de literatura infantil e juvenil tem publicado inúmeros ensaios para revistas acadêmicas, periódicos, obras teóricas e participado de livros organizados pelos mais renomados pesquisadores da área.
O seu ensaio, intitulado, “Um pouco de tudo: os materiais, as texturas, o impacto” acaba de sair no livro “A alma da imagem: a ilustração nos livros para crianças e jovens na palavra de seus criadores”, organizado por Lúcia Pimentel Góes (USP – Faculdade de Letras) e Jakson de Alencar, da editora Paulus.
O texto de apresentação do livro diz: “Nesta era dos avanços tecnológicos, nunca foi tão fundamental, tão essencial, a educação da sensibilidade. O olhar vendo, o olhar sendo. Os livros que unem palavra verbal e palavra imagem (ou múltiplas palavras) não podem ser lidos ignorando-se a ilustração, o espaço, a moldura, a linguagem grafotipográfica. Nesses elementos há diversas possibilidades de leitura, de fruição e de desenvolvimento da sensibilidade e do intelecto. Nesta obra, oito artistas (Ângela Lago, Cláudio Martins, Rogério Coelho, Alice Góes, Osney, Graça Lima, Celso Sisto e Luiz Maia) falam de seu olhar criador. A expressão visual, tema extremamente complexo, terá na explicitação das metáforas desses artistas um celeiro rico, convidando à seleção, experimentação, meditação. A antologia conta também com um texto de um editor de literatura para crianças e jovens, expondo sua visão sobre as imagens nos livros que edita, e de uma professora que desenvolve um excelente trabalho de leitura de imagem e formação de leitores na escola em que trabalha”.



MEU MAIS NOVO LIVRO!!!!


Lançado no dia 13 de junho de 2009, no 11º Salão do Livro da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, no Rio de Janeiro, eis aí o meu mais recente trabalho.

Diz a orelha do livro, assinada pelo escritor Rogério Andrade Barbosa:

"Celso Sisto é um artista de múltiplos talentos. Além de participar como contador de histórias do renomado grupo Morandubetá, é também autor e ilustrador de diversos títulos infantis e juvenis.
Em seu novo livro, O vestido, ele, artesão das palavras, tece e entrelaça as linhas de seu texto, urdindo a narrativa com extrema sensibilidade.
Na história, uma antiga roupa de noiva, com botões de pérola e bordada em ouro, desperta a atenção de uma menina - evocando memórias e segredos que sensibilizarão os leitores de todas as idades." (Rogério Andrade Barbosa, escritor e diretor executivo da AEI-LIJ)

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

LANÇAMENTO NO SALÃO DO LIVRO INFANTIL - RIO DE JANEIRO

Cor do texto

Amigos,




ESTAREI na minha terra-natal, RIO DE JANEIRO,


lançando livro novo!!!!!!!!!!!!




O VESTIDO, de Celso Sisto. Ilustrações de Thais Linhares.ZIT EDITORA




QUANDO? dia 13 de junho, próximo sábado


ONDE? No salão do livro infantil da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil


LOCAL? Centro Cultural Ação da Cidadania - Avenida Barão de Tefé, 75 - Bairro Saúde - Rio de Janeiro


STAND? Espaço FNLIJ de Leitura


HORÁRIO 10 horas




Gostaria tanto de vê-los por lá!!!!!




Aguardo todos, Beijos.



Celso Sisto

Domingo, 24 de Maio de 2009

SESC PASSO FUNDO E FEIRA DO LIVRO DO ACRE

AMIGOS,

Esta semana estarei no SESC de Passo Fundo, no dia 29 de Maio de 2009 (próxima sexta-feira), às 19h para falar da produção de literatura infantil no Brasil, junto com Hermes Bernardi Jr, que falará sobre a produção de literatura infantil no Rio Grande do Sul, com a mediação de Miguel Retenmaier.



Também estarei, do dia 30/05/2009 a 04/06/2009 na Bienal da Floresta do Livro e da Leitura, em Rio Branco (AC), dando oficinas, conversando com os leitores e falando sobre o meu trabalho na Universidade Federal do Acre.

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE CONTADORES DE HISTÓRIAS NA JORNADA DE PASSO FUNDO

Seminário Internacional de Contadores de Histórias PDF Imprimir E-mail

O texto escrito na narração oral: o estilo e a autoria


Período: 25 a 28 de agosto de 2009
Horário: das 8h30min às 11h30min
Coordenador: Celso Sisto

O Seminário Internacional de Contadores de Histórias, da 13ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, tem como proposta refletir sobre o texto escrito na narração oral, enfatizando a questão do estilo e da autoria.

Para tanto, está dividido em três eixos principais de discussões e trabalhos: os caminhos e os limites do texto escrito em sua vertente oral; a performance cênica requisitada pelo texto na oralidade e a narração oral e a utilização de recursos cênicos, como bonecos, objetos, adereços, etc.

Ouvindo e vendo contadores de histórias de estilos variados, formações distintas e posições solidificadas pela prática, vindos dos mais variados lugares e países, poder-se-á ter uma ideia bastante acurada dessa linguagem artística, tão atual e tão tributária da tradição.

Painel
8h30min
às 10h
25/0826/08
Abertura
O texto escrito que vira texto oral: caminhos e limitesO texto escrito que vira texto oral: a performance cênica
Lúcia FidalgoRoberto de Freitas
Ernesto Rodríguez
(Ilhas Canárias)
Liliana Cinetto (Argentina)
Mediador: Celso Sisto

Mediador: Celso Sisto

10h às
11h30min
Oficinas
Oficinas
Painel
8h30min
às 10h
27/0828/08
O texto escrito que vira texto oral: o uso de elementos externosMostra (Todos os contadores convidados)
Grupo Joaquim de PaulaCelso Sisto
Lúcia Fidalgo
Rodorin (Espanha)Ernesto Rodrigues
Roberto de Freitas
Mediador: Celso SistoLiliana Cinetto
Joaquim de Paula Rodorin
Oficina 10h às
11h30min

As inscrições, tanto para a Jornada quanto para a Jornadinha, serão realizadas somente pela internet. Confira nos links abaixo as datas e os procedimentos para a inscrição:
Como se inscrever na 13ª Jornada Nacional de Literatura
Como se inscrever na 5ª Jornadinha Nacional de Literatura

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

OLHA QUE ILUSTRAÇÃO MAIS LINDA!!!!


Fiquei emocionado com as ilustrações desse meu novo livro!
A ilustradora, SIMONE MATIAS fez um trabalho belíssimo, de uma delicadeza ímpar!
O livro ficou encantador!
É um conto popular de Gana e países da África Ocidental, recontado por mim.
Sai agora em maio de 2009, pela editora PRUMO.
E isso aqui é só uma prévia da "boniteza" do livro.


Veja um pedaço também do texto:
A beleza andava de mãos dadas com a princesa Abena, pois tinha reunido numa só pessoa um harmonioso pescoço alongado, um rosto arredondado e seios grandes.
O rei, seu pai, sorria para si e para o mundo, cada vez que constatava, com os próprios olhos, a formosura da filha. E por isso acreditava que seria fácil casá-la, quando chegasse a hora.
A sucessão dos anos só aumentava a perfeição dos traços de Abena. Além de tudo, ela tinha ainda a ajuda dos magníficos trajes que usava: sempre envolta nos mais belos tecidos e vestimentas; sempre adornada com os mais fulgurantes colares e brincos; sempre emergindo do colorido das roupas, como a mais nobre visão da beleza.
A notícia da suprema graça de Abena circulou pelas tribos, atravessou os mares, subiu aos céus, correu por toda a África tropical. Mas foi só quando os habitantes dos mais distantes povoados começaram a chegar para ver com seus próprios olhos a princesa mais linda do mundo, é que chegaram também os pedidos de casamento.
Os primeiros pretendentes à mão da princesa foram o Fogo e a Chuva.

Domingo, 15 de Março de 2009

FIO DA PALAVRA - CAPACITAÇÃO DE CONTADORES DE HISTÓRIAS


Nos meses de abril e maio, estarei ministrando um curso de capacitação de contadores de histórias, na PUC do Rio Grande do Sul.


Serão 30 vagas, especialmente para alunos da PUC.


Veja as informações mais detalhadas abaixo:


1. Objetivo: incentivar a leitura da literatura, por meio da narração de histórias, como estratégia pedagógica.
2. Período: de 01/04 a 27/05/09 (2ª e 4ª feira)
3. Horário: das 17h30min às 19h
4. Local: sala 223 (arena), prédio 8 - CELIN/FALE - PUC-RS

5. Inscrições: de 16 a 30/03/2009
SOMENTE PELO E-MAIL:
contadoresdehistorias@pucrs.br.
6. Contribuição: um livro novo de literatura infantil para o acervo do CELIN

Coordenação: Dr. Maria Tereza Amodeo
Ddo. Celso Sisto

7. Ministrante: Ddo. Celso Sisto

Cronograma do Curso

01/04 – Exercícios de entrosamento e desinibição
para a narração de histórias

06/04 – Os principais elementos da arte de narrar

08/04 – O tripé da história: texto, corpo e voz

13/04 – O contar coletivo

15/04 – O texto e a estrutura narrativa

22/04 – A fala corporal

27/04 – Brincadeiras vocais

29/04 – A história interativa (duplas)

04/05 – A narração em primeira pessoa

06/05 – Exercícios de narração em primeira pessoa

11/05 – Preparação para a contação individual

13/05 – Contações individuais

18/05 – Contações individuais

20/05 – Montagem dos repertórios e ensaios

25/05 – Sessões de contos para convidados

27/05 – Avaliação do curso









PUBLICAÇÃO DE ILUSTRAÇÃO EM CATÁLOGO

Ano passado, em decorrência da Mostra de Ilustração de Literatura Infantil e Juvenil, tive duas ilustrações expostas e publicadas no catálogo da mostra. O catálogo é uma maneira de "guardar" em livro o que a exposição mostrava. É um material importante, que apresenta a possibilidade de chegar a muitos lugares e a divulgação do trabalho de outros tantos profissionais da área da ilustração de livros de literatura infantil e juvenil no Brasil. Quem não pôde ver a exposição na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre, talvez consiga o catálogo entrando em contato com a Câmara Rio-Grandense do Livro.




BIAZETTO, Cristina et ali (orgs.) 6º Traçando histórias: mostra de ilustração de literatura infanto-juvenil. Porto Alegre, Câmara Rio-Grandense do Livro, 2008. 96 p.

O catálogo acompanha a mostra de ilustração de Literatura Infantil e Juvenil da 54ª Feira do Livro de Porto Alegre. Conta com a participação de 39 ilustradores. Em página dupla, por ordem alfabética estão as páginas de cada ilustrador. Além da reprodução das 2 ilustrações expostas na Mostra, há abaixo de cada trabalho, informações sobre a técnica usada. Minhas ilustrações estão nas páginas 16 e 17. Ao final do catálogo também há foto e pequena biografia dos autores, com seus contatos, inclusive. A equipe que organizou o catálogo e a Mostra é composta por: Annete Baldi, Cristina Biazetto, Gláucia de Souza e Vera Teixeira Aguiar. O projeto é de Sônia Zanchetta e Cristina Biazetto.

Terça-feira, 10 de Março de 2009

SEMINÁRIO DE CONTADORES DE HISTÓRIAS, NA 55ª FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE

Pelo segundo ano consecuCor do textotiCor do textovoCor do texto, estarei coordenando o Seminário A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS, que acontecerá na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. Assim como no ano passado, há um tema específico para o seminário, que em 2009 focará suas ações e discussões em torno dos contadores populares e seus espaços de atuação. As atividades oferecidas são: oficinas, mesas-redondas e sessões de contos, em horários e espaços variados.
Para inscrições e informações, faCor do textovor procurar a Câmara Rio-grandense do livro, através do e-mail:Cor do textovisitacaoescolar@camaradolivro.com.br
Cor do texto
Confira, agora, a programação!

Cor do textoSEMINÁRIO

A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS: OS CONTADORES POPULARES E OS ESPAÇOS DE ATUAÇÃO

IDEALIZAÇÃO E COORDENAÇÃO: CELSO SISTO
PROMOÇÃO: CRL
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Abertura: PÓLEN – A menina e as pérolas
(espetáculo de dança e narração oral com o Centro Contemporâneo de Pesquisa e Movimento Berê Fuhro Souto (Pelotas) e participação especial de Celso Sisto)
Dia 05 de novembro
19h – Teatro Sancho Pança – Área Infantil da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre
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o6/11/2009 - Sexta-feira

Dia 06 – Oficinas – 8h às 12h

Ducha das Letras
LAERTE VARGAS (RJ)

Casa do Pensamento
ROSANA MONT’ALVERNE (BH)


Dia 06 – Mesa-redonda – 17h e 30 min às 19h e 30 min –
Casa do Pensamento

Tema: Os contadores de histórias, os espaços públicos e institucionais e a inclusão social
LAERTE VARGAS
ROSANA MONT’ALVERNE
Mediador: CELSO SISTO (RS)


Dia 06 – Sessão de histórias – 20h às 21h –
Arena das Histórias

LAERTE VARGAS
ROSANA MONT’ALVERNE

07/11/2009 - Sábado

Dia 07 – Oficinas - 8h às 12h

Ducha das Letras
DANIELE RAMALHO (RJ)

Casa do Pensamento
KARLA MARTINS (AC)


Dia 07 – Mesa-redonda – 17h e 30 min às 19h e 30 min –
Casa do Pensamento

Tema: Os contadores de histórias, outras culturas e as diferenças culturais

DANIELE RAMALHO
KARLA MARTINS
Mediador: MARÔ BARBIERI (RS)

Dia 07 – Sessão de histórias – 20h às 21h –
Esquina das Histórias

DANIELE RAMALHO
KARLA MARTINS

08/11/2009 - Domingo

Dia 08 – Oficinas - 8h às 12h

Ducha das Letras
CHIQUINHA (VIÇOSA)

Casa do Pensamento
EDMILSON SANTINI (RJ)


Dia 08 – Mesa-redonda – 17h e 30 min às 19h e 30 min –
Casa do Pensamento

Tema: Os contadores de histórias, a cultura popular e a rua


CHIQUINHA
EDMILSON SANTINI
Mediador: ANA TERRA (RS)


Dia 08 – Sessão de histórias – 20h às 21h –
Esquina das Histórias

CHIQUINHA
EDMILSON SANTINI





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Coordenação, apresentação e mediação
Celso Sisto - escritor, ilustrador, contador de histórias


Sonia Zanchetta
Coordenadora da área Infantil da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre


Coordenação do seminário
csisto@hotmail.com

CRL – Área Infantil
sonia@camaradolivro.com.br
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PELA DEMOCRATIZAÇÃO DA LEITURA E DA LITERATURA!
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

MUITOS LIVROS NOVOS EM 2009

Sinceramente, acho uma honra poder publicar tantos livros num ano só!

Neste ano de 2009 estão saindo 8 livro novos meus.

Quer saber?

. Rebeca e sua rabeca, pela editora Salesiana, com ilustrações de Cristina Biazetto
. Tininha Cereja, pela editora Paulinas, com ilustrações de Ana Terra
. O casamento da princesa, pela editora Prumo, com ilustrações de Simone Mathias
. O cheiro da lembrança, pela editora Prumo, com ilustrações de João Lin
. Abraço apertado, pela editora Positivo, com ilustrações de Elizabeth Teixeira
. Como posso te amar?, pela editora Positivo, com ilustrações de Simone Mathias

Os outros dois ainda são segredo, mas pode acreditar, serão 8 livros em 2009.

Você não acha isso um feito? O mais engraçado é que morando no Rio Grande do Sul, não consigo publicar nas editoras daqui, depois de uma carreira consolidada, premiada e com 36 livros no mercado editorial (sem contar com esses 8 novos!). Mas não há de ser nada! E a imprensa local me ignora solenemente!!! hahaha . Será que é por que eu não sou gaúcho?
Tomara que não. Pelo menos já sou cariúcho, depois de 10 anos vivendo no sul do país!

PATRONO DA 6ª FEIRA DO LIVRO DE CIDREIRA (RS) 2009



Neste verão pouco escaldante, com mais vento do que sol, acontece a 6ª Feira do Livro de Cidreira, cujo tema é "Lendo, brincando e Preservando com os livros". É de praxe, aqui na cidade, ter um patrono para a feira e um homenageado.


Neste ano de 2009 sou eu o patrono. O homenageado é o fotógrafo Pedro Gonçalves.


A Feira acontece desde o dia 3 de fevereiro e vai atá o dia 8, no Largo da Prefeitura. A programação é variada, e eu estou lá todos os dias, conversando com as pessoas, autografando livros e contando uma e outra história.




Agradeço a distinção e me sinto honrado de ser o patrono da feira da cidade onde vivo.


Roger Castro, Celso Sisto e Zaida Prado
Nessa onda de ser patrono de Feira, prática comum aqui no Rio Grande do Sul, aproveito para refrescar a minha memória listando as Feiras das quais já fui Patrono:
- Portão (RS)
- Lindolfo Collor (RS)
- Viamão (RS)
- Osório (RS) 2007
- Cidreira (RS) 2009
Não é que isso também é currículo!!!

Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

DISTRIBUIDOR DOS MEUS LIVROS DA EDITORA POSITIVO

Como recebo com muita frequência pedidos do meu livro TEXTOS E PRETEXTOS SOBRE A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS, de pessoas com dificuldades para conseguir o livro, resolvi colocar aqui os distribuidores da editora POSITIVO, espalhados pelo Brasil.
Eu não tenho os meus livros pra vender. Isso pode ser feito através das livrarias, dos distribuidores, das lojas on line também. Portanto, acho que vai facilitar ter esses contatos, né?
Agradeço imensamente a quem se interessou pelo livro. Beijos.


Região Norte

Amazonas
Cecil Concorde
Rua Henrique Martins, 453
Centro - Manaus - AM
CEP: 69010-010
Fone: (92) 3215 3636 - (92) 3215 2910
E-mail: concorde@concorde.com.br
E-mail: divulgacao@concorde.com.br

Acre
Livraria Cultural Ltda.
Rua: Floriano Peixoto, 743
Centro - Rio Branco - AC
CEP: 69909-710Fone: (68) 3224-4014
E-mail: livcultural@brturbo.com.br

Rondônia
Dimensão Distribuidora de Livros Ltda.
Rua Joaquim Nabuco, 2400 A
São Cristovão - Porto Velho - RO
CEP: 78900-850Fone: (69) 3223 2383 - (69) 3221
-mail: livrariadimensao@enter-net.com.br

Pará
Livraria SBS Livraria Internacional
Avenida Conselheiro Furtado, 1146
Bairro: Batista Campos
Belém - PA
Fone: (91) 3225-1030 - (91) 3241-4817
E-mail: belem@sbs.com.br

Região Nordeste

Bahia
Gaia Distribuidora de Livros
Rua Eugênio Ferreira de Camargo, 34 Stiep
CEP: 41770-520 Salvador-BA
Tel: (71)3113-2382
E-mail: guidovix@terra.com.br

Paraíba
Positivo distribuidora de livros LTDA
R.: Francisca Moura, 242 - Centro
CEP: 58013-441João Pessoa/ PB
e-mail: positivo.pb@uol.com.br ou pernanbooks@pernabooks.com.br
Tel.: (81) 3222 0144 (81) 3421 4991

Pernambuco
Pernambooks Ltda. Rua Barão de São Borja, 186 Boa Vista - Recife - PE
CEP: 50070-310
Fone: (81) 3222 0144 - (81) 3421 4991
E-mail: pernambooks@uol.com.br

Sergipe
Campo das Letras
Av.: Augusto Mainard, 609
Bairro São José
CEP.: 49015-380Aracaju/SE
Tel.: (79) 3211 9636

Rio Grande do Norte
Mundial Editora Ltda.
Av. Rio Branco, 414
Cidade Alta - Natal - RN
CEP: 59025-000
Fone: (84) 3211 0790 Fax: (84) 3211 0790
E-mail: mundialm@hotmail.com

Ceará
Espaço Cultural
Rua Virgilio Paes, 2865
Cambeba - Fortaleza - CE
CEP: 60822-370
Fone: (85) 3271 0817
E-mail: despacocultural@hotmail.com

Maranhão
ROCOM Distribuidora de Livros
Avenida: Kennedy, 500 Loja 07/08
Fátima - São Luiz - Maranhão
CEP: 65030-002Fone: (98)3249-0966
e-mail: rocomdistribuidora@hotmail.com

Piauí
Livraria e Papelaria Campos Ltda.
Rua Álvaro Mendes, 1481 Centro - Teresina - PI
CEP: 64000-060
Fone: (86) 3302-3163/ 3302-3164/ 3302-3165/ 3302-3166
E-mail: livrariacampos@livrariacampos.com.br

Alagoas
Campo das Letras
Av. Santa Rita de Cássia, 100 B
Farol - Maceió - AL
CEP: 57051-600Fone: (82) 3326 2096
E-mail: logospositivo@hotmail.com ,livrariacamposdasletras-al@hotmail.com

Região Centro-Oeste

Distrito Federal
Arco Iris Distribuidora de Livros
SHC/ Sul CR Quadra 509 - Bloco A, 54 - W/2 Sul -
Bairro Asa Azul
Brasília - DF
CEP: 70360-510Fone: (61) 3244 0940Fax: (61) 3349 0309
E-mail: arcoiris@arcoirisdf.com.br

Goiás/ GO
Tocantins/ TO
Educar Distribuidora de Livros
Rua 70, 647
Centro - Goiânia - GO
CEP: 74055-120Fone: (62) 3093 6026
E-mail: educarlivros@cultura.com.br

Mato Grosso do Sul
Livraria Perpétuo Socorro
Rua Maracaju
Vila Cidade - Campo Grande - MS
CEP: 79002-214 Fone: (67) 3027-5176 - (67) 3321-1077
E-mail: lpsdist@terra.com.br

Mato Grosso
Novo Tempo Distribuidora de Livros
Av. Presidente Marques, 1744 - loja 5
Santa Helena - Cuiabá - MT
CEP: 78045-008Fone: (65) 3621-8482
E-mail: novotempo.livros@yahoo.com.br

Região Sudeste

São Paulo
Livraria Letras do Vale
Rua Emílio Winther, 133
Centro - Taubaté - SP
CEP: 12030-000 Fone: (12) 3631 3117 / (12) 3624 2450
E-mail: letrasdovale@terra.com.br

Coliba Distribuidora de Livros
Rua 1° de Agosto, 1465
Centro - Bauru - SP CEP: 17013-010 Fone: (14) 3212 4400
E-mail: colibalivros@uol.com.br

Coliba Distribuidora de Livros
Rua Itatiba, 573
Jd. Paulista - Ribeirão Preto - SP
CEP: 14090-130 Fone: (16) 3624 6922
E-mail: colibalivros@uol.com.br

Minas Gerais
RHJ Livros Ltda.
Rua Cuiabá, 415
Prado - Belo Horizonte - MG
CEP: 30410-140
Fone: (31) 3334 1566 Fax: (31) 3332 5823
e-mail: cpdrhj@terra.com.br, rhjbooks.bhe@terra.com.br

RHJ Livros Ltda.
Rua Espírito Santo, 1100 - Bairro Brasil
Uberlândia - MG
CEP: 38400-660 Fone: (34) 3211 7004
e-mail: rhjlivros_uberlandia@terra.com.br

Rio de Janeiro
Solário Distribuidora e Comércio de Livros Ltda.
Rua da Carioca, 33
Centro - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20050-008
Fone: (21) 2210 5101 Fax: (21) 2215 5748
E-mail: solariorj@terra.com.br

Espírito Santo
Representações Paulista Ltda - Logos Livraria
Av. Carlos M. Lima, 61
Bento Ferreira - Vitória - ES
CEP: 29050-650
Fone: (27) 3137 2565 / (27)3137-2560Fax: (27) 3137 2567
E-mail: vendas@logoslivraria.com.br, divulgacao@logoslivraria.com.br

Região Sul

Paraná Comércio de Livros Fischer Ltda.
Rua Brigadeiro Franco, 4880
Parolin - Curitiba - PR
CEP: 80220-100 Fone: (41) 3023 4242
E-mail: falecom@fischerlivros.com.br

Santa Catarina
Remanil Representações Ltda.
Avenida: Santa Catarina, 1355
Balneário Estreito - Florianópolis - SC
CEP 88075-500Fone: (48) 3244-2748
E-mail: remanil@terra.com.br

Rio Grande do Sul
Livraria Cervo Ltda.
Rua Barão do Amazonas, 985
Jardim Botânico - Porto Alegre - RS
CEP: 90670-004
Fone: (51) 3339 1611
E-mail: livros@livrariacervo.com.br

Domingo, 9 de Novembro de 2008

ESTAREI AUTOGRAFANDO NA FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE!!!


AMIGOS, AÍ ESTÁ O CONVITE PARA A SESSÃO DE AUTÓGRAFOS DE 2 DOS MEUS LIVROS, NA 54ª FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE.

NÃO ESQUEÇAM! DIA 14 DE NOVEMBRO, SEXTA-FEIRA, 14 HORAS, DECK DOS AUTÓGRAFOS, ALA INFANTIL, CAIS.

ESPERO VOCÊS TODOS LÁ!

BEIJOS!

FALHA IMPERDOÁVEL!!!!!!!!!!!!!!!!!!


No meio de uma infinidade de livros, há que garimpar com cuidado. As ofertas numa feira de livros são imensas. O desconto de 20% dado pelos livreiros e editoras é estimulante (às vezes até se consegue mais descontos!)... mas em meio a essa concorrência toda, na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre, que está acontecendo desde o dia 30 de outubro (até o dia 16 de novembro!), na Praça da Alfândega e arredores, ninguém tem para vender o livro ganhador do prêmio de melhor livro de ficção do ano, "O MENINO QUE VENDIA PALAVRAS", de Ignácio de Loyola Brandão, publicado pela editora Objetiva.


Neste ano a Câmara Brasileira do Livro celebra a 50ª edição do prêmio Jabuti! E fato raro, digno de soltarmos foguetes, o livro ganhador é um livro infantil!!!!!!!!!!!


Agora procure o livro para comprar! Ninguém tem!


Percorri todas as bancas, perguntei em todos os lugares. Os distribuidores da Objetiva no RS dizem que a editora não mandou, não manda, que o pedido foi feito, etc., etc.!


Espero que até o final da feira o livro apareça!!!!!!!!

Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

24ª FEIRA DO LIVRO DE CANOAS-RS


Na terça-feira passada, dia 8 de julho, participei da Feira do Livro de Canoas. Fui autografar meus livros mais novos: MÃE ÁFRICA, MUNDARÉU E CAVALEIRO ANDANTE, ambos da editora Paulus.


A Secretaria da Cultura, montou um espaço bem simpático, um sala para o encontro dos alunos com os autores.


(desenho de Daniel)


Conversei com alunos da 1 a 4 séries da ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL ASSIS BRASIL. Os alunos estavam super bem preparados e sabiam tudo do meu livro MUNDARÉU. Me fizeram muitas perguntas e ainda me deram um monte de desenhos, feito por eles, baseados no livro. Foi uma delícia conversar com as crianças e contar histórias para eles.


Uma das professoras responsável pela preparação das crianças chama-se Benny, e bem se vê que é uma apaixonada pelos livros e pela leitura. Eu acredito nisso! Nesse tipo de trabalho!

(deseenho de Rafael)

Depois que cheguei em casa, enviei para as crianças uma mensagem de agradecimento pela visita, pelos desenhos e mandei um poema do meu livro "GENTE EM FLOR".





Quer ler também?

Lição nº 2
(Celso Sisto)

Dona
Rosa-Bela,
de olhar
derramado,
abria os braços
e espalhava
no vento
um cheiro de
caderno novo,
e a aula,
brotava saborosa
da sua boca cor-de-rosa.

Lia pra gente
tanta coisa boa,
que a memória
já misturava à toa, à toa.

E no fim,
acostumados
a comer palavras,
a gente multiplicava
a fome em histórias
e íamos pra casa na
corda-bamba,
da imaginação,
para aprender outra geografia:
o mapa da leitura do coração.

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

COLUNA "COM A BOCA CHEIA DE LIVROS"

Caros amigos!

Pois não é que ganhei mais uma coluna de crítica literária?!
Desta vez é no Portal Cultura Infância, cujo endereço é:
Vai ser uma coluna por mês, que deve entrar no ar sempre por volta do dia 20.
Na estréia, neste mês de junho, escrevo sobre o livro CANTIGA DE NINAR VENTO, de Gláucia de Souza. Quer conferir?
Ao entrar no site, no lado esquerdo há uma coluna. Vá até a palavra Literatura e ali dentro, clique em Resenhas. Pronto, meu texto abrirá.
A coluna chama-se "COM A BOCA CHEIA DE LIVROS" e será um espaço para indicar belos e bons livros de literatura infantil. Aguardamos sua visita!

Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

LIVROS UTILIZADOS EM AULA

Na minha oficina de Criação de Textos para o Leitor Infantil, que está acontecendo no SESC de Santa Rosa (RS) tenho usado uma série de livros infantis em aula.

Para os alunos que quiserem ficar com a referência dos livros que já passaram por nossas atividades, aí vai a lista.

Para quem não está no curso, vale a pena ter contato com esses livros. São literatura da melhor qualidade; livros que considero objetos de arte e que certamente servirão para ampliar a nossa bagagem de leitura em literatura infantil.


PRIMEIRA AULA


BIBIAN, Simone. O menino, o cachorro. Il. Mariana Massarani. Rio de Janeiro, Manati, 2006. 36p.

COOKE, Trish. Tanto, tanto! Il. Helen Oxenbury. Trad. Ruth Salles. São Paulo, Ática, 1994. 48 p.

FOX, Mem. Guilherme Augusto Araújo Fernandes. Il. Julie Vivas. Trad. Gilda de Aquino. São Paulo, Brinque-Book, 1995. 32 p.

FURNARI, Eva. Cocô de passarinho. Il. da autora. São Paulo, Cia. das Letrinhas, 1998. 32 p.

GLITZ, Angelika. O monstruoso segredo de Lili (4ª ed.). Il. Annette Swoboda. Trad. Dieter Heidemann e Maria de Lourdes Porto. São Paulo, Brinque-Book, 1998. 28 p.

HEINE, Helme. Amigos (5ª ed.). Il. do autor. Trad. Luciano Vieira Machado. São Paulo, Ática, 1996. 32 p.

McBRATNEY, Sam. Adivinha quanto eu te amo. Il. Anita Jeram. Trad. Fernando Nuno. São Paulo, Martins Fontes, 1999. 32 p.

MELLO, Roger. Vizinho, vizinha. Il. de Mariana Massarani e Graça Lima. São Paulo, Cia. das Letrinhas, 2002. 32 p.

ROSA, Sonia. Amores de artistas. Il. Odilon Moraes. São Paulo, Paulinas, 1998. 24 p.

SISTO, Celso. Eles que não se amavam. Il. André Neves. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2005. 32 p.

WOOD, Audrey. O rei Bigodeira e sua banheira (7ª ed.). Il. Don Wood. Trad. Gisela Maria Padovan. São Paulo, Ática, 1994. 32 p.



SEGUNDA AULA

BENNETT, William J. (org.). O livro das virtudes para crianças. Il. Michael Hague. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1997.

BERENZY, Alix. O príncipe sapo. Il. do autor. Trad. Luciana Sandroni. Rio de Janeiro, Rocco, 1993.

COLASANTI, Marina. Uma idéia toda azul. Il. da autora. São Paulo, Global, 2003. 61p.
____________. Doze reis e a moça no labirinto do vento. Il. da autora. São Paulo, global, 1999. 93p.

SCIESZKA, Jon. A verdadeira história dos três porquinhos. Il. Lane Smith. Trad. de Pedro Maia. São Paulo, Cia. das Letrinhas, 1993.

TRIVIZAS, Eugene. Os três lobinhos e o porco mau. Il. de Helen Oxenbury. Trad. Gilda de Aquino. São Paulo, Brinque-Book, 1996.

WOOD, Autrey. A bruxa Salomé. Il Don Word. Trad. Gisela Maria Padovan. São Paulo, Ática, 1994.


TERCEIRA AULA


BARBOSA, Rogério Andrade. Três contos da sabedoria popular. Il. Rui de Oliveira. São Paulo, Scipione, 2005.

BELINKY, Tatiana. Os dez sacizinhos. Il. Roberto Weigand. São Paulo, Paulinas, 1997.

FRANCE, Marycarolyn. Cinderela brasileira. Il. Graça Lima. Trad. Luiz Raul Machado. São Paulo, Paulus, 2006.

LAGO, Ângela. Sua alteza, a Divinha (5ª ed.). Il. da autora. Belo Horizonte, RHJ, 1995.

________. De morte! Il da autora. Belo Horizonte, RHJ, 1992.

PAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. Il. Sônia Magalhães. São Paulo, Brinque-Book, 2005.

ZEMACH, Margot. Apertada e barulhenta. Il. da autora. Trad. Gilda de Aquino. São Paulo, Brinque-Book, 2000.

Sábado, 31 de Maio de 2008

OFICINA EM BOM PRINCÍPIO



Na noite do dia 15 de maio de 2008 ministrei uma oficina sobre a "Arte de Contar Histórias", em Bom Princípio. Gostei tanto! O grupo era grande, animado, gostoso de trabalhar. Me diverti muito e pudemos trocar muitas emoções e informações. A oficina tinha a seguinte ementa e proposta de trabalho:




Ementa:

A arte de contar histórias e seus elementos técnicos (corpo, voz, intenções, etc.); a contação coletiva; o tripé da história; exercícios de sensibilização para o ato de contar; os cuidados e atenções para garantirem uma boa performance no momento da narração de uma história.


Proposta de trabalho:

A oficina se propõe a trabalhar os elementos técnicos essenciais da arte de contar histórias, de forma prática e lúdica, de maneira coletiva, sem a utilização de quaisquer outros recursos que não os próprios do instrumental humano.




O jornal Primeira Hora, que circula por todo o Vale do Caí, publicou uma matéria sobre o trabalho, na edição : ANO 15, Nº 765, Bom Princípio, 22 de maio de 2008, na página 6.




Dê só uma espiada!




PARTICIPAÇÃO DE LUXO!


Meu amigo Jason Prado, me convidou para participar deste livro que acaba de sair. Foi uma honra escrever um texto a partir de Andersen (que eu tanto adoro!) e estar ao lado de gente tão importante, meus grandes autores e inspiradores, especialmente Marina Colasanti e Bartolomeu Campos de Queirós. Estou gratificado, emocionado e feliz! E espero que o livro seja um sucesso!




DIFERENTES HERÓIS, DIFERENTES CAMINHOS




O livro é um festival de histórias e de cores. Os 4 autores que fazem parte do livro, foram convidados para escreverem seus contos a partir de uma história de Andersen. Celso Sisto escreve sua história baseada no Soldadinho de Chumbo. Os outros autores, Bartolomeu Campos de Queirós, Marina Colasanti e Graziela Bozano Hetzel, baseiam-se em A roupa nova do rei, O patinho feio, O rouxinol e o imperador, respectivamente. Há ainda, no livro, a participação de especialistas (Maria Clara Cavalcanti de Albuquerque; Eliana Yunes; Maria Aparecida da Silva Ribeiro; Elaine Cristina R. Gomes Vidal e Sueli de Oliveira Rocha), que fazem, na segunda parte do livro, um cruzamento das histórias de Andersen com as dos autores convidados. Há também uma apresentação da obra de Andersen, feita por Regina Zilberman, uma conferência de Marina Colasanti, sobre identidade, e um ensaio da professora Eliana Yunes, tratando de questões teosóficas e convidando Dostoievski para participar! O projeto gráfico do livro é belíssimo e explora as figuras recortadas em papel, pelo próprio Andersen, além de ilustrações de Angela Lago, Elisabeth Teixeira, Celso Sisto e Roger Mello. Os textos de Andersen, também figuram ao lado dos novos, em bonita tradução de Paulo Condini.


Veja a indicação completa do livro:


PRADO, Jason & MAIA, Ana Claudia (organizadores). Diferentes heróis, diferentes caminhos. Ilustrações de Angela Lago, Celso Sisto, Elizabeth Teixeira, Roger Mello e Hans Christian Andersen. Rio de Janeiro, Leia Brasil, 2008 (Cadernos de Leituras Compartilhadas). 104p.

LIVRO COM HISTÓRIAS DE ARREPIAR!




Acaba de sair da gráfica minha mais nova produção. É um livro de histórias para sentir medo! Para ficar arrepiado! De cabelo em pé! Eu, particularmente, adoro essas histórias. Quer conferir? Veja o que eu digo no texto de apresentação do livro:




Pra Começar …


Sempre gostei de histórias de terror. Histórias macabras, dessas que vão passo a passo ficando pesadas e fortes sem que a gente perceba; e que vão transformando o riso primeiro num sorriso de canto de boca, depois num esgar de medo! E ainda por cima, gelando os pés e as mãos. Mas ao invés de sair correndo, quero mais, muito mais contos assim!
Quando comecei a contar histórias oralmente – e lá se vão mais de 20 anos –, muito rápido descobri uma infinidade de histórias arrepiantes, que faziam a platéia delirar. Botar medo nos outros é muito bom... Hoje, depois de tanto tempo, tenho um grande repertório dessas narrativas, mas as que mais gosto são essas aqui, que reconto agora, neste livro.
A bruxa desencantada é baseada em Franklin Cascaes e está no livro “O fantástico na ilha de Santa Catarina , em que figuram histórias que ele recolheu da boca do povo. Aliás, a ilha da magia é repleta de histórias de bruxas e o “manézinho da ilha”, tem sempre um bom caso desses pra contar.
A noiva do diabo é bastante conhecida no Rio Grande do Sul. Quando vim morar no Estado, ouvi várias versões desta história e fiquei com vontade de contá-la. Por isso acabei escrevendo uma versão minha. Além dos relatos orais que ouvi, outra importante fonte para a história foi também o livro de Antônio Augusto Fagundes, “Mitos e lendas do Rio Grande do Sul. Aliás, dizem que a história aconteceu de fato, por volta de 1930, numa cidade gaúcha chamada Encantado – nome pra lá de sugestivo!
O estranho cavaleiro é a história de tesouros enterrados, que ninguém sabe exatamente onde, mas todo mundo quer achar. Os piratas eram mestres nisso! Os bandeirantes também! São muitas histórias deste tipo, em tudo quanto é lugar. Ela está presente em muitas coletâneas de histórias populares, tanto européias quanto brasileiras, principalmente contos populares de São Paulo. Na versão que conto aqui, a ganância dos sujeitos que têm a sua coragem posta à prova me provoca um certo riso de medo e uns bons arrepios!
A procissão noturna também é muita conhecida, principalmente quando se fala de histórias de almas penadas. Sempre vi esta história em coletâneas de contos, principalmente, contos mineiros, até que fiz uma viagem de trabalho para a Espanha e fui trabalhar nas Astúrias. E qual não foi minha surpresa ao encontrar naquela região espanhola uma variante da mesma história que eu conhecia... Juntei tudo, então: a memória, as outras versões e escrevi a minha...
Espero que o leitor sinta muito medo. Que tenha vontade de largar o livro, mas que curioso, continue lendo até o fim... Depois, se tiver pesadelos, não vale me culpar! RÁ! (Rá é grito para assustar!!!).
Boas tremedeiras, bons chiliques e trimiliques, se for o caso, mas, especialmente, boas leituras!


Celso Sisto




A indicação completa do livro é esta:




SISTO, Celso. Cruz-credo! Ilustrações do autor. São Paulo, Larousse, 2008. 64p.

PALESTRA EM PORTO XAVIER


Estive na quinta-feira passada conversando com professores, alunos e demais interessados, na feira do livro de Porto Xavier. Tínhamos umas 120 pessoas na platéia e o assunto era "A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS". Foi uma delícia! O público era super interessado, havia muitos alunos do curso de Magistério e contei as seguintes histórias: "Menina bonita do laço de fita" (Ana Maria Machado), "Os figos da figueira" (conto popular), "Um espinho de marfim" (Marina Colasanti) e "Maria Angula" (conto popular). A minha ida ao município foi patrocinada pelo SESC de Santa Rosa e contei com a companhia agradável da Adriele. Foi uma manhã inesquecível... pena que não pude ver o rio Uruguai, e a Argentina, logo ali do outro lado!!! Tive que voltar correndo... e o frio estava de matar! Mas ficou a promessa da Secretária de Educação de me levar, num outro momento, para dar uma oficina para os professores, já que o interesse foi grande! Espero voltar muitas vezes!!!!

OFICINA DE CRIAÇÃO DE TEXTOS PARA O PÚBLICO INFANTIL


Estou ministrando uma oficina de produção de textos, destinada a adultos que querem escrever para crianças, no SESC Santa Rosa. Nesta oficina abordo as seguintes questões: a matéria literária infantil e seus fatores estruturantes; as espécies literárias mais exploradas pela literatura infantil; a forma literária conto popular e seus desdobramentos; gêneros literários explorados pela literatura infantil, tendências da literatura infantil atual; novidades temáticas, desconstruções, paródias e releituras. No total são 5 encontros de 4 horas/aula, num total de 20 horas/aula. É pouco, bem sabe-se, mas dá pra produzir bastante. O ideal para este tipo de trabalho, em que vamos socializar a feitura de textos, é 15 alunos. Mas, em Santa Rosa, estou trabalhando com 25 alunos! Já apareceram alguns textos muito bons! O melhor deste tipo de trabalho é a troca, essa escrita coletiva, em que todo mundo dá palpite no texto de todo mundo. As conquistas são enormes! E principalmente, o contato com obras de qualidade de outros autores, com uma leitura orientada, para que se possa perceber o processo de construção do texto. Eu adoro fazer esse trabalho!
Já tivemos aulas nos dias 14 e 28 de maio. Agora ainda teremos aula nos dias: 04, 18 e 25 de junho. E claro, estamos sempre esperando o melhor dos nossos alunos!

Sábado, 26 de Abril de 2008

SEMANA DO LIVRO NA PUC-RS

Meus amigos... esta semana comemoramos a Semana do Livro também no curso de Pós-Graduação da PUC-RS.
Fui convidado para dizer alguns poemas - de Cecília Meireles ou de Machado de Assis, os homenageados - nas salas de aulas. A tática era a seguinte: entrar na sala de aula da Graduação ou da Pós do Curso de Letras (onde faço Doutorado, todos sabem!) e surpreender os alunos com uma performance literária. Os professores sabiam e estavam avisados.
Foi uma delícia.
Na terça-feira passada (22/04/2008) trabalhei com os seguintes textos de Cecília Meireles:

Discurso

E aqui estou, cantando.

Um poeta é sempre irmão do vento e da água:
deixa seu ritmo por onde passa.
Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentesandaram.

Também procurei no céu a indicação de uma trajetória,
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel.

Pois aqui estou, cantando.

Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?

Ah! Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?

Fio

No fio da respiração,
rola a minha vida monótona,
rola o peso do meu coração.

Tu não vês o jogo perdendo-se
como as palavras de uma canção.

Passas longe, entre nuvens rápidas,
com tantas estrelas na mão...

— Para que serve o fio trêmulo
em que rola o meu coração?


É preciso não esquecer nada


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta
nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.


Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Na quarta-feira, dia 23/04/2008, trabalhei com os seguintes textos de Machado de Assis:

Círculo vicioso

Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:
"Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:

"Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela"
Mas a lua, fitando o sol com azedume:

"Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume"!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:

Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...

Menina e moça

Está naquela idade inquieta e duvidosa,
Que não é dia claro e é já o alvorecer;
Entreaberto botão, entrefechada rosa,
Um pouco de menina e um pouco de mulher.

Às vezes recatada, outras estouvadinha,
Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;
Tem cousas de criança e modos de mocinha,
Estuda o catecismo e lê versos de amor.

Outras vezes valsando, o seio lhe palpita,
De cansaço talvez, talvez de comoção.
Quando a boca vermelha os lábios abre e agita,
Não sei se pede um beijo ou faz uma oração.

Outras vezes beijando a boneca enfeitada,
Olha furtivamente o primo que sorri;
E se corre parece, à brisa enamorada,
Abrir as asas de um anjo e tranças de uma huri.

Quando a sala atravessa, é raro que não lance
Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar
Não leia, um quarto de hora, as folhas de um romance
Em que a dama conjugue o eterno verbo amar.

Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia,
A cama da boneca ao pé do toucador;
Quando sonha, repete, em santa companhia,
Os livros do colégio e o nome de um doutor.

Alegra-se em ouvindo os compassos da orquestra;
E quando entra num baile, é já dama do tom;
Compensa-lhe a modista os enfados da mestra;
Tem respeito a Geslin, mas adora a Dazon.

Dos cuidados da vida o mais tristonho e acerbo
Para ela é o estudo, excetuando-se talvez
A lição de sintaxe em que combina o verbo
To love, mas sorrindo ao professor de inglês.

Quantas vezes, porém, fitando o olhar no espaço,
Parece acompanhar uma etérea visão;
Quantas cruzando ao seio o delicado braço
Comprime as pulsações do inquieto coração!

Ah! se nesse momento, alucinado, fores
Cair-lhe aos pés, confiar-lhe uma esperança vã,
Hás de vê-la zombar de teus tristes amores,
Rir da tua aventura e contá-la à mamã.

É que esta criatura, adorável, divina,
Nem se pode explicar, nem se pode entender:
Procura-se a mulher e encontra-se a menina,
Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher!

Relíquia íntima

Ilustríssimo, caro e velho amigo,
Saberás que, por um motivo urgente,
Na quinta-feira, nove do corrente,
Preciso muito de falar contigo.

E aproveitando o portador te digo,
Que nessa ocasião terás presente,
A esperada gravura de patente
Em que o Dante regressa do Inimigo.

Manda-me pois dizer pelo bombeiro
Se às três e meia te acharás postado
Junto à porta do Garnier livreiro:

Senão, escolhe outro lugar azado;
Mas dá logo a resposta ao mensageiro,
E continua a crer no teu Machado.


Constatação: dizer poemas é muito bom! As pessoas também gostam de ouvir! E por que não fazemos mais isso? Por que não promovemos saraus literários, como nos velhos tempos? Falar às pessoas, através dos versos dos grandes poetas é estabelecer esse diálogo, em que a emoção viva pode ser tocada, no ar!

Domingo, 20 de Abril de 2008

OFICINA NO FÓRUM DE LITERATURA

Quem não foi ao 2ºFórum de Literatura Infantil e Juvenil do Rio Grande do Sul, perdeu! As atividades oferecidas foram de uma qualidade e riqueza imensas!


Além de ter participado do painel de escritores, atividade promovida pela associação gaúcha de escritores e coordenado por Christina Dias, dei uma oficina que se chamou TÉCNICAS PARA O TRABALHO COM LITERATURA INFANTIL E JUVENIL, com carga horária de 3 horas/aula, para dois grupos disntintos, um pela manhã e outro pela tarde, no sábado, dia 19 de abril de 2008.


Minha oficina, cuja ementa era: exploração do texto literário a partir das dimensões pedagógica, psicológica, histórica, estética, social e cultural, como caminhos para perceber a pluralidade de leituras que um texto comporta. Propostas lúdicas de criação de atividades, a partir do texto ficcional. Exercícios práticos.


O texto, escrito por mim para a oficina é esse:


UMA MULTIPLICIDADE DE LEITURAS
Celso Sisto
[1]
http://www.celsosisto.com/

O texto literário é sempre uma incógnita! Estou falando de sua recepção: como o leitor vai receber um determinado texto? Vai gostar, ficar arrepiado, com os olhos cheios d’água? Vai ter vontade de ser o personagem da história (seja ele qual for)? Vai ficar pensativo, lembrar-se de algo parecido que viveu ou já viu acontecer? Vai achar excelente, bom, ruim? Vai ter vontade de argumentar, defender um personagem, discordar de suas atitudes? Vai se ver vivendo num outro lugar e num outro tempo? Vai obter informações sobre coisas interessantes que não sabia? Vai descobrir uma maneira de lidar com um problema pelo qual já passou ou está passando? Vai ficar feliz de travar contato com algo tão criativo ou fantástico ou inusitado? São tantas as maneiras de um texto atingir o leitor! (e ninguém leva para a sala de aula um texto que não seja para afetar o leitor!). A pior coisa para uma obra de arte é a indiferença!
De alguma maneira o texto tem que afetar o leitor. Esse é o princípio da identidade (ou da memória): permanece aquilo que me atinge. E esse atingir também tem muitas vias. Pode ser pela emoção, pelo conteúdo histórico, pelas técnicas empregadas pelo autor para construir a história; pelas possibilidades de discussão social; pela alegria em descobrir coisas que não se sabia, sobre a vida, sobre o mundo, sobre um determinado assunto, sobre si mesmo; pela satisfação e curiosidade de “ver” uma outra cultura diferente da nossa, enfim, pela magia da arte de dar vida e transformar, com palavras.
Por mais que não percebamos - ou ainda que façamos isso de modo intuitivo e aleatoriamente -, é sempre possível observar um texto literário em várias dimensões. De imediato podemos levantar, a partir do texto, os níveis psicológico, histórico, estético, social, cultural e pedagógico. Para isso é necessário fazermo-nos algumas perguntas. Vejamos algumas possibilidades:
No nível psicológico: a partir dos conflitos que aparecem na história, pode-se pensar em valores, em ética, em moral, em formação do sujeito, construção da personalidade, etc. De que maneira a obra “delineia” essas questões ou permite “vivê-las” no plano mental?
No nível histórico: o pano de fundo da história é o hoje? É outro tempo? Qual? Está explícito ou é deduzível?
No nível estético da obra: como o autor conta sua história, que tipo de estrutura ele usa (é uma história linear, com relação de causa e conseqüências entre os fatos? Ou os fatos são “descosturados”, fragmentados, com se fosse apenas um painel? Há um vai e vem, uma alternância entre passado e presente? Ou é circular, isto é, começa e acaba no mesmo ponto)? É conto, lenda, mito, fábula, etc.? Qual o gênero: amor, humor, terror, aventura, mistério, etc.? A linguagem usada no texto é coloquial, cotidiana ou é poética? A ilustração amplia o texto escrito ou repete o que está dito? Qual o estilo da ilustração, quase fotográfica ou “inventiva”? Que cores são usadas: vibrantes, frias, esmaecidas? Que material o ilustrador emprega? Pode-se fazer alguma aproximação com a pintura, com a obra de outros artistas plásticos?
No nível social: que papéis sociais os personagens representam? Há uma ideologia aparente? Ou várias ideologias? Qual predomina? As posições assumidas têm um cunho autoritário, dogmático ou permitem posições diferenciadas?
No nível pedagógico: o que é possível discutir com essa história? O que eu posso aprender com ela, que não seja fechado e único? O aprendizado contido nesta história é puramente informativo ou formativo? Eu aprendo sobre a vida? Sobre os outros? Sobre mim? Sobre a arte da própria escrita?
No nível cultural: que usos, costumes, crenças, padrões artísticos da “sociedade” aparecem na história? Há uma ou várias culturas em convivência no texto? Há juízos de valores ou esse é um aspecto aberto?
Certamente perceber essas dimensões de um texto literário é fazer uma leitura rica e cheia de possibilidades, inclusive para sair da mesmice, quase sempre centrada em aspectos pedagógicos do texto.
Mas há um antes, que precisa ser cuidado também. O momento (que considero sagrado!) da escolha. O papel do professor é de multiplicador, de propagador, portanto, não há espaço para promovermos textos ruins! Livros ruins! Livros deliberadamente comerciais e mal feitos!
Vejamos algumas dicas que podem nos ajudar a perceber a qualidade do texto. Para escolher bem um texto é necessário perceber: 1. As emoções que o texto desencadeia em você; 2. Se os conflitos apresentados na história são instigantes; 3. Se os personagens estão bem delineados (Há coerência entre a “fala” do narrador e a linguagem e a ação dos personagens? Os personagens não são estereotipados? Os personagens são lineares demais?; 4. Se a estrutura da história está bem armada; 5. Se a linguagem é coerente, acessível, (e que não se preocupe em fazer concessão ao fácil); 6. A extensão do texto; 7. Se o texto apresenta possibilidades de interpretação nas entrelinhas (se dá espaço para o leitor completar as coisas ou se dá tudo “mastigadinho”!); 8. Se o texto pode ser contado (é preciso fazer adaptações do escrito para o oral? Isso não vai descaracterizar a obra e o estilo do autor?); 9. Se há uma preocupação clara em passar ensinamentos em detrimento da arte de escrever e contar bem uma história (o que compromete o texto, claro!); 10. Se o texto é óbvio, didático, doutrinário, preconceituoso; 11. Se o texto cativa, se suscita o desejo de querer ouvir e/ou ler novas histórias; 12. Se o texto dá prazer, provoca arrepios, leva à percepção de novas coisas, amplia a imaginação, mostra novos ângulos do mundo, da vida, do homem...
E por fim, podemos constatar, que ao ler ou ouvir uma história as crianças querem se divertir (e viver várias emoções), querem ser desafiadas, querem trocar/dialogar com a história; querem “aprender” (no sentido mais amplo possível da palavra! Não é obrigá-las a guardar e repetir informações inúteis!). Portanto, abandonemos de vez as escolhas (infundadas) no moralismo e nas boas intenções, pois elas são insuficientes para garantir um bom texto e para garantir o interesse das crianças!
Uma dica eficaz: visando ampliar nossa margem de escolha de livros, para acertarmos cada vez mais, podemos visitar uma livraria uma vez por mês (que seja! se pudermos mais, façamos!); visitar a biblioteca pública, fuçar nas estantes e consultar a lista dos principais prêmios literários do país (especialmente a lista dos prêmios da FNLIJ e o prêmio Jabuti, na categoria infanto-juvenil). Precisamos estar a par do que tem sido publicado pelas editoras, quem são os autores, quais livros vendem, o que faz ou não sucesso... Isso é o mínimo que podemos fazer se quisermos trabalhar com a literatura de qualidade no nosso exercício (honesto!) de professor!



[1] Celso Sisto é escritor, ilustrador, contador de histórias do grupo Morandubetá (RJ), ator, arte-educador, Especialista em literatura infantil e juvenil, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Doutorando em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e responsável pela formação de inúmeros grupos de contadores de histórias espalhados pelo Brasil. Tem 34 livros publicados para crianças e jovens e recebeu os prêmios de autor revelação do ano de 1994 (com o livro Ver-de-ver-meu-pai, Editora Nova Fronteira) e ilustrador revelação do ano de 1999 (com o livro Francisco Gabiroba Tabajara Tupã, da editora EDC); ambos concedidos pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Vários dos seus livros também receberam o selo Altamente Recomendável, desta mesma Fundação.



A partir da leitura do texto teórico, fizemos uma leitura investigativa dessas dimensões apontadas pelo texto (pedagógica, psicológica, histórica, social, estética e cultural), na obra BEIJO DE SOL, de Celso Sisto.



BEIJO DE SOL[1]

Para as outras tão cecílias: Lúcia Jurema, Vera Varella, Fátima Miguez,

Eliana Yunes e Norma Ribeiro



Quando o dia amanhecia,
Cecília já tinha beijado o sol.
Depois quando ouvia o
primeiro passo dentro de casa,
corria pra contar:
- Mãe, hoje foi um beijo de
jabuticaba!
E lá ia ela perfumada de fruta
se esconder atrás
dos cadernos da escola.

Na aula de artes
desenhava bolinhas roxas,
pedindo para os amigos
adivinharem:
- É um lenço de bolinhas?
- Não, não!
-É... um menino com sarampo?
- Não, claro que não!
- É o chão da lua?
- É óbvio que não é!
E escondia o desenho,
de cara emburrada,
porque ninguém tinha conseguido
entrar no seu sonho.

No dia seguinte,
o sol despontando,
corria Cecília
quando sentia o cheiro do café:
- Mãe, hoje ele me deu
um beijo de borboleta!
E lá ia ela quase que voando,
levar a notícia leve para a classe
que imaginava um jardim.

Na aula de ginástica
A brincadeira era de mímica
e o tema era bichos.
Apareceu um pilombo de duas cabeças,
um esturquino com quatro rabos,
um pomerangue com garras afiadas,
um tuledante com cinqüenta e nove dentes,
mas ninguém conseguiu ver
a borboleta de Cecília.
E a volta pra casa, nesse dia,
foi um arrastar de asas,
como se voar pintado
não fosse mais possível.

Esquecido o antes,
vinha de novo o sol.
E com ele o
primeiro xixi do dia,
e atrás, Cecília:
- Manhê, hoje ele
me beijou salgado!
E lá ia ela,
enfeitada de mar,
construir castelos de areia
por entre as contas
de diminuir e de somar.

Na aula de matemática
ninguém conseguia acertar
a conta de Cecília:
muitas conchas
mais muitos grãos de areia
mais muitas estrelas de cinco pontas
era sempre igual
a um conjunto vazio,
diziam eles.
E o resultado final
era voltar para casa
sem ter ganhado nota boa.

Um dia o sol não veio,
e ao correr
a primeira água na torneira
apareceu Cecília:
- Mãe, hoje ele me chamou
de boba e me bateu!
Foi um custo para ir à escola.
Ia a mãe,
arrastando pela rua
um saco de pedras,
para não deixar afundar
o navio sem âncora.

Na hora do conto
não se ouviu a voz de Cecília,
mesmo sendo, naquele dia,
a história da moça guerreira
que ficava gostando da lua.
Alguém sentiu sua falta.
Procuraram em todos os lugares
que sabiam que Cecília gostava
de brincar de estar:
dentro do baú de sonhos,
embaixo das mesas-navios,
atrás da porta do castelo da sala de aula.
Nada.

Não precisavam ter ido tão longe.
Em cima da mesa,
no livro aberto,
na página vinte e três
- lá estava Cecília,
subindo num raio dourado de sol,
para ser sempre
ou isto ou aquilo.


[1] SISTO, Celso. Beijo de sol. Rio de Janeiro, Ediouro, 1995. [Ilustrações de Marilda Castanha]







Em seguida, foi proposto que a história fosse recontada num novo formato. Que ficou dividido da seguinte maneira: 1) Psicológico: carta; 2) Histórico: um contrato; 3) Estético: poema narrativo ou propaganda de tevê; 4) Social: rap ou funk; 5) Cultural: uma receita (de comida); 6) Pedagógico: bula de remédio. A nova forma tinha que contar toda a história que está no livro!


Os trabalhos dos grupos foram muito bons e criativos. Em breve vou colocà-los aqui.


Domingo, 13 de Abril de 2008

2º FÓRUM ESTADUAL DE LITERATURA INFANTIL & JUVENIL DO RS

Nesta semana vai acontecer o 2º Fórum de literatura infantil e juvenil do Rio Grande do Sul. A realização é das Secretarias Municipais de Educação e Cultura de Porto Alegre. Na programação palestras, colóquios com escritores, painéis e oficinas.

Eu estarei participando do painel de escritores, promovido pela Associação Gaúcha de Escritores (AGES), no dia 18 de abril. O painel está programado para acontecer das 13h às 18h.

Também e estrei ministrando a oficina "TÉCNICAS para o trabalho com literatura infantil e juvenil", no dia 19, uma turma pela manhã (8h30min às 11h30min) e outra à tarde (13h às 16h30min).

O Fórum é nos dias 18 e 19 de abril de 2008, no Teatro de Câmara Túlio Piva (REpública, 545 - Cidade Baixa - Porto Alegre-RS).

Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

FOTO DE PRESENTE

No ano passado, eu, Caio Ritter e Hermes Bernardi Jr. fomos jurados do 8º prêmio Habitasul - Revelação Literária, na categoria Dando a Letra, em que podem participar crianças até 12 anos. Foi uma delícia ler os textos e escolher depois, o premiado e os que estariam no livro, editado pela Habitasul, que (desculpem a similaridade sonora!), habitualmente é ofertado ao público, no dia da entrega do prêmio!

Como memória dessa noite de premiados, está aí a foto do vencedor Henrique Petiz Caetano com essa trinca de amigos! A foto, ganhei de presente do meu amigo Hermes (O mensageiro!).

Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

PARA QUE SERVEM OS PRÊMIOS?

Pois é... Quem não fica feliz ao saber que ganhou um prêmio? Sabemos bem que há órgãos, instituições, esferas de poder, que legitimam as ações, os acontecimentos, os produtos, em sua área de atuação...

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) têm, desde 1974 um prêmio para sinalizar, destacar, promover a literatura de qualidade, publicada para crianças e jovens, neste país. São várias categorias, que foram, inclusive sendo criadas, ao longo da existência do prêmio. E são vários os votantes do prêmio, de várias partes do país: especialistas, livreiros, bibliotecários, pesquisadores, enfim.

E são várias, as maneiras de sinalizar essas obras. Há a confeção de uma lista de livros, feita por esta instiuição, que se chama ACERVO BÁSICO, que pode servir para orientar compras e escolhas. Há a lista dos ALTAMENTE RECOMENDÁVEIS, nas várias categorias, de onde saem os primeiros prêmios, denominado de "O MELHOR LIVRO DE..." E há ainda, uma seleção, feita com base na seleção dos livros publicados no ano, para compor o catálogo da Feira de Bolonha, que acaba também funcionando como um prêmio para os autores, ilustradores, editores. A Feira de Bolonha é uma das mais importantes feiras de literatura infantil, na qual o Brasil está sempre representado, com uma exposição (dentre outras coisas) dos livros que foram selecionados, pela FNLIJ, para seu catálogo. Quem não gostaria de saber que sua obra vai ser exposta fora do país?








Com tudo isso, aproveito para dizer, que da minha produção publicada em 2007, os livros "MÃE ÁFRICA" (Editora Paulus) ganhou o selo ALTAMENTE RECOMENDÁVEL e "MUNDARÉU" (Editora Paulus) foi selecionado para o catálogo da 45º feira de livros infantis de Bolonha.

Certamente, estou feliz! Principalmente por perceber que meus dois livros, um relacionado com a cultura africana, o outro, com a cultura indígena, podem abrir caminho para que divulguemos, cada vez mais as histórias populares dessas culturas, formadoras da nossa brasilidade! Isso sim, me deixa imensamente feliz! Contribuir para esse respeito e admiração!

Domingo, 30 de Março de 2008

1º ENCONTRO REGIONAL DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS



Aconteceu em Picada Café o 1º Encontro Regional de Contação de Histórias, nos dias 26 e 27 de março de 2008.

O encontro começou na noite do dia 26 de março, com uma sessão de contos narrados pelos contadores convidados (CELSO SISTO, CLÉO BUSATTO, LÚCIA FIDALGO E MARÔ BARBIERI). Foi um momento mágico, em que a platéia - cerca de 120 professores - pôde se encantar com a arte da narração!

Eu contei "A Bruxa Salomé" (de Audrey Wood, publicado no Brasil pela Ática, em 1994). Cléo contou um conto oriental (o do pássaro que vai apagar o fogo da floresta, carregando água nas asas...), Lúcia contou a história do "João Bobo" (encontrável em muitas coletâneas de contos populares... ela contou o registro dos irmãos Grimm) e Marô contou a história "O espelho da princesa", recontado por Sonia Junqueira, no livro da editora Atual.

Em seguida, foi realizado um painel, com a seguinte questão: contar histórias ajuda na formação do leitor? Fui o primeiro a falar, e defendi a seguinte posição...

"Não se pode mais ver o contar histórias de uma forma ingênua! Ele tem que ser visto relacionado ao contexto dessa linguagem artística no nosso país, Estado ou Região...(a arte quer impactar, dizer, comunicar, pronunciar, interferir/modificar o sujeito pelo objeto estético/apontar atalhos e "respiradouros" para o cotidiano/sinalizar seus pressupostos)... Prefiro vir do macro para o micro -. Ou seja, há uma multiplicidades nesta área, de caminhos e conquistas: uma história de quem já conta histórias há muitos anos; gente que conta e nem sabe o que está fazendo; gente preocupada em encontrar um caminho artístico para "falar" com o mundo (e fundamentar esse caminho); gente que visa um uso funcional e cotidiano do contar histórias (esse tem sido oda Escola , o da Educação). O que eu observo neste uso prosaico, cotidiano do contar histórias é uma ausência de profundidade das ações. Um empirismo conteudístico! Um vale tudo porque a meta é entreter! É fazer, não importa como! Isso é valido, claro, mas é preciso visar outros estágios dessa formação do contador de histórias (profissional!).


E aí, você me pergunta: contar histórias ajuda na formação do leitor? E eu digo: deveria ajudar, mas depende!

Depende de que? De quem?

Minha resposta tem como palavra-chave o termo QUALIDADE! E se desmembra em 7 aspectos:

1. do contador: ele está preparado? investiu nisso? é leitor? treinou sua capacidade de sedução?

2. do texto que ele conta (compromisso com a literatura de qualidade)

3. do público (estão familiarizados com o exercício de ouvir histórias? qual o perfil desse público?)

4. do momento (é o ideal? é o momento certo?)

5. das estratégias (o professor vai cobrar depois? vai viciar num tipo de exercício após o contar?)

6. da continuidade (só conta quando há brecha no planejamento? quando os alunos estão muito agitados?Há que transformar isso num projeto, inclusive em casa!)

7. da variedade (abarcar o maior número possível de gêneros, formas, etc.. no fazer, no suporte)

Lembrando: se os professores não podem fazer isso, que as escolas contratem contadores de histórias profissionais! Já há quem faça isso, escolas que tem esse profissional para entrar nas salas de aulas, uma vez por semana, por exemplo, para contar uma história (vi isso em Minas Gerais, em Florianópolis...). Essa prática é comum fora da Escola, normalmente em Bibliotecas Públicas, em Fundações (a Fundação Oswaldo Cruz tem contadores de histórias contratados!), em Centros Culturais (o do Banco do Brasil, o do Itaú, etc. tem esse profissional, normalmente ligados a projetos pedagógicos...).

E para concluir, uma frase do espanhol Antonio Rodríguez Almodovar, que está no seu livro "Animando a animar", na página 15: "si no formamos el oído del niño a través del cuento, la canción, el romance, la adivinanza, la retahíla... el fuego de la palabra nunca prenderá en su corazón". E sem esse fogo da palavra, fixado no coração, não há história que resista!

No dia seguinte, dia 27 de março de 2008, foram oferecidas aos participantes, as seguintes oficinas:

Celso Sisto – A arte de contar histórias
Proposta: Trabalhar os elementos técnicos essenciais da arte de contar histórias, de forma coletiva, prática e lúdica, sem a utilização de quaisquer outros recursos que não os próprios do instrumental humano, e responsáveis por sustentarem uma boa performance. A ênfase maior recairá sobre o tripé da história: texto, corpo, voz.

Cleo Busatto - Contar e encantar
Proposta: Indicar algumas possibilidades a quem pretende contar histórias: apresentar a técnica da narração oral ; estimular a oralidade em sala de aula; exercitar a fala estética.

Lúcia Fidalgo - Contando e ouvindo histórias e formando leitores
Proposta: Trabalhar os contos e as leituras de cada um para despertar o prazer pelo livro,pelo texto e pela leitura,usando também como instrumentos as palavras das histórias contadas

Marô Barbieri - história é pra contar!
Proposta: Estabelecer critérios para seleção de material de contação; diversificar e inovar as atividades de contação; conhecer e utilizar elementos de apoio para contação; analisar diferentes propostas de aproveitamento de elementos textuais,

Ao final do encontro, contadores da região narraram histórias para o público, no auditório.

Foi um encontro pra lá de estimulante!

Espero que aconteçam outros do mesmo nível, para que as questões tenham continuidade e ganhem mais profundidade.

Agradeço aos organizadores: Nóia Kern, Carla Chamorro... e a minha monitora, Maristela (e toda a equipe que certamente está por trás de um evento deste porte!). Do fundo do meu coração!

Segunda-feira, 3 de Março de 2008

ENTREVISTA PARA A REVISTA DONA & CIA.


No finalzinho da semana passada, a Clarice Passos, que escreve para a revista DONA & CIA., recém lançada nas bancas, me procurou, para uma entrevista. Ela queria fazer uma matéria sobre a arte de contar histórias para as crianças, com a finalidade de conscientizar as mães sobre a importância de tal tarefa, dar dicas de como fazer isso de modo melhor e apontar os benefícios que decorrem de tal atividade.


A entrevista consistiu nas perguntas abaixo. Gostei das perguntas, então reproduzo-as aqui. Mas o melhor mesmo é ver como ficou tudo isto na própria revista!




1. Qual a importância de contar histórias?




Eu diria no plural! São muitas as “importâncias” do contar histórias! Contar histórias é importante para a formação do leitor, para a consolidação da cidadania, para criar relações de proximidade entre as pessoas, para experimentar papéis sociais e situações de conflito no plano mental e imaginário, para treinar a imaginação e possibilitar o aparecimento do sujeito criativo e criador, etc.




2. No que isso contribui para a formação da criança? Existe um aspecto, de certa forma, escolar - de despertar para a leitura - mas há algum outro grau de influência do "ouvir histórias"?




O contar histórias contribui para a formação da criança em vários aspectos: no plano estético, no cultural, no histórico, no psicológico, no didático, no social. No plano estético ela aprende a lidar com os elementos da arte, convivendo com a literatura. No plano cultural ela tem contato com outras realidades culturais que não estariam a seu alcance imediato e geográfico; no plano histórico, ela pode ter acesso a outros tempos e lugares; no plano psicológico ela aprende sobre conflitos, resoluções de conflitos, “viver emoções no lugar do outro”, treinar sua personalidade, descobrir igualdades e diferenças; no plano didático( e esse é sempre o mais visível na educação)aprende que as histórias tem uma progressão, que uma narrativa tem inicio, meio e fim, ou seja, acabam internalizando uma estrutura narrativa e são estimuladas a ampliar o imaginário, cada vez mais e a criar. Afinal, o ouvinte é sempre co-autor da história que ele ouve (ou lê!). E no plano social, o contar histórias contribui para que a criança percebe, nas histórias que ouve, uma rede de relações e perfis sociais. Mesmo que ela não saiba dar nome a todas essas coisas! As crianças acostumadas a ouvirem histórias desde cedo, certamente estarão sensibilizadas para a leitura. Mas isso só não basta! É preciso que este seja um valor positivo no ambiente em que a criança vive. É preciso que o “entorno” tenha ambiências de leitura, ou seja, que ela esteja acostumada a ver as pessoas lerem ao seu redor (principalmente os pais e as pessoas mais próximas, que haja livros e biblioteca na sua casa (nem que seja uma prateleira), que ela freqüente a biblioteca pública, inclusive para “desescolarizar” a leitura, porque sempre acaba parecendo que a leitura é uma obrigação e uma tarefa da escola!




3. A partir de que idade uma criança pode ouvir histórias com interesse?




Desde a gestação! Existem vários estudos que confirmam que a s crianças acostumadas a ouvirem histórias ainda na barriga, vão se familiarizando com a musicalidade da fala, vão se acostumando com o aspecto oral das relações das pessoas, vão percebendo a proximidade e afetividade que vai embutida no contar histórias.


É claro que quem conta histórias tem que estar atento aos sinais do seu ouvinte! E sobretudo, aos interesses dos seus ouvintes, na medida em que vão amadurecendo, como pessoas e como leitores. Quanto menor a criança, mais o contador de histórias precisa caprichar nos recursos vocais e corporais, para manter a atenção da criança, para renovar o interesse, para criar outros ambientes, no plano da imaginação, para sair do cotidiano, para instaurar um outro “eu”, afinal, o contador de histórias é um personagem, que qualquer um pode assumir.




4. Que tipo de histórias são recomendadas para cada faixa etária, de maneira geral?




Quem lida com literatura e formação do leitor tem horror em falar em faixa etária. Essas classificações são, muitas vezes, estratégias das editoras, para classificar e vender livros, e são falhas! É preciso mesmo é conhecer o ouvinte, e principalmente, conhecê-lo como leitor, saber da sua experiência e maturidade com os livros e as histórias. Você, por exemplo, pode ter uma criança de 12 anos, lendo livros que uma criança de 7 estaria lendo, ou uma criança de 12, lendo livros que uma de 16 estaria lendo. Então, tudo isso é muito relativo! Inclusive, para nós que estudamos essas questões, usa-se uma outra nomenclatura, como pré-leitor, leitor iniciante, leitor experiente, leitor crítico, etc.




5. Seu pai ou sua mãe te contavam histórias? Que memórias você tem disso, caso a resposta seja afirmativa?




Minhas avós eram grandes contadoras de histórias. Contavam muitas histórias familiares, histórias de vida, histórias da infância delas. Meu pai adorava nos contar histórias de grandes personagens da História do Brasil. Mas tive professores que cumpriram muito bem esse papel. Minha professora da primeira série, numa escola pública no Rio de Janeiro (Escola Benedito Ottoni), nos contava, todos os dias, um pouco do livro “O gênio do crime”, de João Carlos Marinho. Essa narrativa em capítulos, super bem dosada, nos instigava, mexia com a nossa imaginação, fazia-nos ter desejo de ter nas mãos aquele livro, de onde sabíamos que ela tirava a história. Essa estratégia era e continua sendo muito eficaz!




6. Contar histórias para os filhos pode ser um exercício diário? Você recomenda a criação de um "momento" específico para isso?




Com certeza! É bastante comum os pais contarem histórias para as crianças, antes delas dormirem. Isso é muito bom! Sempre! Mas não podemos esquecer que a função do contar histórias não é ser “sonífero” e nem um instrumento do sono! Por isso, pode ser de grande valia repetir esses momentos em outros horários, que não seja a hora de dormir. O que mais agrada a criança, além de tudo, é esse momento de afeto e intimidade que as histórias proporcionam entre pais e filhos. E isso, certamente, acaba sendo uma ótima associação: o livro e as histórias acabam vindo sempre associados ao afeto! Mas, quando isso é freqüente!




7. O que é preciso para contar uma história para seu filho? Um livro? Marionetes? Apenas a imaginação?




Tudo isso pode ser usado. O livro, objetos, só a imaginação, o que o contador preferir. O que a criança quiser ou demonstrar mais interesse. Na verdade, o mais rico é a variedade, contar de tempos em tempos usando recursos diferentes. Mas é preciso não se perder nos recursos e deixar a história em segundo plano. O mais importante é a história! Mas, a presença física do livro também é de suma importância, mesmo que ele não vá ser usado, mesmo que ele esteja ali ao lado apenas como figura “decorativa”. O contador pode contar de cabeça, de memória, pode contar se utilizando das imagens do livro, pode mostrar o livro antes, conversar com a criança sobre o livro, e na hora de contar, fechar o livro... Ou seja, ter o livro de fato, ajuda a associar as histórias ao livro e contribui para a formação do leitor!




8. Como despertar a contadora de histórias que existe nas mães? Em outras palavras, liste 10 dicas que você daria para as mães que não têm esse hábito ou não se consideram muito boas na atividade.




1. Para despertar o contador de histórias que existe dentro de cada um é preciso ler, procurar, formar uma bagagem de leitura, freqüentar livrarias, bibliotecas, conhecer os livros premiados pelas instituições que cuidam da excelência dos livros para crianças e jovens, para que as escolhas sejam acertadas! A qualidade do que se conta para a criança deve ser uma preocupação!2. é preciso não ficar se censurando na hora de contar a história, pensando coisas do tipo: “ai, que ridículo!”. Isso destrói a espontaneidade!3. é preciso ver a história como um brinquedo, e usá-la de forma lúdica, para brincar com a criança: brincar de imaginar, de pensar, de se divertir...4. Estar atento aos usos da voz. Pode-se mudar a voz para fazer a voz do personagem, cantar no meio da história, fazer sons de fenômenos da natureza, criar ritmo, suspense, etc. A voz não pode ser a mesma do início ao fim senão fica chato!5. Usar o corpo, movimentar-se, fazer ações, isso renova a atenção e descortina para a criança uma outra pessoa, diferente do cotidiano... As crianças adoram ver os adultos em outros papéis que elas não estão acostumadas a ver!6. Prestar a atenção se você está usando a emoção. Para usar a emoção é preciso acreditar e sentir. Isso é fundamental para fazer o outro embarcar na história que está sendo contada!7. Não esquecer das pausas e do silêncio. Ninguém pode contar uma história numa enxurrada só, querendo se livrar da história e daquela tarefa. É preciso dar tempo para a criança “visualizar” o que está sendo contado; é preciso não ter pressa.8. Prestar atenção no vocabulário usado, na adequação da história ao ouvinte.9. Não ficar “didatizando” a história, ou seja, fazendo pergunta e interrompendo toda hora para ver se a criança entendeu ou está entendendo. Elas mesmas se encarregam de demonstrar isso!10. Olhar nos olhos do ouvinte sempre! Os olhos são a porta de entrada da história e o cordão umbilical do imaginário!




9. Quais são suas cinco histórias preferidas (folclóricas, literárias, vale tudo!)




As histórias que mais conto, como contador de histórias são:1. Menina bonita do laço de fita (de Ana Maria Machado)2. O macaco e a velha (conto popular... adoro a versão do Ricardo Azevedo)3. A bruxa Salomé (uma versão primorosa da escritora Audrey Wood, para a história dos Sete Cabritinhos)4. Os figos da figueira (um conto popular português, que está em várias coletâneas de folclore, inclusive em Câmara Cascudo e Silvio Romero, nossos mais profícuos folcloristas)5. Galo, galo não me calo (da Sylvia Orthof) e “Apanhei assim mesmo” (Ruth Rocha). São duas histórias contemporâneas, de nossos melhores autores, e sobretudo contos de humor! As crianças adoram!




10. Como você começou a contar histórias?




Eu tinha acabado de me formar em Artes Cênicas e estava terminando o curso de Letras. Fui então, trabalhar na Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e fiquei sabendo lá, que existia isso: um grupo de contadores de histórias. Fui convidado para participar deste grupo, nesta fundação e não parei mais. Acabei me tornando um profissional da área, e comecei a escrever e a ilustrar e hoje vivo inteiramente dedicado à literatura! Fazendo tudo isso! E trabalhando com o mesmo grupo, há vinte anos, o grupo MORANDUBETÁ, que em tupi-guarani quer dizer MUITAS HISTÓRIAS, VÁRIAS HISTÓRIAS. O grupo é formado por BENITA PRIETO, LÚCIA FIDALGOS, ELIANA YUNES e eu, CELSO SISTO. Já formamos muitos contadores e grupos de contadores por esse mundo afora. Não só no Brasil, como no exterior.

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

PROJETO VENTO DE LETRAS EM OSÓRIO



Osório é a cidade dos cataventos! O Parque Eólico, que produz energia na velocidade dos ventos, também ajuda a produzir boas idéias! Minha amiga Marô Barbieri, idealizou e coordenará, para a Prefeitura e Secretaria de Educação do Município, o projeto "VENTO DE LETRAS", que levará, durante o ano letivo de 2008, 10 escritores às escolas da cidade. Cada mês, um escritor estará visitando a escola em que foi "adotado". A escola vai se preparar para essa visita com antecedência. Vai ler e trabalhar com as obras do autor escolhido por aquele estabelecimento e produzir trabalhos para serem mostrados no grande dia.


Estou bastante feliz de participar deste projeto. Meus companheiros na ventania destas letras são:




- CAIO RITTER


- CARLOS URBIN


- CELSO GUTTIFRIEND


- CRISTINA DIAS


- HERMES BERNARDI Jr.


- JANE TUTIKIAN


- MARÔ BARBIERI


- SERGIO NAPP


- VALESKA DE ASSIS




Hoje foi a abertura do ano letivo e lançamento oficial do Projeto. Além da apresentação, para os professores do Município, reunidos no GAÓ, fomos brindados com um espetáculo do grande mágico e contador de histórias ERIC CHARTIER, e com um delicioso almoço na Fazenda Santa Helena.


Bons ventos começam a soprar o ano de 2008!


Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

TRABALHO NOVO DE TEXTO E ILUSTRAÇÃO - UMA PRÉVIA

Terminei hoje, as ilustrações do meu novo livro da editora Larousse. O livro chama-se CRUZ-CREDO e é um livro de contos de terror. Nele reconto 4 histórias de vários lugares. Estão no livro: A bruxa desencantada; A noiva do diabo; O estranho cavaleiro; A procissão noturna. São histórias pra sentir medo ou ficar arrepiado.


O livro fará parte da Coleção "De boca em boca". Obedecendo ao padrão já adotado para a coleção, as imagens serão monocromáticas. Trabalhar sem poder usar uma ampla paleta de cores é um exercício difícil. O que conta são os claros e escuros, única nuance possível na impressão!

Mas mesmo assim, usei, nos originais, o máximo possível de tonalidades de verdes, que foi a cor que escolhi trabalhar. Gostei do resultado, no original. E agora, fico curioso para saber como ficará na impressão.



Para se ter uma idéia das ilustrações, vejamos uma imagem de cada uma das histórias:



ilustração para o conto "A bruxa desencantada", do livro Cruz-Credo, de Celso Sisto


Gostei muito de trabalhar com os brancos de fundo, como na ilustração acima.




Na segunda história usei umas imagens um pouco mais destorcidas e mais aquareladas. Gosto dessa brincadeira de variar, já que na primeira história eu tinha trabalhado com as cores mais vibrantes. O desafio neste conto foi criar novas imagens para uma história que já publiquei separada, num outro livro de 1999. Agora ela tinha que se adequar ao estilo também das outras histórias do livro. E necessariamente seriam menores do que no livro anterior.



(ilustração de Celso Sisto para o conto "A noiva do diabo", do livro CRUZ-CREDO!, de sua autoria)



Na terceira história, foi muito bom investir na expressão dos personagens e nos movimentos que designam ação. Talvez seja a história em que maior carga dramática aparece na expressão dos personagens. Foi a história mais difícil de fazer!





(ilustração de Celso Sisto para o conto "O estranho cavaleiro", do livro Cruz-Credo!)


E na quarta e última história do livro, brinco mais com a visão espacial.

(ilustração de Celso Sisto para o conto "A procissão noturna", do livro Cruz-Credo!, de sua autoria)

Foi uma delícia fazer esse livro, e depois de concluído vejo que as histórias têm bastante espaço externo e estão mais detalhadas, em termos de desenho. Curioso, pra mim, perceber, que tenho aprendido muito em relação ao desenho, uma vez que minha preocupação sempre foi mais com a parte plástica!

Para este livro, no total foram 33 ilustrações, mais a capa. A primeira história tem 6 ilustrações, a segunda, 8, a terceira, 11 e a quarta, 8. Ufa!

Foi, certamente, um exercício engrandecedor! Espero que a impressão seja boa também! Todo ilustrador sabe que, dependendo do tratamento dado ao material, a impressão pode se distanciar, e muito, dos originais!


É esperar pra ver! E torcer!

Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

CONTANDO HISTÓRIAS NA FEIRA DO LIVRO DE IMBÉ

Foi a IV Feira do livro da cidade de Imbé. O local da feira é bem gostoso, de frente para o mar. Estiveram por lá vários escritores amigos meus: Mário Pirata, Carlos Urbim, Fabrício Carpinejar. A feira, que começou na sexta-feira, dia 1 de fevereiro, portanto, antes do Carnaval, seguiu até o final de semana após as folias momescas! E me parece que o público, apesar do Carnaval (ou quem sabe, porque era Carnaval?) esteve presente em bom número.
No dia da minha participação (7 de fevereiro de 2008) também fui à TV COM dar uma entrevista ao vivo. O studio da TV, montado na praia de Capão da Canoa é muito agradável, de vidro e com uma visão muito legal do mar. Fui entrevistado pela apresentadora Simone, do Programa de Verão. A entrevista foi muito agradável e eu me senti bastante a vontade! Se alguém quiser conferir a entrevista, é possível, acessando o site : clicrbs.com.br, em seguida ir clicando em: verão 2008, vídeos, últimos 7 dias, Programa de Verão da TV COM.
Mas emocionante mesmo é estar de frente para o público, ali na feira, uma mistura saudável de adultos e crianças. Fui falando um pouco da minha produção literária, relacionando com a minha história de leitor e "costurando" com histórias de ficção, que contei para o público presente. As histórias narradas por mim neste dia foram: A bruxa Salomé (Audrey Wood); A história do nabo (conto popular russo); Dedo Mindinho (Ana Maria Machado) e Maria Angula (conto popular do Equador). As crianças curtiram, os adultos reviveram a infância e eu, certamente, curti muito mais do que todo mundo.
Saiu na Zero Hora do dia 12 de fevereiro de 2008, na página 9 (Coluna: "Pelo Rio Grande"), uma foto do trabalho e um pequeno texto falando da Feira. Quem quiser conferir, está aí abaixo.

Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

APROVAÇÃO NA SELEÇÃO PARA O DOUTORADO

Meu presente de Natal de 2007 foi minha aprovação na seleção para cursar o Doutorado na PUC do Rio Grande do Sul. Depois de meses de preparação, redação de projeto de tese, procura de orientador, prova de proficiência em duas línguas estrangeiras, etc., a gente só sossega mesmo quando sai o resultado.
O doutorado da PUC-RS, em Teoria da Literatura tem 10 vagas e eu fui aprovado em primeiro lugar. Nem preciso dizer que estou radiante!
Meu projeto de tese se propõe a estudar os contos populares africanos, publicados no Brasil como literatura infantil. São 4 anos pela frente para viabilizar a pesquisa. Mas, para mim essa pesquisa já começou a muito tempo. Aliás, ela se formalizou mesmo com a publicação do meu livro MÃE ÁFRICA (Paulus, 2007), que de certo modo, me mostrou um rico caminho a desbravar.

Domingo, 3 de Fevereiro de 2008

ENTREVISTA PARA REVISTA LIVRARIA CULTURA




(Fabrício na Jornada Literária de Passo Fundo, 2007)



Nesta semana, meu amigo Fabrício Carpinejar me mandou um e-mail dizendo que estava fazendo uma matéria para a revista da Livraria Cultura, cujo título era "Toda criança é poeta" e umas perguntinhas para eu responder... Não sei se o que eu disse vai sair na matéria, porque afinal, minhas respostas contrariam um pouco a afirmação do título. De qualquer forma, coloco aqui a entrevista.Eu contando histórias numa palestra em Curitiba
(2007)

Em teu trabalho de contação das histórias, é mais difícil a recepção do público adulto ou o infantil? Por quê?

O público adulto camufla mais! Demora mais para dar sinais de agrado ou desagrado. No público infantil esses sinais são quase que imediatos. O público adulto é mais tolerante ao meio termo, ao mais ou menos, à falta de carisma ou baixa qualidade de um contador de histórias. O infantil é mais sincero, mais barulhento e mais intenso! Portanto, as crianças recebem melhor uma história. Mas ainda assim, elas precisam estar familiarizadas com o exercício do ouvir histórias oralmente, do contrário isso pode ser caótico!

Em "Emburrado", trabalha com poemas. A fixação das imagens por rimas aumenta a contundência dos personagens? As crianças recebem melhor? As rimas carregam o estigma adulto de que não são naturais, mas as crianças não entendem diferente, como uma forma mais espontânea da fala?

A fixação das imagens por rimas aumenta a musicalidade, se apega mais facilmente à memória do público infantil e até provoca mais graça neles. Não é o único caminho para a poesia infantil, mas é uma caminho mais rápido, eu diria. Isso não quer dizer mais fácil nem menos elaborado. É mais fácil da criança perceber o poético na rima, porque ela percebe ali um trabalho de linguagem, diferente por exemplo, da fala cotidiana. Ao mesmo tempo que ela percebe a diferença, ela percebe o lúdico, a brincadeira, e sente prazer nisso! Elas entendem muito bem esse falar-brincando que a rima é e provoca!

Criança é poeta naturalmente? Como ela pode ser incentivada a permanecer poeta ?

Não acredito nisso! Não tão gratuitamente. Criança tem o olhar aberto para o poético na medida em que ela tem o olhar estimulado para a fantasia e para o brincar. Mas precisa ser incentivada a brincar com a língua através de muitos jogos de palavras: ditados populares, cantigas de todo tipo (de roda, de ninar, etc), parlendas, quadrinhas, histórias em forma de poema (como eram as fábulas em seus primórdios, heim?!), os poemas em si. Também ajuda viver num ambiente onde impere a poesia, ter tido liberdade para olhar o mundo de forma detida (ainda que seu tempo de concentração seja diferente do tempo do adulto), demorada e com minúcia. Afinal, criança é poeta quando em seus achados cotidianos, descobre um ângulo diferente para ver as coisas, e para expressá-las verbalmente. Normalmente a poesia de humor ou a mais inventiva possível em termos de figuras, seres, palavras, fazem mais sucesso entre as crianças.

Que livro você gostaria de ser?

Apesar de não ser explicitamente poesia, é pra mim o livro mais poético do mundo: O PEQUENO PRÍNCIPE.

Lembra de algum diálogo encantador e poético com um pequeno leitor?

Um dia, numa dessas visitas que a gente faz a escolas, quando adotam algum livro da gente, um menino me perguntou se eu gostava de ser assim, homem-criança e poeta. Eu disse que homem-criança eu ia ser a vida toda, já poeta eu poderia deixar de ser, se me faltassem as histórias e o contato com as crianças, com a fantasia, com as brincadeiras, se eu ficasse com as veias entupidas e deixasse de sentir as coisas. Aí ele me disse que se eu quisesse ser criança pra sempre eu deveria inventar um Celso de vários tamamanhos, assim quando um começasse a se gastar, entrava outro Celso mais novo no seu lugar, sem nada entupido. Um Celso que não se acabasse mais! Não é poético isso?

Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

UM PANORAMA DAS MINHAS ILUSTRAÇÕES


Ilustração de Celso Sisto para o conto, de sua autoria, "Tudo outra vez", do livro "Diferentes heróis, diferentes caminhos", a ser editado pela ONG LEIA BRASIL, em 2008. O conto é uma releitura de O soldadinho de chumbo, de Hans Christian Andersen.










Veja a capa do livro





Ilustrar tem sido uma experiência mágica na minha vida de escritor! Tudo começou quando minha amiga Lúcia Jurema, na época responsável pela editoria infantil e juvenil da editora Nova Fronteira, comentou, displicentemente, que muitos ilustradores viravam escritores e que o contrário nunca acontecia. Foi o bastante! Para contrariar essa constatação, me lancei na árdua tarefa de ilustrar meu primeiro trabalho, que na verdade era o meu 13º livro: Francisco Gabiroba Tabajara Tupã (editora EDC, Rio de Janeiro, 1999). A repercussão foi grande e acabei ganhando, naquele ano, o prêmio de ilustrador revelação, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, e o livro ainda foi indicado para o Jabuti e ficou entre os 10 finalistas, na categoria ilustração de livro infantil ou juvenil.

Estava, então, lançada a minha carreira de ilustrador. De lá pra cá ilustrei outros livros meus: "A noiva do diabo" (Chapecó (SC), editora Grifos, 2000), "Vó que faz poema" (Belo Horizonte, editora Santa Clara, 2000); "Ora, pitombas!" (Porto Alegre, WS, 2005); "Angelina" (São Paulo, Larousse, 2006); "Lebre que é lebre não mia" (São Paulo, Larousse, 2007); "Mãe África" (São Paulo, Paulus, 2007) e "Cavaleiro andante" (São Paulo, Paulus, 2007).




Confira as capas





SISTO, Celso. Francisco Gabiroba Tabajara Tupã. Il. do autor. Rio de Janeiro. EDC, 1999. 24 p.


SISTO, Celso. Vó que faz poema. Il. do autor. Belo Horizonte, Santa Clara, 2000. 28p.





SISTO, Celso. A noiva do diabo. Il. do autor. Chapecó-SC, Grifos, 2000. 24p.



SISTO, Celso. Ora, pitombas! Il. do autor. Porto Alegre, WS, 2005. 80 p.






SISTO, Celso. Angelina. Il. do autor. São Paulo, Larousse do Brasil, 2006. 32 p.






SISTO, Celso. Lebre que é lebre não mia. Il. do autor. São Paulo, Larousse, 2007. 40 p.



SISTO, Celso. Mãe África: mitos, lendas, fábulas e contos. Il. do autor. São Paulo, Paulus, 2007. 144 p.

SISTO, Celso. Cavaleiro andante (livro de imagem). Il. do autor. São Paulo, Paulus, 2007. 32 p.




Adoro ilustrar! Mas como sou muito inquieto, não posso dizer que tenha um estilo pessoal, pois acredito que o texto tem que me conduzir à técnica e ao estilo ou linguagem plástica que vou desenvolver naquele trabalho. Tenho horror de pensar que alguém possa olhar para um livro meu e dizer que tudo que eu faço é igual. Não quero ser identificado assim! Cada texto demanda uma abordagem específica e isso me instiga: pensar como vou desenvolver aquelas imagens, que materiais vou usar, com que técnicas vou trabalhar. Isso é lúdico e funciona como um grande jogo, uma brincadeira bem prazerosa! Outra coisa que costumo dizer para as pessoas: não tenho a menor obrigação de fazer um desenho cópia da realidade, não sou fotógrafo! Posso inventar as coisas do jeito que quiser, deformar as figuras, modificar as cores, tudo é criação e invenção. Mas adoro misturar técnicas e materiais, apostar nas texturas, colagens, modificar uma imagem (sem uso da computação gráfica, claro! pois faço tudo direto no papel!). Mas não sou um ilustrador rápido. Preciso de tempo!




Quer ter uma idéia do meu trabalho como ilustrador, além das capas que você ja viu? Aí vão algumas imagens!


Ilustração de Celso Sisto para o livro Francisco Gabiroba Tabajara Tupã (EDC, 1999)



Ilustração de Celso Sisto para o livro Vó que faz poema (Santa Clara, 2000)


Ilustração de Celso Sisto para o livro A noiva do diabo (Grifos, 2000)





Ilustração de Celso Sisto para o livro Ora, pitombas! (WS, 2005)







Ilustração de Celso Sisto para o livro Angelina (Larousse, 2006)




Detalhe de ilustração de Celso Sisto para o livro Lebre que é lebre não mia (Larousse, 2007)


Ilustração de Celso Sisto para o livro Lebre que é lebre não mia (Larousse, 2007)

Ilustração de Celso Sisto para o livro Mãe África (Paulus, 2007)




Ilustração de Celso Sisto para o livro Mãe África (Paulus, 2007)



Ilustração de Celso Sisto para o livro Mãe África (Paulus, 2007)




Ilustração de Celso Sisto para o livro Cavaleiro andante (Paulus, 2007)

Também, paralelo ao exercício de ilustrar livros, tenho ilustrado alguns cartazes. É outro trabalho com imagens do qual gosto muitíssimo. No ano de 2001 fui convidado por Ernesto Rodriguez Abad (diretor artístico do festival) para fazer o cartaz do Festival de Narração Oral de Los Silos, Ilhas Canárias. Em seguida fiz o cartaz do Projeto Baú de Histórias, para o Sesc de Santa Catarina (2004) e novamente fui convidado para fazer o cartaz das comemorações dos 10 anos do Festival de Narração Oral de Los Silos (2005). Todos esses trabalhos são, de verdade, um grande presente!




Veja os cartazes

Cartaz Los Silos 2001



Detalhe de cartaz Los Silos 2005

Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

AGENDA FEVEREIRO 2008

7- Estarei contando histórias na feira do livro de Imbé (litoral norte, RS), às 20 horas

28- Estarei dando um palestra em Maquiné (RS), na abertura do ano letivo, sobre A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS, de 9 às 12 horas

ATUALIZANDO RELAÇÃO DE LIVROS QUE PUBLIQUEI ATÉ HOJE...

SISTO, Celso. Ver-de-ver-meu-pai. Il. de Roger Mello. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1994. 24p.

__________. Assim é fogo! Il. de Ivan Zigg. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1995. 32p.

__________. Beijo de sol. Il. de Marilda Castanha. Rio de Janeiro, Ediouro, 1995. 16p.

__________. Mas eu não sou lobisomem! Il. de Denise Rochael. Belo Horizonte, Lê, 1996. 24p.

__________. O dono da voz. Il. de Mariana Massarani. Belo Horizonte, Dimensão, 1997. 24p.

__________. O encantador de serpentes. Il. de Nelson Cruz. Belo Horizonte, Dimensão, 1997. 32p.

__________. Porque na casa não tinha chão. Il. de Lula. Belo Horizonte, Dimensão, 1997. 24p.

__________. O pequeno cantador. Il. de Roger Mello. Belo Horizonte, Dimensão, 1997. 32p.

__________. Quase que nem em flor. Il. de Graça Lima. Belo Horizonte, Dimensão, 1997. 32p.

__________. Enquanto eles dormem. Il. de Graça Lima. Belo Horizonte, Dimensão, 1997. 32p.

__________. Amor meu grande amor. Il. de Marcelo Martins e Teresa Cristina Amiran. Curitiba, Módulo, 1998. 32p.

__________. Anjo de papel. Il. de Graça Lima. Curitiba, Módulo, 1998. 24p.

__________. Francisco Gabiroba Tabajara Tupã. Il. do autor. Rio de Janeiro. EDC, 1999. 24 p.

__________. A noiva do diabo. Il. do autor. Chapecó-SC, Grifos, 2000. 24p.

__________. Vó que faz poema. Il. do autor. Belo Horizonte, Santa Clara, 2000. 28p.

__________. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias. Chapecó-SC, Argos, 2001. 138p.

__________. Ora, pitombas! Il. do autor. Porto Alegre, WS, 2005. 80 p.

__________. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias (2ª edição revista e ampliada). Curitiba, Positivo, 2005. 144 p.

__________. Emburrado! Il. de Suppa. São Paulo, Paulus, 2005. 32p.

__________. O cocô do cavalo do bandido. Il. André Neves. Porto Alegre, WS, 2005. 184p.

__________. Eles que não se amavam. Il André Neves. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2005. 32 p.

__________. Angelina. Il. do autor. São Paulo, Larousse do Brasil, 2006. 32 p.


__________. Ururau, praga e pica-pau. Il. Graça Lima. São Paulo, Scipione, 2006.
48 p.

__________. Lebre que é lebre não mia. Il. do autor. São Paulo, Larousse, 2007. 40 p.

__________. Mundaréu. Il. Rosinha Campos. São Paulo, Paulus, 2007. 32 p.

__________. Mãe África: mitos, lendas, fábulas e contos. Il. do autor. São Paulo, Paulus, 2007. 144 p.

__________. Cavaleiro andante (livro de imagem). Il. do autor. São Paulo, Paulus, 2007. 32 p.

SISTO, Celso & CINETTO, Liliana. Histórias das terras daqui e de lá: humor. Il. de Andréia Resende. Rio de Janeiro, Zeus, 2007. 32 p.

AINDA MAIS UM LIVRO NOVO!

SISTO, Celso. Cavaleiro andante (livro de imagem). Ilustrações do autor. São Paulo, Paulus, 2007. 32 p.


O ano de 2007 foi fantástico na minha produção literária. No apagar das luzes, ainda saiu o meu primeiro livro de imagens. Um desafio e tanto para mim! Contar uma história só através das imagens, sem nada de texto escrito. A história vai se fazendo pela sequenciação das imagens. O leitor tem que ser muito atento, observar todos os detalhes, e ir criando o texto da história, na sua cabeça (ou verbalmente, ou por escrito, depende do leitor!). Por isso, as imagens precisam ser um pouco descritivas também!

Neste livro optei por usar um tratamento realista (embora esse realismo gere muita fantasia) e tintas aquareladas (não ouso dizer que trabalhei com aquarela!). Ficou curioso?


Vou contar um pouco da história:


O livro conta a história de um menino entediado, num dia chuvoso, impossibilitado de sair de casa e do seu quarto! Ele inventa, no quarto, mil brincadeiras, faz barulho e muita bagunça. Sua brincadeira predileta é cavalgar e viver aventuras diversas, montado em seu cavalo. Quando a confusão aumenta, a mãe aparece e manda ele arrumar o quarto. Na arrumação ele descobre um brinquedo esquecido, seu velho cavalo-de-pau. Nova brincadeira começa e ele extrapola os limites do quarto, imaginariamente, e encontra-se com Dom Quixote e Sancho Pança. A mãe volta e confisca o cavalo-de-pau. Mas agora ele descobre uma vassoura, que vira cavalo também. Desta vez ele se encontra com o Rei Arthur e seus cavaleiros. A mãe aparece com o pai e confisca a vassoura. Agora ele descobre um espanador e volta a ter o seu cavalo. Desta vez salva Rapunzel, e em meio a euforia da diversão, quebra o vidro da janela do quarto, abre a porta e se extende pelos limites da casa, quebrando algumas coisas no caminho. Desta vez aparece a família inteira: pai, mãe, avós e irmãos. Condenado a ir brincar fora de casa, mesmo sendo noite, o menino sobe num alazão e vai pelo mundo afora!


Foi esta a história que eu quis contar no livro, mas evidentemente não é a única história possível, e o leitor pode criar e (ler) muitas outras!


Para criar as imagens trabalhei basicamente com aquarelas e tintas bem aguadas, usando uma caneta preta, de ponta bem fina, para contornar os desenhos!



O que eu mais gosto no livro é a cara de satisfação do menino quando vive suas aventuras, e dos 3 personagens que o acompanham em tudo: um cachorro, um gato e uma salamandra.

MAIS UM OUTRO LIVRO NOVO!

Desta vez participo de uma coleção. São 4 volumes na coleção, chamada HISTÓRIAS DAS TERRAS DAQUI E DE LÁ. Isso quer dizer que em cada livro há um tema específico, e em cada livro há 2 autores, um brasileiro e outro estrangeiro. Eu tive a sorte e o privilégio de fazer o volume de histórias de humor, junto com minha amiga argentina, Liliana Cinetto. Na verdade, cada um reconta uma história popular do seu país ou de sua preferência. Minha história se chama "Os três irmãos" e é muito engraçada. Esses três irmãos (Perna Fina, Barriga Grande e Boca Pequena) estão sempre aprontando, sempre botando a culpa um no outro e sempre sendo castigados pelas "artes", seja pela mãe ou pelo "universo. Liliana conta a história "A raposa e o tigre", em que o tigre arma um plano que considerava infalível para se vingar da raposa, que sempre o enganava e fazia de bobo. Para quem quiser conferir aí vai a capa:


SISTO, Celso & CINETTO, Liliana. Histórias das terras daqui e de lá: humor. Ilustrações Andréia Resende. Rio de Janeiro, Zeus, 2007. 32 p.

Os outros volumes da coleção tem os seguintes autores e temas:

volume 1 - AMOR - Lúcia Fidalgo (Brasil) & Mohammed Hammú (Marrocos)

volume 2 - FOLCLORE - Eliana Yunes (Brasil) & Amalia Lú Posso Figueroa (Colômbia)

volume 4 - MEDO - Benita Prieto (Brasil) & Ernesto Abad (Espanha)

Vale conferir!!!!

Ah! Um detalhe técnico: o livro é distribuído pela Editora Nova Fronteira!

OUTRO LIVRO NOVO!

No mês de dezembro, antes que o ano fechasse suas portas, saiu outro livro meu. Eu estava na maior expectativa por esse livro. O livro é resultado de uma pesquisa longa. São 29 contos africanos, das mais variadas etnias, recontados por mim. As ilustrações também exigiram um tempo enorme! Trabalhei com desenhos que são padrões de tecidos, e procurei usar desenhos e cores próprias da etnia a qual está ligada cada história. Esses desenhos funcionam como moldura na ilustração, e na parte central de cada ilustração, usei desenhos em preto e branco e preenchi, quase sempre, um dos personagens com desenhos de símbolos também africanos. Fiquei bastante feliz com a qualidade do livro. O livro é de capa dura e faz parte de uma coleção da editora Paulus.

Confira a capa

SISTO, Celso. Mãe África: mitos, lendas, fábulas e contos. Il. do autor. São Paulo, Paulus, 2007. 143 p. R$ 42, 00

Na Introdução do livro eu explico um pouco mais:

Chegar aos textos que compõem esta coletânea foi um trabalho longo e árduo. Há muito tempo venho reunindo contos populares africanos por uma série de motivos: minha paixão pelos contos populares e pela cultura popular; meu interesse e curiosidade por histórias que vêm de todos os lugares possíveis. Isso sem falar na musicalidade das histórias, na beleza dos nomes dos personagens, na estética e ética, muitas vezes incomuns para nós sul-americanos, motivos sempre encantadores e encantatórios!
Todas as histórias aqui são recontos! Isso quer dizer que as reescrevi a partir de uma base, ou seja, a partir de um outro texto escrito ou oral. Não inventei nada, apenas vou contando as histórias do meu jeito. Portanto, essas histórias são heranças do tempo e patrimônio de todos. E estão aqui para fazerem parte, de agora em diante, e para sempre, do imaginário do leitor, como já fazem do meu!
Fazer uma coletânea implica em fazer escolhas. E por isso acabamos deparando-nos também com nossas preferências pessoais. Isso é inevitável!
Também me chama a atenção a intercomunicação das histórias. Explico: às vezes, numa história que sabemos vinda de longe, com nomes de personagens diferentes, com outro jeito de contar, com episódios nunca antes imaginados, há, na sua essência, alguma coisa que nos é familiar. Essa sensação é gostosa! É a identidade na diversidade!
Então, apesar de a “cor local”, diversidade de contextos culturais, crenças, hábitos, organização social etc. estarem por trás das histórias, elas se assemelham, se intercomunicam, fazem eco com outras tantas histórias espalhadas pelo mundo. E essa “rede” de histórias me fascina!
Um dos critérios que usei para escolher as histórias que iam estar no livro foi o da diversidade. Eu queria aqui histórias das variadas etnias que formam o continente africano. São muitas, são milhares! Na verdade, são muitas Áfricas!
Outro critério foi tentar privilegiar histórias que eu sabia que não estavam publicadas em português. Esse foi, na verdade, um critério de grande peso para mim.
Mas o principal critério foi a beleza. E aqui poderíamos passar horas: beleza da maneira como determinado assunto vira história; beleza que se esconde na sucessão das soluções mágicas encontradas pelo povo para resolver determinados dramas; beleza na maneira de explicar para o outro uma atitude inesperada; beleza para falar das coisas que se aninham no coração.
As histórias aparecem no sumário do livro com estas indicações: ou da etnia a que pertencem, ou do país ou países de onde vieram, ou da região geográfica em que estão inseridas. Em alguns casos foi possível mencionar tudo: etnia, país e região.
O livro, então é uma coletânea de 29 histórias, para usar uma denominação geral. Mas bem se sabe que aqui estão mitos, lendas, fábulas e contos propriamente ditos.
Tive que deixar de lado, para um próximo trabalho, tantas outras histórias maravilhosas. Certamente, o material coletado propiciará a continuidade deste estudo e publicações.
Por hora, espero que o leitor se delicie com esta festa de cores, sabores, nomes, fatos, feitos e fantasia! Eu não me canso nunca de reviver tudo isso, cada vez que leio estas histórias.
Celso Sisto

MENSAGEM DE NATAL

Todo ano tenho mania de escrever uma mensagem de Natal, como se fosse um cartão, e enviá-la para todos os meus amigos. Agora, no final de 2007, escrevi um poema, e como de costume, mandei para toda a minha lista de amigos. Recebi "milhões" de retornos, comentários, agradecimentos, parabéns, etc. por causa do poema. Então, resolvi colocá-lo aqui no meu blog.


AVISO NO CÉU
Celso Sisto


A estrela era cadente,
candente,
tremente,
sei lá!
Muito quente, talvez,
para retê-la nas mãos!

Eu juro!

Trazia luz para o mundo!
Um muro?
E eu mudo?

Mudo sim!

Transfiro toda a escuridão
do mundo para um tempo
de sub-mundos, esse tempo
em que os homens rastejavam,
e na irracionalidade,
também matavam uns aos outros,
fosse em quedas de aviões e vôos arriscados,
em usurpações do patrimônio,
público e privado,
em privações de comida e afeto,
em dilapidações do fatal diamante:
a alma!

Fecho para sempre a porta da caverna.
Que fiquem ali esquecidos dos arqueólogos,
os resquícios da guerra urbana, da miséria humana.
E enterrados os monstros e fantasmas
que arrastam correntes e crianças
pelas ruas ásperas da nossa era.

Mas deixarei aberto o estábulo.
Mesmo que eu quisesse fechá-lo,
seria impossível,
pois não há porta que tranque
dois mil e tantos anos de nascimento.

Que se renova! E se renova!
E brinca no céu,
como uma nova fase da lua!


Talvez existam olhos,
para documentar o milagre!

Mas, espere!
Acorrem animais de todos os cantos!
Talvez nessa hora nosso lado obscuro
Pudesse tirar vantagem do parentesco
Com os bichos!

Anjos, música, presentes, magos -
Tudo o que é iluminado,
foi tocado, de algum modo,
por uma fagulha de vida!

Essa, que se multiplique,
que se espalhe no ar,
e atravesse o portal
de mármore do ter
e se incendeie na manjedoura
do ser.


Que 2007 cumpra seu destino, acordando afetos!
Que 2008 seja um verdadeiro banquete de dignidade!
Que possamos olhar ao redor e reconhecer as pessoas

COLUNA DE CRÍTICA LITERÁRIA REVISTA MIA JAN-FEV 2008



REVISTA RAINHA DOS APÓSTOLOS, ANO 84/Nº 996/ JANEIRO E FEVEREIRO DE 2008






LUGAR NA PRATELEIRA

Celso Sisto*

Este espaço é para falar de livros infantis e juvenis. Bons livros, claro. Livros que se destacam tanto pelo texto quanto pelas ilustrações e, que, por isso mesmo, podem e devem fazer parte da biblioteca dos pequenos e jovens leitores. Vale pedir o livro de presente para os pais, para os avós, para os padrinhos, para o professor ou para a biblioteca da escola! E vale acompanhar também, a cada mês as dicas desta coluna, para formar a sua própria biblioteca de livros altamente recomendáveis!



LAGO, Angela. Um ano novo danado de bom (2ª ed.). Il. da autora. São Paulo, Moderna, 2006. 40 p. R$ 22,00

PARA VIVER UM NOVO ANO

Um ano acaba e outro começa. A festa e os foguetes são para capturar a sorte enquanto se pensa no que passou, se adquire força para o que virá e se cultiva a esperança. Repetir, fazer diferente, tentar outra vez: ano novo pede tudo isso!
E que tal começar o ano lendo este livro?
Num tempo distante, um homem branco compra no porto 4 escravas irmãs, para trabalharem para ele. No caminho da casa do patrão as moças fogem, deixam para trás a menorzinha, que é ainda bebê, e, de remorso, são transformadas em pássaro, árvore e rio. O homem chega ao lar sem as escravas fujonas, mas com ricos presentes para a esposa e os filhos: uma pena vermelha, uma laranja de ouro e um peixe de prata, além, é claro, da pequena escrava para ser criada pela família. O tempo, que voa, cria aventuras, revela o passado mágico das meninas e traz bons motivos para festejar!
A autora, de forma fantasiosa e poética, reprova a escravidão e toca no passado histórico do Brasil. Como um conto de fadas, daqueles com transformações, objetos mágicos e final feliz, o livro usa uma linguagem quase que cotidiana, e de forma enxuta e rápida desenvolve aventuras extraordinárias para desafiar a realidade.
As ilustrações, feitas em computador, revelam o domínio dessa ferramenta e ganham um jeito mais suave, menos duro e certinho! As imagens, quase miniaturas, dão um toque delicado às reviravoltas vividas pelas escravas.
Ângela Lago é autora e ilustradora super-premiada. Sua obra traz embutido o desejo de fazer de novo e melhor! Essa inquietação estimula novos trabalhos, sempre de alta qualidade. E tem tudo a ver com quem quer começar o ano desafiando a si mesmo! Faça diferente você também!


* Celso Sisto é escritor, ilustrador, contador de histórias do grupo Morandubetá (RJ), ator, arte-educador, especialista em literatura infantil e juvenil, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e responsável pela formação de inúmeros grupos de contadores de histórias espalhados pelo país.


NOVAMENTE COLUNA DE CRÍTICA LITERÁRIA

LUGAR NA PRATELEIRA

Celso Sisto*

Este espaço é para falar de livros infantis e juvenis. Bons livros, claro. Livros que se destacam tanto pelo texto quanto pelas ilustrações e, que, por isso mesmo, podem e devem fazer parte da biblioteca dos pequenos e jovens leitores. Vale pedir o livro de presente para os pais, para os avós, para os padrinhos, para o professor ou para a biblioteca da escola! E vale acompanhar também, a cada mês as dicas desta coluna, para formar a sua própria biblioteca de livros altamente recomendáveis!



FIGUEYRA, Cláudia. Três reis magros. Il. de Denise Nascimento. São Paulo, Paulinas, 1998. 24 p. R$ 13,00

UM NATAL ATUALIZADO

Vem chegando o fim do ano e um monte de coisas começam a rondar a nossa cabeça: férias, Natal, Ano Novo. As pessoas ficam mais sensíveis, mais amorosas talvez, mais preocupadas com as diferenças sociais! As festas e os fatos se repetem, um ciclo se fecha, outro se abre, e nós somos levados a parar para pensar.
Três reis-meninos, descalços, magros e pouco alimentados, numa noite de tempestade e falta de luz, vêm pela cidade à procura do menino que nasceu. Encontram-no debaixo de uma marquise, protegido pelo pai e pela mãe e admirado por um gato e um cachorro. Só ali havia luz. Os três reis magros entregam seus presentes pro menino: paciência, esperteza e alegria; e se vão, por outros caminhos...
A história é inspirada no nascimento do menino Jesus. Mas o presépio é substituído pela marquise, o campo trocado por uma cidade grande, os reis magos viram meninos de rua e os presentes não são mais ouro, incenso e mirra! São coisas de que o menino irá precisar para se virar na vida! Tudo, tudo apontando para um futuro incerto.
O livro usa linguagem poética e pouquíssimo texto para contar a velha-nova história. A pobreza e o abandono são denunciados, mas com leveza, conquistada pelas frases curtas, pela escolha das palavras e pelo clima de festa e alegria, da canção Maracangalha, de Dorival Caymmi.
As cores fortes, os fundos aquarelados, e as manchas cinzas e azuis iluminam a travessia das crianças pela noite escura, embalada pela desproporção, o alongamento das figuras e os cortes.
O texto ganhou prêmio especial do júri, em 1996, na categoria contos infantis, da União Brasileira de Escritores (Prêmio Adolfo Aizen).
Falar sério brincando é o grande jogo desta história!

* Celso Sisto é escritor, ilustrador, contador de histórias do grupo Morandubetá (RJ), ator, arte-educador, especialista em literatura infantil e juvenil, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e responsável pela formação de inúmeros grupos de contadores de histórias espalhados pelo país.

COLUNA DE CRÍTICA LITERÁRIA

Todo mês escrevo uma pequena resenha sobre uma obra de literatura infantil. Adoro comentar sobre os bons livros, livros bonitos, criativos, verdadeiros objetos de arte. É claro que não vou perder tempo falando de livros ruins. E evidentemente só vou divulgar literatura de alto nível.


Minha coluna literária chama-se LUGAR NA PRATELEIRA e sai todo mês na revista MIA, que é um encarte direcionado ao público infantil (e seus pais ou responsáveis!) da revista RAINHA DOS APÓSTOLOS.


Esta revista é uma publicação mensal da Sociedade Vicente Pallotti/ Província N.Sra. Conquistadora/Padres e Irmãos Palotinos. O diretor da revista é o Pe. Romeu Ullrich. O projeto gráfico da revista é de Mirian Raquel Fachinetto Cunha.


Apesar de ser uma revista de uma sociedade religiosa, a revista não é exclusivamente sobre assuntos religiosos, pelo contrário, é bem eclética e tem matérias muito legais. Quem não conhece a publicação, vale a pena conhecer.


Abaixo vai a minha coluna do mês de Dezembro/2007.

Terça-feira, 7 de Agosto de 2007

NOITE DE GALA PARA OS LIVROS




Era um salão comunitário, numa localidade situada no pé da Serra. O dia, 20 de julho de 2007. O nome, Walachai, que em alemão antigo significa “lugar distante, onde o tempo parou” já dando o toque da diferença. Estava marcado para as 19 e 30... mas, como era uma sexta-feira, dia complicado para os trabalhadores que ainda iam chegar em casa, aprontar tudo e sair para assistir a apresentação dos filhos, o público tardou um pouco a chegar. As organizadoras, por instantes, tiveram medo que o público fosse pequeno para testemunhar o brilho das crianças e da literatura.
A decoração, feita com esmero, reproduzia um enorme arco-íris saindo – ou entrando - em um pote de ouro (vai saber!). Mas no lugar das moedas e pedras preciosas, livros! Esse era o verdadeiro tesouro escondido no fundo e também na superfície daquele pote: livros! Nesta ocasião, livros do escritor Celso Sisto.
Palco, aparelhagem de som, microfones, um burburinho, um frisson, um zum-zum-zum de euforia e apreensão de quem quer fazer bonito e dar o seu melhor!
Os narradores – o sol e a chuva – iam chamando cada um dos números, todos eles baseados em obras do referido escritor, apresentadas por turmas da escola Rui Barbosa, do jardim à 8ª série. Algumas leituras livres, algumas adaptações, alguns desdobramentos das obras, algumas reproduções do conteúdo dos livros, e a festa estava instaurada, inaugurada, propagada! A alegria estava no ar: pais contentes, crianças felizes de partilharem com os outros suas experiências literárias!
Nesta noite, a comunidade do Walachai tocou com as mãos a literatura, abriu o coração para fazer-se casa da palavra! Pura emoção!
E para o escritor homenageado, a certeza de que a literatura promove encontros, agrega, confraterniza. Mais do que qualquer vaidade por ter sido escolhido como o autor que deu origem aos trabalhos das crianças e jovens, o evento da escola Rui Barbosa fascina pela integração entre professores, pais, funcionários, amigos. Estavam todos envolvidos, em nome da promoção da leitura e da formação do leitor. Comovente mesmo ver tanta gente feliz, envolta apenas pelo universo tênue das palavras, compromissados na criação desta supra-realidade, a realidade suspensa da fantasia, do jogo, da ficção.
Inesquecível ver os professores como artistas, os alunos - pequenos profissionais da palavra – irradiando emoção para todos os lados.
Não faltou nada! Teve apresentação do grupo de contadores de histórias de Morro Reuter, que fez oficialmente sua estréia - (Carmem, Márcia, Kátia, etc.) Teve história contada pelo escritor/contador de histórias, e saboreada pelo público como um grande momento de humor e troca, seguida de sessão de autógrafos dos livros do escritor homenageado.
Apesar do frio que fazia lá fora, os corações ali dentro daquele salão comunitário estavam aquecidos pelo carinho, pela beleza, pela poesia e principalmente pela palavra poética! A comunidade do Walachai poderia muito bem reivindicar uma outra expressão para ser usada ao lado de seu nome, pois “de lugar distante e onde o tempo parou”, que está na raiz da palavra em alemão antigo, fica a vibração de um lugar secreto, especial, encravado no pé da serra, lugar próspero que a fantasia abençoou! Que mágica e corajosamente escolheu a literatura para ser ponte entre os homens de boa vontade! E onde se lê homem, leia-se direção, professores, pais, crianças, funcionários, famílias. Viva o Walachai! Viva a literatura!

Sexta-feira, 13 de Julho de 2007

DIA 20 DE JULHO EM MORRO REUTER (RS)



A escola Rui Barbosa, localizada no município de Morro Reuter, cidade da Serra Gaúcha, realiza, à cada ano, uma noite chamada NOITE DE CONTOS E REENCONTROS. Nesta data, especial e mágica, os alunos contam histórias, alunos de outras escolas se apresentam com números artísticos e há a participação de toda a comunidade escolar (pais, professores, alunos, funcionários da escola e da secretaria de educação). Cada ano eles escolhem um autor e trabalham previamente a obra deste autor homenageado e, por conta disto, os trabalhos dos alunos são em torno da obra do referido autor.


Este ano, sou eu o autor homenageado. Estou felicíssimo com a escolha, a homenagem, mas principalmente, com a oportunidade de conversar com os leitores dos meus livros!


Dia 20 de julho, às 19 horas, estarei lá!


Morro Reuter é uma cidade especial, para mim, a capital da Leitura!!!!! Acompanho o trabalho de promoção de leitura que os professores desenvolvem lá, há alguns anos, e posso garantir que há uma comunidade leitora das mais intensas e professores dos mais engajados no compromisso de promover a leitura, a literatura e formar leitores!


Viva Morro Reuter!


Aliás, você já viu o obelisco dos livros, na entrada da cidade? Fantástico! Grande homenagem aos livros e a uma terra de grandes leitores!


Domingo, 8 de Julho de 2007

LIVRO NOVO, NOVÍSSIMO!!!!!!!!!!!!!!!!!!



SISTO, Celso. Mundaréu. Il. Rosinha Campos. São Paulo, Paulus, 2007. 32 p.


Este é o meu 30º livro! Caramba! Já acho grande essa produção! Comecei a publicar em 1994, o que acaba dando uma média de 2 livros ao ano. Mas houve um hiato aí na minha produção e no período em que dei aulas na UNOESC-Chapecó e fiz Mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina, fiquei sem publicar nada! Isso aconteceu de 2000 a 2005. O que não quer dizer que fiquei sem escrever!
Mundaréu é um dos textos de uma pesquisa que me foi encomendada. Em 2001 meu amigo Ernesto Rodrigues Abad, diretor do festival de narração oral das Ilhas Canárias, em Los Silos, me pediu que escrevesse algumas lendas indígenas para uma publicação na Espanha, num livro que ele iria organizar e coordenar. Iam ser 5 contos meus, 5 dele e 5 contos da contadora de histórias e escritora argentina Liliane Cinetto. Os textos seriam publicados em espanhol.
Mas, a coleção acabou não saindo e eu fiquei com este material guardado.

A editora Paulus me pediu um texto para a coleção Mistura Brasileira e eu mandei este, que deu origem ao livro Mundaréu. Os outros contos da minha pesquisa vão estar num livro da editora Cortez, que se chamará VOZES DA FLORESTA.

Mundaréu é baseado em uma reunião de lendas dos indios Tikuna e conta a história de como os brancos chegaram a povoar o mundo... As ilustrações de Rosinha Campos dão um toque de classe ao livro, que na minha opinião ficou muito bonito. Confira!

Terça-feira, 3 de Julho de 2007

JORNADA INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO DA BAHIA

Desta vez vai ser a 7ª Jornada! Eu vou estar lá dando um curso, no dia 28 de julho de 13h30 às 17 h. No Centro de Convenções da Bahia, em Salvador.





Meu curso chama-se "A arte de contar histórias e sua importância no desenvolvimento infantil". E nele estarei trabalhando, de forma teórico-prática, os seguintes pontos:


- o contar história como elemento sedutor na formação do leitor criança;
- textos clássicos inesgotáveis;
- o lúdico como caminho
- critérios de seleção
Analisaremos coletivamente um texto teórico sobre o assunto; brincaremos com a história clássica do Chapeuzinho Vermelho; mudaremos o formato da história e tentaremos seduzir o público; criaremos atividades lúdicas a partir da história e construiremos coletivamente uma lista de critérios de seleção e escolha de obras para serem trabalhadas com nossos alunos. É bastante coisa, né? Espero que o tempo não nos traia e consigamos cumprir todo o programa que tracei para esta oficina. É sempre muito bom trabalhar em Salvador. O público é muito animado e há sempre uma energia muito estimulante e criativa envolvendo todos. Até lá!

FEIRA DO LIVRO DE BOLONHA

Todo ano a FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) prepara um catálogo de livros brasileiros para a Feira de Livros Infantis de Bolonha, que é apontada como uma das mais importantes do mundo, no gênero. Este ano é a 44ª edição da Feira. Na seleção (e no catálogo) para a Feira de 2007, segundo esta mesma instituição está o melhor da produção brasileira do ano anteriro (2006). A equipe que prepara o catálogo diz que "aposta na variedade e na qualidade dos artistas e editores dos livros brasileiros para crianças e jovens, que não medem esforços para produzirem esses objetos de arte, que, de algum modo, retratam a cultura brasileira".

É com grande emoção que encontro o meu livro "URURAU, PRAGA E PICA-PAU", da Editora Scipione, ilustrado por minha grande amiga Graça Lima no catálogo. É sempre emocionante saber que um livro brasileiro será mostrado fora do país. Além do catálogo, os livros vão juntos, para que o leitor, no caso, italiano, possa ver também o livro, que é exposto no stand brasileiro.




http://www.fnlij.org.br




Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

VIAGEM A CHAPECÓ


Esta semana, no dia 5 de julho de 2007 estarei contando histórias na Feira do Livro do Colégio Marista, em Chapecó. Também estarei conversando, com alunos e professores, sobre meus livros, meu processo de criação, meu trabalho como ilustrador, contador de histórias e promotor de leitura.

Esse contato direto com o público é fundamental para que possamos dimensionar os nossos livros. Ouvir o leitor é fundamental para nós escritores, que temos a oportunidade, dentre tantas coisas, de desmistificar a figura do escritor (Não vivemos em altas torres, isolados do mundo; não somos corcundas e não temos barbas que arrastam no chão!); de aprender sobre nossa própria obra, com os comentários dos alunos e de humanização da literatura, que com a presença do escritor, fica palpável e até cotidiana. Acho fundamental encontrar-me com os meus leitores. Sempre saio destes encontros cheio de idéias para novos textos, com vontade de estudar mais, de pesquisar mais e, sobretudo, de fazer melhor e atingir mais pessoas! Pra mim é um verdadeiro presente!

Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

PROGRAMA FOME DE LER



Saiu a relação de escolas do Programa de Leitura Fome de Ler.

Eu estarei nas seguintes Escolas:



E.M.E.F Capitão Garcia - Município de Sertão Santana

E.E.E.M Comendador Eduardo Secco - Município de Sertão Santana

EMEF D. Pedro II - Município de Barão do Triunfo

Terça-feira, 19 de Junho de 2007

MINHA OFICINA NA FUNDAÇÃO ECARTA PRÓXIMO SÁBADO 23/6




ACABA DE SAIR MEU NOVO LIVRO


SISTO, CELSO. Lebre que é lebre não mia. Ilustrações do autor. São Paulo, Larousse, 2007. 40 p.


SEGREDOS POR TRÁS DAS HISTÓRIAS

A África toda é um “mar de histórias”! São muitos povos, muitas culturas, muitas línguas, e claro, muitas coisas diferentes!
Eu, que adoro as histórias que as pessoas contam por aí, de boca em boca, de ouvido a ouvido, venho pesquisando muitas histórias africanas. Com isso, formei uma enorme coleção de mitos, lendas, contos e fábulas africanas.
Nestas narrativas, que são muito conhecidas na África Meridional, aparecem uma infinidade de histórias da lebre. Nelas, a lebre é ágil, esperta, e acaba conseguindo o que quer. É sempre uma vencedora, porque usa a inteligência, porque usa a astúcia! Aliás, dizem que o único animal capaz de vencer a lebre em esperteza é a tartaruga, que também é cheia de histórias na África!
Mas tenho de lembrar que, como se trata de outro continente, e como há uma grande mistura de culturas, nem sempre as histórias são parecidas com as que conhecemos ou como esperamos que sejam, não! A gente até pode estranhar a violência de algumas histórias africanas, mas não podemos esquecer que elas são frutos de um mundo natural, regido por forças que nem sempre conhecemos tão bem ou de perto! Não estamos dentro daquele universo e, por isso mesmo, vemos as coisas com outros olhos!
Selecionei algumas histórias e as reconto aqui, principalmente para me aproximar desse lépido animal, que foi sempre o meu preferido, desde a infância; depois, para proporcionar ao leitor brasileiro, o contato com histórias muito pouco conhecidas por aqui; e, por fim, para que a gente possa rir um pouco com as coisas que a lebre apronta!
A primeira história, “A lebre prepara a terra para plantar”, e a quarta, “O pedido da lebre ao grande gênio do bosque”, são da África Ocidental; a segunda, “A lebre e o fabuloso inkalimeva”, é uma história xhosa, do sul da África; a terceira história, “A lebre e o leão vão caçar”, é da Etiópia.
Diz o ditado popular: “Ao galgo mais lebreiro, foge a lebre em janeiro”. E, para dar nó na língua, podemos dizer também: “ Leve, lépida lebre ladina”. Mas, se quiséssemos, poderíamos também cantar, para lembrar que muitas vezes essas histórias estão inseridas em rituais com instrumentos, danças e músicas. Bom, para que ler seja sempre uma festa, mesmo que só lá no fundo da nossa imaginação a gente possa ouvir, ver e se embalar ao som dessas palavras: “Hem! yau! hem! yau! abala sem hala sem, hem! yau! hem! yau!”
[1]
Agora, deixo aqui um beijo miúdo pra todos, dividido ao meio, como biquinho de lebre, para se multiplicar!
E para terminar, podemos dizer, sempre ao final de cada história, como dizem muitas vezes os próprios narradores africanos: “Aí está meu conto, doce ou não, leve um pouco dele e deixe que o resto volte para mim”!

Celso Sisto


[1] Isso! Assim! Isso! Assim! Os homens fogem de mim, as mulheres fogem de mim. Isso! Assim! Isso! Assim! (Kabiye, Togo)

Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

DISTRIBUIDORES DOS MEUS LIVROS NO RIO GRANDE DO SUL

PAULO LIVROS
Paulo Roberto de Souza
Av. Panamericana, 287 – Parque da Matriz
CEP: 94950-330 – Cachoeirinha – RS
(51) 3469-2924
9135-7716

APRENDE BRASIL SUL DISTRIBUIDORA LIVROS LTDA
Cristiane Schell
Rua Ramiro Barcelos, 386 – floresta
CEP: 90035-000 Porto Alegre – RS
(51) 3312-1234
cris@aprendebrasilsul.com.br
contato@aprendebrasilsul.com.br
www.aprendebrasilsul.com.br

LUCINDA LIVROS
(51) 3402-0267
lucindalivros@bol.com.br

DOM QUIXOTE (só o meu livro da Scipione)
Contato: Sr. Valdir
(51) 3337-4686

LIVRARIA LEITURAS E GOSTOSURAS
Contato: Carla (Cachoeirinha)
(51) 3470-4760
9247-8304

DS LIVROS
Estância Velha
Contanto: Dilva Pacheco e Sergio Pieretti
(51) 3561-0259/9972-1225
dslivros@terra.com.br

CONTANDO A GENTE ACREDITA


CONTANDO A GENTE ACREDITA[1]


Celso Sisto[2]

Hoje não há mais a fogueira e o ritmo da noite aconchegando ouvintes em torno dos acontecimentos guardados na memória do narrador tradicional.
Hoje não há mais a música do tear entrelaçando as histórias que se contavam como cânticos de trabalho.
Também há a distância e o tempo empurrando os olhos para as imagens prontas e as palavras frouxas que não acendem a imaginação.
Com tudo isso, poder-se-ia dizer: contar histórias é uma arte sem lugar às portas do século XXI.
Mas, vamos experimentar convidar algumas pessoas. Sim, pessoas! Aquelas que ainda podem ouvir algo mais que suas próprias vozes e que são capazes de acolher palavras, no silêncio preenchido por uma pausa, um gesto, um olhar. Juntá-las em semicírculo e ficar bem próximo a elas - a distância necessária para que cada uma sinta-se única sem prescindir do grupo - e, então, deixar o olhar fitar o avesso e ir-se derramando, palavra por palavra, no córrego da emoção.
É esse o primeiro passo para acordar a imaginação.
Então contar de reis e rainhas, príncipes e princesas, gnomos e duendes, meninos e meninas, animais falantes e coisas de outro mundo e coisas desse mesmo mundo, só que contadas com jeito de quem viu ou viveu o que fala e repete a história com emoção renovada a cada vez. Sim, porque contar histórias depende muito também de quem ouve. As crianças se encantam com o possível e o impossível. Os adultos se encantam em vislumbrar um caminho que lhes devolva o sonho.
O que vale mais é sentir a liberdade de ser co-autor da história narrada e poder receber a experiência viva e criar na imaginação o cenário, as roupas, a cara dos personagens, o jeito de cada um, as cores - tudo que foi apenas sugerido pelo narrador.
E, com certeza, depois vai ficar ecoando através do tempo aquelas histórias ou partes que são valiosas, belas e memoráveis. Vai dar vontade de conferir nos livros aquela história que fez nossos olhos enluarados piscarem num brilho renovador.
E o melhor é que o lugar para ouvir histórias vai depender também de quem conta. Pode ser na sala de aula - transformada em pátio de castelo -, pode ser na sala da casa - transformada em sala do trono -, pode ser embaixo de uma árvore - transformada na torre mais alta da fortaleza - e ainda numa praça, num campo, numa biblioteca, aproveitando para dar a cada lugar o desenho necessário para enriquecer a narração. Agora, se isso tudo despertar o sabor de um passeio com o qual se sonhou há muito, não perca tempo, brinque de SER!
O mais importante é que todos saiam satisfeitos, com a sensação de que a criação da beleza pode se dar em palavras, com a força de quem refaz o mundo no espírito, no mistério, no humor, na maravilha, e depois abre a porta para o insuspeitado.
A grande dica para ser um bom narrador de contos é ler muito; os livros, as placas, os gestos, as pessoas, a vida que vai em cada coisa. E não ter pressa: o contador de histórias tem que ter paixão pela palavra pronunciada e contar a história pelo prazer de dizer (que é muito diferente de ler uma história, que também é diferente de explicar uma história!). Mas igualmente deve ser sua paixão pelo silêncio. E esse é o aprendizado mais difícil para o imediatismo que nos assola nesse final de século! Só quando o silêncio interior se torna insuportável é que o contador está pronto para contar uma história. É preciso estar cheio desse silêncio para que contar a história seja absolutamente necessário. Toda preparação de história produz um rumor silencioso que vai se amplificando até explodir na palavra. Esse é o processo de maturação de uma história, sem o qual não há contação!
Mas, auto lá! Só se conta bem aquela história que a gente amou, estudou e contou pras paredes, pro teto, pro espelho, pros filhos, até que ela brote dos lábios com veemência, convicção, detalhe e emoção.
O momento de escolher uma história pra contar é muito importante. Critério indispensável é o que leva em conta a qualidade literária ( o trabalho com a linguagem escrita) do texto que vai ser contado. Então abrir espaço para o lúdico, para o humor, sem deixar de observar a força e coerência dos personagens, atentar para a magia e a fantasia ou o real entremeando os diálogos fluidos e ricos. É sempre bem vinda a sugestão poética perspassando o texto e tocando a sensibilidade do ouvinte!
Quem conta tem que estar disposto a criar uma cumplicidade entre história e ouvinte, oferecendo espaços para o ouvinte se envolver e recriar. Esses espaços de locomoção do ouvinte dentro de uma história podem ser construídos pelas pausas, silêncios, ações, gestos e expressões, de forma harmônica. O contador de histórias não pode ser nunca um repetidor mecânico do texto que ele escolheu contar. Como garantia de uma narração viva estão elementos como originalidade, surpresa, conflitos instigantes, questionamentos nas entrelinhas, a agilidade da contação e a expressividade.
Mas contar bem uma história é também saber evitar o didatismo e a lição de moral; os estereótipos da palavra e dos gestos; o maniqueísmo e os preconceitos; o óbvio, o modismo e o lugar comum. Em geral, na escola, a escolha de um texto para ser contado tem, quase sempre, o poder de determinar conteúdos a serem estudados. Mas quando a história contada vem em função de instaurar um espaço lúdico, ela pode gerar um outro tipo de expectativa: não mais a da cobrança, mas a do encantamento.
Uma história é feita, na cabeça do ouvinte, pela construção de expectativas, frustrações, reconhecimentos e identidades. Uma boa história sabe operar isso de maneira a adiar e prolongar o prazer para um outro tempo preciso; e tirar da sua forma, da sua própria construção um prazer ainda maior. E uma história estimulante pode apresentar toda sorte de construção. O que se oculta e vai sendo revelado aos poucos é próprio do jogo, também da linguagem. É por isso que o contador de histórias é também aquele que descobriu que brincar com as palavras é prazeroso.
Mas, se o público for misturado, vá com calma. Escolha histórias sem fronteiras, que é pra encantar todo mundo. Depois, quem sabe será preciso inventar novas histórias para desvirar o filho de sapo em príncipe, ou transformar a mãe na "fada que tinha idéias", a árvore da escola em escada para o céu. Depois passe também o chapéu para outra cabeça, porque já se sabe que quem conta um conto, aumenta um ponto, uma vírgula, uma exclamação e uma boca aberta diante da possibilidade de se construir um mundo melhor - povoado de histórias.
E para ficar ecoando: quando optamos por contar histórias, optamos por uma série de resgates: recuperar nossa infância e as fogueiras invisíveis que sempre imaginamos a magia ideal para acender uma história; reencontrar nossos folguedos, medos (por que não?), mitos e assim refazer nossa trajetória afetiva; redefinir nossa imagem social diante daquilo que nos tornamos; revisitar nossa noção de cidadania para redimensionar nossas crenças na palavra como gesto sonoro capaz de se propagar ao infinito e incitar mudanças; remexer nossa imaginação com cargas sempre maiores de liberdade; recompor o lugar de seres criadores que todos ocupamos no mundo. Tarefas nada simples. Ainda inconclusas, uma vez que seguimos sendo esboços de inúmeros desejos e projetos. E é pelo desejo de falar com o outro que levantamos a voz . E a matéria do nosso sonho - que a princípio pode parecer fugaz, já que o ato de narrar oralmente não se perpetua no tempo e no espaço - só encontrará eco se levar, num próximo passo, o ouvinte ao livro. Aí sim, ao refazerem suas histórias de leitores, o contador de histórias ocupará nessas biografias um lugar especialmente resguardado pelo coração. E que toda essa fala aqui venha legendada pela urgência de novos contadores de histórias!
Agora o recado está inteiro!


[1] In: SISTO, Celso. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias (2ª ed. revista e ampliada). Curitiba, Positivo, 2005. p.19-24

[2] Celso Sisto é escritor, ilustrador, contador de histórias do grupo Morandubetá (RJ), ator, arte-educador, especialista em literatura infantil e juvenil, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e responsável pela formação de inúmeros grupos de contadores de histórias espalhados pelo país, dentre eles os grupos FLUISTÓRIA (Uberaba/MG), GWAYA (Goiânia/GO), HISTORIARTE (Macaé/RJ), MARIA MEXE ANGU (São José dos Campos/SP), QUITIBUM (Cubatão/SP), ESCUTA, SÔ (Belo Horizonte/MG), HISTÓRIA FIADA e TENTERÊ (Florianópolis/SC). Ele tem 28 livros publicados para crianças e jovens e recebeu os prêmios de autor revelação do ano de 1994 (com o livro Ver-de-ver-meu-pai, Editora Nova Fronteira) e ilustrador revelação do ano de 1999 (com o livro Francisco Gabiroba Tabajara Tupã, da editora EDC); ambos concedidos pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Vários dos seus livros também receberam o selo Altamente Recomendável, desta mesma Fundação.

Domingo, 17 de Junho de 2007

O CONDENADO




SOU INCOMPLETO
MAS NÃO SOU
NADA DISCRETO...
DANÇO DE PRETO,
DE ROXO,
DEBAIXO
DO ARCO-ÍRIS
PRA VER
SE O PEITO

SE RASGA
E ME OBRIGA
A EXPOR
DE VEZ,
CADA UM
QUE DIVIDE COMIGO
ESSA HABITAÇÃO.

O CORPO-CASA,
ENTRE CARTAS
E APOSTAS
AINDA
PAGA PRA VER

MORREM MUITOS
DE MIM
À CADA MINUTO
NASCEM OUTROS
SURDOS

E OS DEDOS
IMUNDOS
CONTINUAM
CAVOCANDO
A TERRA.

NÃO HÁ COMO
PLANTAR
SEM SUJAR
AS MÃOS.








Sábado, 16 de Junho de 2007

MEUS LIVROS



SISTO, Celso. Ver-de-ver-meu-pai. Il. de Roger Mello. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1994. 24p.

__________. Assim é fogo! Il. de Ivan Zigg. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1995. 32p.

__________. Beijo de sol. Il. de Marilda Castanha. Rio de Janeiro, Ediouro, 1995. 16p.

__________. Mas eu não sou lobisomem! Il. de Denise Rochael. Belo Horizonte, Lê, 1996. 24p.

__________. O dono da voz. Il. de Mariana Massarani. Belo Horizonte, Dimensão, 1997. 24p.

__________. O encantador de serpentes. Il. de Nelson Cruz. Belo Horizonte, Dimensão, 1997. 32p.

__________. Porque na casa não tinha chão. Il. de Lula. Belo Horizonte, Dimensão, 1997. 24p.

__________. O pequeno cantador. Il. de Roger Mello. Belo Horizonte, Dimensão, 1997. 32p.

__________. Quase que nem em flor. Il. de Graça Lima. Belo Horizonte, Dimensão, 1997. 32p.

__________. Enquanto eles dormem. Il. de Graça Lima. Belo Horizonte, Dimensão, 1997. 32p.

__________. Amor meu grande amor. Il. de Marcelo Martins e Teresa Cristina Amiran. Curitiba, Módulo, 1998. 32p.

__________. Anjo de papel. Il. de Graça Lima. Curitiba, Módulo, 1998. 24p.

__________. Francisco Gabiroba Tabajara Tupã. Il. do autor. Rio de Janeiro. EDC, 1999. 24 p.

__________. A noiva do diabo. Il. do autor. Chapecó-SC, Grifos, 2000. 24p.

__________. Vó que faz poema. Il. do autor. Belo Horizonte, Santa Clara, 2000. 28p.

__________. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias. Chapecó-SC, Argos, 2001. 138p.

__________. Ora, pitombas! Il. do autor. Porto Alegre, WS, 2005. 80 p.

__________. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias (2ª edição revista e ampliada). Curitiba, Positivo, 2005. 144 p.

__________. Emburrado! Il. de Suppa. São Paulo, Paulus, 2005. 32p.

__________. O cocô do cavalo do bandido. Il. André Neves. Porto Alegre, WS, 2005. 184p.

__________. Eles que não se amavam. Il André Neves. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2005. 32 p.

__________. Angelina. Il. do autor. São Paulo, Larousse do Brasil, 2006. 32 p.

__________. Ururau, praga e pica-pau. Il. Graça Lima. São Paulo, Scipione, 2006.
48 p.
"A VIDA É DESENHADA SEM BORRACHA"

Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

MEU ANIVERSÁRIO


Sempre achei bom comemorar o meu aniversário. Não tem essa de esconder a idade e estar ficando velho! Acho tudo isso uma bobagem. Tenho orgulho em dizer que estou fazendo 4.6 no dia 16!!!! Sou o mais puro geminiano! Inconstante, volúvel, imprevisível, uma porção de coisas assim, flutuantes. Mas sou tão intenso que cada vez que alguma coisa explode no meu peito é como se tivesse início a próxima guerra mundial! Uau! Vou do frio ao calor em frações de segundos. Vou do amor ao ódio em menos tempo ainda! Mas assim, como os pássaros chegam e pousam com a maior rapidez na minha cabeça, eles voam e vão embora num passe de mágica. E aí fica o osso, o esqueleto, a essencia, que é de menino, levado e inventivo. Por isso, talvez, as palavras me encantem tanto, me façam ávido, cada vez mais, por aprender a conformá-las no jeito exato do que quero contar com elas. Os livros que povoam a minha vida e o meu imaginário nascem assim, desse desejo imenso de polir as palavras e salvar os fantasmas, para que eles digam, de vez, o que eu não poderia dizer de outro jeito.
Tenho tanto a agradecer à vida, aos amigos, à família, porque de modo simples e brutal eu sou essa soma toda.

OFICINA EM CAMAQUÃ




Dia 12 de junho de 2007 estive em Camaquã, ministrando uma oficina sobre "A arte de contar histórias" para os professores da cidade. Trabalhei com um grupo de 43 professores e foi muito bom. Os professores estão bastante sensibilizados para o uso dessa linguagem artística, e o resultado dos exercícios foi muito rico. Fiquei feliz de vê-los contando histórias e participando das brincadeiras para fazer uma história ficar de pé, através do que chamo de "tripé da história". A Secretaria de Cultura, que promoveu o encontro, tem feito coisas muito boas lá. A professora Roberta, que foi quem me convidou é uma grande promotora de leitura na cidade e nas escolas onde trabalha. O encontro faz parte da preparação para a Feira do Livro da cidade, que acontecerá em final de setembro/início de outubro.


Uma outra coisa boa me aconteceu em Camaquã: escrevi um novo texto infantil, que se chama "TININHA CEREJA", que espero, em breve estará em algum livro meu. Saí de lá duplamente encantado: com as pessoas e com o presente literário que a cidade me deu, o de ser fonte inspiradora de uma nova história minha! E isso, certamente, estará na dedicatória do livro! Solange, Roberta, Fernanda, Tuli, todos, obrigado pelo carinho!