domingo, 29 de janeiro de 2012
sábado, 28 de janeiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
domingo, 22 de janeiro de 2012
CRÔNICAS SINCRÔNICAS - MORAR NO INFINITO
Esta vai ser uma
crônica longa! Como gostaria que fosse a vida! E cheia de conexões, como são muitos dos enredos da própria vida!
Amo o samba-de-enredo
Macunaíma, em especial os versos que
dizem; “Vou-me embora, vou-me embora, eu aqui volto mais não, vou morar no
infinito e virar constelação”. Isso sim é
uma subida apoteótica; e ainda por cima, envolta numa certa dose de alegria
consensual. Eu poderia ir assim!
O samba da Portela,
do desfile de 1975, composto por David Corrêa e Norival Reis, narra as
peripécias do personagem de Mário de Andrade e sua ascensão aos Céus. Pois
agora, o samba me remete para a frase de Guimarães Rosa e seu discurso, quando
finalmente resolveu tomar posse de sua cadeira na Academia Brasileira de
Letras, em 1967: “a gente não morre, fica encantado”. E ele ficou encantado apenas
3 dias depois!
Esse
encantamento, nesta semana, deixou rastros por aqui, na porta do meu coração. Com
a viagem só de ida de meu amigo - o grande escritor Bartolomeu Campos de
Queirós -, me vi obrigado a pensar também na expressão “a indesejada das gentes”,
usada por Manuel Bandeira no poema “Consoada”: “Quando a indesejada das gentes
chegar, (não sei se dura ou caroável), talvez eu tenha medo”. Acho que eu sim! Mesmo
que ela seja amável, como quer dizer a palavra caroável! Mesmo que ela seja
carinhosa! Mesmo que ela seja afável! Por isso lembrei-me de tantos outros contos
e tantas outras formas revestidas pela morte, quando da tarefa de vir buscar
alguém aqui nesse nosso paraíso (ou seria Inferno?). Todas essas são imagens
construídas senão por um visão religiosa, por uma visão mais, digamos, cética
da vida, do mundo e das relações humanas. Não importa! Na hora de olhar a “grande
Senhora” de frente, não interessa a foice, o rosto cadavérico, o capuz, os inúmeros
apelidos, como Ceifador Sinistro ou Shinigami, o Deus da Morte, na cultura
japonesa...
O que importa é que
por trás do sentimento de posse das pessoas queridas, fulgura sempre o nosso
desejo egoísta de não querer perder, de querer protelar, de querer aproveitar
mais; desejo dissimuladamente egoísta, não é ? Nele está contida a nossa
finitude, a nossa provável falência vital, a nossa hora final...
Pois bem nessa
hora, em que a “iniludível” (expressão também de Manuel Bandeira) vai deixando
rastros tão perto, me lembrei do filme “Yume” (que quer dizer sonhos), de Akira
Kurosawa. No episódio “O vilarejo dos moinhos”, o último dos oito sonhos
contados no filme, há uma celebração de morte. E isso sempre me impressionou.
Uma celebração! Não é um luto! É um cortejo, alegre, colorido, contente, onde
as pessoas ritualizam o fim daquela que teve uma boa vida, dançando, cantando,
ao som de tubas, pratos, chocalhos, enquanto as crianças atiram pétalas de
flores, indo em direção à colina! É
lindo! Queria ter essa aceitação, mas não tenho! Não sou japonês, não sou oriental.
Ao contrário do
que reza o desprendimento dos tempos modernos, guardo coisas e pessoas! Nos
meus papéis e guardados, estão meus cadernos e cadernetas. Até hoje tenho as anotações
das aulas mais importantes da minha vida. Pois hoje fui buscá-las. No caderno
da disciplina que um dia fiz com a grande mestra Francisca Nóbrega, que me
ensinou a amar Bartolomeu Campos de Queirós com tamanho entusiasmo, está
anotada uma aula em que ela havia utilizado um texto que tanto adorava: “Desenhando
um menino ou Menino a bico de pena”, de Clarice Lispector. É com o mesmo sentimento
de “real vegetativo” para poder entender o presente, que ouço ainda as palavras
da professora,falando da “história antes e um pouco depois das histórias”,
ajudando-nos a descobrir a essência do infantil, nos textos, inclusive de
Bartolomeu.
Foi com esse
mesmo sentimento de estar imerso no “vazio profundo” do menino do texto de
aula, que escrevi meu primeiro livro. Ele é sobre a dolorosa morte do meu pai,
que eu precisava tanto transformar em fantasia, para poder lidar com ela. Deu
certo! O livro até hoje alivia a minha ferida. E adivinha quem foi a primeira
pessoa a me felicitar pela obra? Meu amigo Bartolomeu, que me mandou uma linda
carta, comparando o meu texto à escrita de Cecília Meireles. Foi uma emoção
definidora do meu caminho! Ali estava inscrito ocultamente que eu tinha
encontrado o rumo! Vasculhando sofregamente as gavetas, achei apenas um pedaço
da carta, em que ele diz: “Aos poucos, com a paciência indispensável a todos
que lidam com as palavras, Celso Sisto vem realizando seu percurso passando pelos
meandros da reflexão sobre o próprio ato de criar, o que lhe garante um texto
de qualidade invejável”. Essa generosidade, de um escritor que já era renomado,
servirá de esteio para toda a minha vida! Pode ter certeza!
Termino o meu
livro dizendo: “Hoje meu pai foi
ser natureza em outro lugar”... Hoje meu amigo Bartolomeu foi ser poesia pura
no infinito e virar constelação! Como Macunaíma, como Francisca Nóbrega, Gloria
Pondé, Elias José, também amigos e escritores queridos.
E nós ficamos
aqui, com a nossa dor. No dia da partida, escrevi o poema “Para Bartô”, que diz
assim: atravessar o infinito, com a poesia nas mãos. Liberto e com
asas! Enormes asas! As Moiras partiram o
fio, mas a memória o atará novamente. Ponho agora, recolhido de instantes, o
coração para tomar sol e um barquinho no mar. E deixo que o silêncio, miúdo,
caia manso. Folheio-me nos teus livros. Onde bem plantado estarás sempre. E
perfumoso. O medo não interromperá esse voo, oblongo. E as pedras mais antigas
se afastarão, para te verem passar. Meu deserto me acolherá, devagar, porque
agora, estou dobrado, cercado de páginas em branco, salgando a dor” .
Esse gosto pelas asas, meu amigo também
tinha. Num livro que organizei para a editora Cortez, chamado “Histórias de
cantigas”, que está por sair, ele escreveu um conto para a cantiga “Se essa rua
fosse minha”. No conto ele diz: “Minha melodia é uma oração pedindo ao anjo –
que não vive em meu bosque – para, muito em breve, visitar meu coração”.
Nem bem ele escreveu isso e o anjo veio.
Visitou seu coração. Assim como visitou o coração da Avó do conto
Fita-verde-no-cabelo, de João Guimarães Rosa, cujo diálogo final dos
personagens, sempre me impressionou:
“- Vovozinha, que braços tão magros, os
seus, e que mãos tão trementes!
– É porque não vou poder nunca mais te
abraçar, minha neta... – a avó murmurou.
- Vovozinha, mas que lábios, aí, tão
arroxeados!
- é porque não vou nunca mais poder te
beijar, minha neta... – a avó suspirou.
- Vovozinha, e que olhos tão fundos e
parados, nesse rosto encovado, pálido!
- É porque já não te estou vendo, nunca
mais, minha netinha... – a avó ainda gemeu”.
Gemo também eu, pois a ausência,
imediatamente sentida pela menina, no conto, é igual a minha, neste momento!
A última palavra que Guimarães Rosa, pronunciou,
em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, foi “Cordisburgo”,
nome de sua terra natal. Pensando em Bartolomeu, a palavra final desta crônica,
então, fica sendo “Papagaio”, o nome da cidade natal dele. Quem sabe assim, nas
asas dessa ave falante, seus livros não sejam nunca esquecidos e continuem a
falar eternamente? Enquanto preparamos as nossas crianças para conviverem com a
circularidade da vida, com a insistente imagem dos moinhos de água, com a morte
festejada no filme do Kurosawa!
(by Celso Sisto – 22/01/2012)
sábado, 21 de janeiro de 2012
O LIVRO DIÁFANA NO JORNAL ZERO HORA de 21 de janeiro de 2012
Amigos! Meu livro DIÁFANA (Scipione) e meu trabalho como escritor são capa hoje (Sábado, 21/1/2012) do Segundo Caderno do jornal Zero Hora (Porto Alegre), em matéria intitulada: "CONHEÇA DIÁFANA" (edição em papel) e "Conheça Celso Sisto, o autor do primeiro livro infantil a levar o título de livro do ano do Prêmio Açorianos" (edição on line). Fiquei muito muito contente!
Aí vai o link, para quem quiser ler a matéria on line:
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
CORTEJO
Ainda sob o impacto da perda, uma outra homenagem a meu querido amigo BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS...
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
PARA BARTÔ
Coração sangrando... Morre nosso amigo BARTOLOMEU CAMPOS DE
QUEIRÓS. Em seu livro VERMELHO AMARGO (Cosac Naify, 2011), ele disse: “Quanto
mais amor mais a morte se anuncia”. Ninguém amou mais a possibilidade de
escrever de uma forma delicada sem abrir mão dos espinhos. Por isso, tenho
certeza, ele atravessa agora o infinito, com a palavra poética nas mãos, e
liberto... e em PAZ. Sentiremos sua falta.
Para quem não tem facebook,
postei logo hoje cedo, um poema em homenagem ao Bartô, com quem tive a honra e
a sorte de conviver e viajar muitas vezes pelo PROLER, pelo LEIA BRASIL, pela
CASA DA LEITURA, nos áureos tempos... Jamais esquecerei a carta que ele me
enviou, quando em 1994 publiquei o meu primeiro livro, VER-DE-VER-MEU-PAI (Nova
Fronteira). Generosidade poucas vezes vista...
domingo, 15 de janeiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
CRÔNICAS SINCRÔNICAS - ÁGUAS DE VERÃO
Dizem os versos de Dorival Caymmi: “é
doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar”. Pois eu sempre morri de medo do
mar! Quer dizer, de aprender a nadar no mar. Meu pai me levava para o fundo
(que aqui quer dizer “mar adentro”), na praia de Ipanema, na altura da rua
Francisco Otaviano, trecho onde morava a minha avó naquela época, e me largava,
cercado por meus primos e irmãos-peixes, sob o controle de seu
olhar-gaivotesco! Isso me deixou para sempre devotado ao mar, às ondas verdes, à
doçura da praia, à liberdade pseudo-nadadora, mas... muito mais amigo da prudência
e da esperança do que das aventuras marinhas!
Não é trauma. É respeito. O verão me
traz o mar, e o mar me traz lembranças poéticas! Por exemplo, dos apetrechos
para se levar à praia. Tem coisa mais infantilmente gostosa e colorida do que pazinha
e baldinho de praia? É a certeza de que desde pequeno somos estimulados a
testar nossos dotes construtivos! A praticar nossa veia-Niemeyer. A exercitar nossas
mãos de grandes pedreiros do universo. A usar nosso poder criador.
Por isso, naquela época, minha
diversão era fazer bolos de areia, levantar castelos e cidades, argamassar com água,
respingos de mate Leão gelado, restos de sorvete Kibon e farelos de biscoito
Globo, que invariavelmente caiam para todo lado. Minha tática era: ficar
enrolando na areia, inventando e construindo todo tipo de coisa, para me livrar
das aulas domésticas de natação. Até que meu pai, secundado pelos primos-farejadores-de-medo,
que sempre estavam ao redor, me arrastava para as águas.
Mas depois que eu entrava no mar, não
queria mais sair. Muitas vezes, até esfolar a barriga na prancha de isopor. Até
ferver encarapitado na bóia enormemente preta de pneu de caminhão, que de vez
em quando alguém levava para o nosso-parque-marinho-de-diversões. Sim, porque
criança mais crescidinha na praia inventa tudo quanto é tipo de brinquedo! E
quando o bando de meninos é maior que o bando das meninas, as brincadeiras
quase sempre são acrobáticas e malabarísticas! Para desespero dos pais. No meu
caso, para desespero das tias, especialmente a nossa querida Tiinha, que era
quem servia de anjo da guarda, de dama-de-companhia, de cúmplice-que-deixa-tudo,
quando se tratava de tomar conta dos pobres e endiabrados sobrinhos
distanciados dos cuidados das mães!
Foi mesmo na companhia dos meus primos
que passei por todas as etapas dos velhos verões: andamos de lancha, esquiamos,
pescamos em ilhas, fizemos corridas de bicicletas, subimos em árvores,
colecionamos bichos em vidros hermeticamente fechados, fizemos guerras de
coquinhos, e até ficamos viciados em “Mineirinho”, o refrigerante mais comentado
na baixada litorânea do Estado do Rio de Janeiro, Região dos Lagos.
Mas, guardei na manga, para só revelar
agora, uma das maiores emoções desses Verões inesquecíveis. O Rio de Janeiro do
início dos anos 70 não contava ainda com a famosa ponte Rio-Niterói, que só foi
inaugurada em 1974. Para irmos a Araruama, onde passávamos as férias na
infância, era preciso enfrentar as quilométricas filas da barca, na Praça XV. Ás
vezes ficava-se de 3 a 4 horas esperando na fila. Eram balsas para automóveis,
e na maior parte das vezes, a família ficava dentro do carro, enquanto a barcaça
atravessava para o outro lado. Na hora de voltar das férias, a mesma história:
filas e mais filas.
Uma vez, além do aborrecimento de ter
terminado a temporada de férias, lá estávamos nós na balsa, voltando para o
Rio, já de noite, aguardando sonolentos dentro do Fusca, na companhia do meu
pai. De repente um apito e um aviso para que todos deixassem os carros e se
dirigissem para a beirada da barca... Ficamos sabendo que a embarcação estava
pegando fogo e que provavelmente teríamos que pular no mar. Imagina a nossa
emoção?!!!!! Terminar as férias com uma aventura daquelas era ter assunto para
durar, na certa, duas semanas inteirinhas, na sala de aula! Eu, desesperado, só
pensava em salvar a minha lancha de controle remoto, que tinha ganho naquele Natal...
Meu pai nos abraçou – estávamos eu e meu irmão – e valente, já maquinava como
haveria de salvar os dois filhotes daquela catástrofe incendiária e noturna.
Dava-nos instruções, recolhia salva-vidas e bóias, sempre muito calmo, para não
nos assustar... até que... um novo aviso pelo alto-falante, acabou com a nossa farra-nervosa:
era tudo rebate falso! Os passageiros já poderiam voltar para os seus carros! Aaaaaaaaaaahhhhhhhhh!
Pois esse episódio, que chegou aqui,
boiando na minha memória, me faz pensar também na arca de Noé! O mundo se
acabando em água. Todos aqueles bichos enclausurados na arca eram como todos
aqueles carros estacionados na barca da minha infância. Só que na minha
história a ameaça era muito maior: fogo e água!
Talvez, por piedade, um Noé de voz
metálica, dá ordens pelo alto-falante e rapidamente me atira no mar revolto dos
dias atuais.
De novo vejo o dilúvio! A tempestade bíblica
se repete no país, a cada verão. Ano passado foi Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis,
Sumidouro, São José do Vale do Rio Preto; também várias cidades de Santa
Catariana, dentre elas Taió, Gaspar, Rio do Sul, Brusque, Itajaí. Já haviam
sido, em 2010, Angra dos Reis e o Morro do Bumba, em Niterói, bem como várias cidades
de Alagoas e Pernambuco. Hoje mesmo, na região Sudeste do Brasil, são 153
municípios em estado de calamidade pública, por conta das chuvas e da vingança
tardia dos deuses, quem sabe, contra o progresso e a civilização moderna. Até
quando?
Imagina o que pode acontecer quando
março chegar e vier mesmo a temporada das águas. Para fecharmos com outro verso
musical, agora de uma cantiga de Tom Jobim, proclamaremos: “são as águas de
março fechando o verão...” Tomara que nunca mais tenhamos que completar de um jeito
torto: “é a promessa de morte em nossos corações”!
Por isso, vou pedir a Thor, o rei do
Trovão, que com seu machado mágico, nos defenda da fúria das nuvens e dos Céus!
Só não sei ainda para quem apelar, quanto à ganância dos homens, que recebendo
recursos para agir, desviam dinheiro e acabam não fazendo nada para evitar as catástrofes
das águas do Verão. Quem sobreviver, verá?!
(by Celso Sisto – 14/01/2012)
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
"A HORTA DA ETHEL" - MEU PRIMEIRO LIVRO EDITADO EM BRAILLE!
Amigos, anuncio a publicação de mais um livro meu:
SISTO, Celso. A horta da Ethel. Ilustrações de Sandra Ronca. São Paulo, Fundação Dorina Nowill, 2011. 40 p.
O livro faz parte da parceria da AEILIJ Solidária com a referida Fundação, para a publicação de 10 títulos, destinados a leitores cegos e com baixa visão.
A edição do livro é em braille e fonte ampliada e será totalmente distribuída para 5 mil bibliotecas do país.
Cedi os direitos de edição do livro e fiquei muito feliz e emocionado com o resultado.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
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