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terça-feira, 19 de junho de 2007

ACABA DE SAIR MEU NOVO LIVRO


SISTO, CELSO. Lebre que é lebre não mia. Ilustrações do autor. São Paulo, Larousse, 2007. 40 p.


SEGREDOS POR TRÁS DAS HISTÓRIAS

A África toda é um “mar de histórias”! São muitos povos, muitas culturas, muitas línguas, e claro, muitas coisas diferentes!
Eu, que adoro as histórias que as pessoas contam por aí, de boca em boca, de ouvido a ouvido, venho pesquisando muitas histórias africanas. Com isso, formei uma enorme coleção de mitos, lendas, contos e fábulas africanas.
Nestas narrativas, que são muito conhecidas na África Meridional, aparecem uma infinidade de histórias da lebre. Nelas, a lebre é ágil, esperta, e acaba conseguindo o que quer. É sempre uma vencedora, porque usa a inteligência, porque usa a astúcia! Aliás, dizem que o único animal capaz de vencer a lebre em esperteza é a tartaruga, que também é cheia de histórias na África!
Mas tenho de lembrar que, como se trata de outro continente, e como há uma grande mistura de culturas, nem sempre as histórias são parecidas com as que conhecemos ou como esperamos que sejam, não! A gente até pode estranhar a violência de algumas histórias africanas, mas não podemos esquecer que elas são frutos de um mundo natural, regido por forças que nem sempre conhecemos tão bem ou de perto! Não estamos dentro daquele universo e, por isso mesmo, vemos as coisas com outros olhos!
Selecionei algumas histórias e as reconto aqui, principalmente para me aproximar desse lépido animal, que foi sempre o meu preferido, desde a infância; depois, para proporcionar ao leitor brasileiro, o contato com histórias muito pouco conhecidas por aqui; e, por fim, para que a gente possa rir um pouco com as coisas que a lebre apronta!
A primeira história, “A lebre prepara a terra para plantar”, e a quarta, “O pedido da lebre ao grande gênio do bosque”, são da África Ocidental; a segunda, “A lebre e o fabuloso inkalimeva”, é uma história xhosa, do sul da África; a terceira história, “A lebre e o leão vão caçar”, é da Etiópia.
Diz o ditado popular: “Ao galgo mais lebreiro, foge a lebre em janeiro”. E, para dar nó na língua, podemos dizer também: “ Leve, lépida lebre ladina”. Mas, se quiséssemos, poderíamos também cantar, para lembrar que muitas vezes essas histórias estão inseridas em rituais com instrumentos, danças e músicas. Bom, para que ler seja sempre uma festa, mesmo que só lá no fundo da nossa imaginação a gente possa ouvir, ver e se embalar ao som dessas palavras: “Hem! yau! hem! yau! abala sem hala sem, hem! yau! hem! yau!”
[1]
Agora, deixo aqui um beijo miúdo pra todos, dividido ao meio, como biquinho de lebre, para se multiplicar!
E para terminar, podemos dizer, sempre ao final de cada história, como dizem muitas vezes os próprios narradores africanos: “Aí está meu conto, doce ou não, leve um pouco dele e deixe que o resto volte para mim”!

Celso Sisto


[1] Isso! Assim! Isso! Assim! Os homens fogem de mim, as mulheres fogem de mim. Isso! Assim! Isso! Assim! (Kabiye, Togo)

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