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terça-feira, 7 de agosto de 2007

NOITE DE GALA PARA OS LIVROS




Era um salão comunitário, numa localidade situada no pé da Serra. O dia, 20 de julho de 2007. O nome, Walachai, que em alemão antigo significa “lugar distante, onde o tempo parou” já dando o toque da diferença. Estava marcado para as 19 e 30... mas, como era uma sexta-feira, dia complicado para os trabalhadores que ainda iam chegar em casa, aprontar tudo e sair para assistir a apresentação dos filhos, o público tardou um pouco a chegar. As organizadoras, por instantes, tiveram medo que o público fosse pequeno para testemunhar o brilho das crianças e da literatura.
A decoração, feita com esmero, reproduzia um enorme arco-íris saindo – ou entrando - em um pote de ouro (vai saber!). Mas no lugar das moedas e pedras preciosas, livros! Esse era o verdadeiro tesouro escondido no fundo e também na superfície daquele pote: livros! Nesta ocasião, livros do escritor Celso Sisto.
Palco, aparelhagem de som, microfones, um burburinho, um frisson, um zum-zum-zum de euforia e apreensão de quem quer fazer bonito e dar o seu melhor!
Os narradores – o sol e a chuva – iam chamando cada um dos números, todos eles baseados em obras do referido escritor, apresentadas por turmas da escola Rui Barbosa, do jardim à 8ª série. Algumas leituras livres, algumas adaptações, alguns desdobramentos das obras, algumas reproduções do conteúdo dos livros, e a festa estava instaurada, inaugurada, propagada! A alegria estava no ar: pais contentes, crianças felizes de partilharem com os outros suas experiências literárias!
Nesta noite, a comunidade do Walachai tocou com as mãos a literatura, abriu o coração para fazer-se casa da palavra! Pura emoção!
E para o escritor homenageado, a certeza de que a literatura promove encontros, agrega, confraterniza. Mais do que qualquer vaidade por ter sido escolhido como o autor que deu origem aos trabalhos das crianças e jovens, o evento da escola Rui Barbosa fascina pela integração entre professores, pais, funcionários, amigos. Estavam todos envolvidos, em nome da promoção da leitura e da formação do leitor. Comovente mesmo ver tanta gente feliz, envolta apenas pelo universo tênue das palavras, compromissados na criação desta supra-realidade, a realidade suspensa da fantasia, do jogo, da ficção.
Inesquecível ver os professores como artistas, os alunos - pequenos profissionais da palavra – irradiando emoção para todos os lados.
Não faltou nada! Teve apresentação do grupo de contadores de histórias de Morro Reuter, que fez oficialmente sua estréia - (Carmem, Márcia, Kátia, etc.) Teve história contada pelo escritor/contador de histórias, e saboreada pelo público como um grande momento de humor e troca, seguida de sessão de autógrafos dos livros do escritor homenageado.
Apesar do frio que fazia lá fora, os corações ali dentro daquele salão comunitário estavam aquecidos pelo carinho, pela beleza, pela poesia e principalmente pela palavra poética! A comunidade do Walachai poderia muito bem reivindicar uma outra expressão para ser usada ao lado de seu nome, pois “de lugar distante e onde o tempo parou”, que está na raiz da palavra em alemão antigo, fica a vibração de um lugar secreto, especial, encravado no pé da serra, lugar próspero que a fantasia abençoou! Que mágica e corajosamente escolheu a literatura para ser ponte entre os homens de boa vontade! E onde se lê homem, leia-se direção, professores, pais, crianças, funcionários, famílias. Viva o Walachai! Viva a literatura!

2 comentários:

Anônimo disse...

"Universo tênue das palavras", não há como explicar esse universo, mas é um portal mágico, algo a ser sentido, tocado e amado. Atravessar essa dimensão, mergulhar na tecitura das palavras/imagens, permitiu estar sim nessa noite de gala. E foi encantador, como tudo que esse mago das histórias faz... Obrigada.

Tita disse...

Celso,
Foi bom descobrir seu blog e seu trabalho!Talvez a gente seja feito do mesmo barro: educadores movidos pelo "exercício da escrita"... Que linda sua descrição do tesouro de livros no fim do arco-íris...
Vi a foto e imaginei Walachai, esse "lugar distante, onde o tempo parou”... Lembrei de Joinville, terra dos meus avós, do alemão, do cruzamento de tudo isso com o litoral de Fortaleza... Da minha oficina de escrita no EducaRede com os alunos da universidade. Chama parecida no frio ou no vento. iutalerche@gmail.com