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domingo, 9 de novembro de 2008

ESTAREI AUTOGRAFANDO NA FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE!!!


AMIGOS, AÍ ESTÁ O CONVITE PARA A SESSÃO DE AUTÓGRAFOS DE 2 DOS MEUS LIVROS, NA 54ª FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE.

NÃO ESQUEÇAM! DIA 14 DE NOVEMBRO, SEXTA-FEIRA, 14 HORAS, DECK DOS AUTÓGRAFOS, ALA INFANTIL, CAIS.

ESPERO VOCÊS TODOS LÁ!

BEIJOS!

FALHA IMPERDOÁVEL!!!!!!!!!!!!!!!!!!


No meio de uma infinidade de livros, há que garimpar com cuidado. As ofertas numa feira de livros são imensas. O desconto de 20% dado pelos livreiros e editoras é estimulante (às vezes até se consegue mais descontos!)... mas em meio a essa concorrência toda, na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre, que está acontecendo desde o dia 30 de outubro (até o dia 16 de novembro!), na Praça da Alfândega e arredores, ninguém tem para vender o livro ganhador do prêmio de melhor livro de ficção do ano, "O MENINO QUE VENDIA PALAVRAS", de Ignácio de Loyola Brandão, publicado pela editora Objetiva.


Neste ano a Câmara Brasileira do Livro celebra a 50ª edição do prêmio Jabuti! E fato raro, digno de soltarmos foguetes, o livro ganhador é um livro infantil!!!!!!!!!!!


Agora procure o livro para comprar! Ninguém tem!


Percorri todas as bancas, perguntei em todos os lugares. Os distribuidores da Objetiva no RS dizem que a editora não mandou, não manda, que o pedido foi feito, etc., etc.!


Espero que até o final da feira o livro apareça!!!!!!!!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

24ª FEIRA DO LIVRO DE CANOAS-RS


Na terça-feira passada, dia 8 de julho, participei da Feira do Livro de Canoas. Fui autografar meus livros mais novos: MÃE ÁFRICA, MUNDARÉU E CAVALEIRO ANDANTE, ambos da editora Paulus.


A Secretaria da Cultura, montou um espaço bem simpático, um sala para o encontro dos alunos com os autores.


(desenho de Daniel)


Conversei com alunos da 1 a 4 séries da ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL ASSIS BRASIL. Os alunos estavam super bem preparados e sabiam tudo do meu livro MUNDARÉU. Me fizeram muitas perguntas e ainda me deram um monte de desenhos, feito por eles, baseados no livro. Foi uma delícia conversar com as crianças e contar histórias para eles.


Uma das professoras responsável pela preparação das crianças chama-se Benny, e bem se vê que é uma apaixonada pelos livros e pela leitura. Eu acredito nisso! Nesse tipo de trabalho!

(deseenho de Rafael)

Depois que cheguei em casa, enviei para as crianças uma mensagem de agradecimento pela visita, pelos desenhos e mandei um poema do meu livro "GENTE EM FLOR".





Quer ler também?

Lição nº 2
(Celso Sisto)

Dona
Rosa-Bela,
de olhar
derramado,
abria os braços
e espalhava
no vento
um cheiro de
caderno novo,
e a aula,
brotava saborosa
da sua boca cor-de-rosa.

Lia pra gente
tanta coisa boa,
que a memória
já misturava à toa, à toa.

E no fim,
acostumados
a comer palavras,
a gente multiplicava
a fome em histórias
e íamos pra casa na
corda-bamba,
da imaginação,
para aprender outra geografia:
o mapa da leitura do coração.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

COLUNA "COM A BOCA CHEIA DE LIVROS"

Caros amigos!

Pois não é que ganhei mais uma coluna de crítica literária?!
Desta vez é no Portal Cultura Infância, cujo endereço é:
Vai ser uma coluna por mês, que deve entrar no ar sempre por volta do dia 20.
Na estréia, neste mês de junho, escrevo sobre o livro CANTIGA DE NINAR VENTO, de Gláucia de Souza. Quer conferir?
Ao entrar no site, no lado esquerdo há uma coluna. Vá até a palavra Literatura e ali dentro, clique em Resenhas. Pronto, meu texto abrirá.
A coluna chama-se "COM A BOCA CHEIA DE LIVROS" e será um espaço para indicar belos e bons livros de literatura infantil. Aguardamos sua visita!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

LIVROS UTILIZADOS EM AULA

Na minha oficina de Criação de Textos para o Leitor Infantil, que está acontecendo no SESC de Santa Rosa (RS) tenho usado uma série de livros infantis em aula.

Para os alunos que quiserem ficar com a referência dos livros que já passaram por nossas atividades, aí vai a lista.

Para quem não está no curso, vale a pena ter contato com esses livros. São literatura da melhor qualidade; livros que considero objetos de arte e que certamente servirão para ampliar a nossa bagagem de leitura em literatura infantil.


PRIMEIRA AULA


BIBIAN, Simone. O menino, o cachorro. Il. Mariana Massarani. Rio de Janeiro, Manati, 2006. 36p.

COOKE, Trish. Tanto, tanto! Il. Helen Oxenbury. Trad. Ruth Salles. São Paulo, Ática, 1994. 48 p.

FOX, Mem. Guilherme Augusto Araújo Fernandes. Il. Julie Vivas. Trad. Gilda de Aquino. São Paulo, Brinque-Book, 1995. 32 p.

FURNARI, Eva. Cocô de passarinho. Il. da autora. São Paulo, Cia. das Letrinhas, 1998. 32 p.

GLITZ, Angelika. O monstruoso segredo de Lili (4ª ed.). Il. Annette Swoboda. Trad. Dieter Heidemann e Maria de Lourdes Porto. São Paulo, Brinque-Book, 1998. 28 p.

HEINE, Helme. Amigos (5ª ed.). Il. do autor. Trad. Luciano Vieira Machado. São Paulo, Ática, 1996. 32 p.

McBRATNEY, Sam. Adivinha quanto eu te amo. Il. Anita Jeram. Trad. Fernando Nuno. São Paulo, Martins Fontes, 1999. 32 p.

MELLO, Roger. Vizinho, vizinha. Il. de Mariana Massarani e Graça Lima. São Paulo, Cia. das Letrinhas, 2002. 32 p.

ROSA, Sonia. Amores de artistas. Il. Odilon Moraes. São Paulo, Paulinas, 1998. 24 p.

SISTO, Celso. Eles que não se amavam. Il. André Neves. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2005. 32 p.

WOOD, Audrey. O rei Bigodeira e sua banheira (7ª ed.). Il. Don Wood. Trad. Gisela Maria Padovan. São Paulo, Ática, 1994. 32 p.



SEGUNDA AULA

BENNETT, William J. (org.). O livro das virtudes para crianças. Il. Michael Hague. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1997.

BERENZY, Alix. O príncipe sapo. Il. do autor. Trad. Luciana Sandroni. Rio de Janeiro, Rocco, 1993.

COLASANTI, Marina. Uma idéia toda azul. Il. da autora. São Paulo, Global, 2003. 61p.
____________. Doze reis e a moça no labirinto do vento. Il. da autora. São Paulo, global, 1999. 93p.

SCIESZKA, Jon. A verdadeira história dos três porquinhos. Il. Lane Smith. Trad. de Pedro Maia. São Paulo, Cia. das Letrinhas, 1993.

TRIVIZAS, Eugene. Os três lobinhos e o porco mau. Il. de Helen Oxenbury. Trad. Gilda de Aquino. São Paulo, Brinque-Book, 1996.

WOOD, Autrey. A bruxa Salomé. Il Don Word. Trad. Gisela Maria Padovan. São Paulo, Ática, 1994.


TERCEIRA AULA


BARBOSA, Rogério Andrade. Três contos da sabedoria popular. Il. Rui de Oliveira. São Paulo, Scipione, 2005.

BELINKY, Tatiana. Os dez sacizinhos. Il. Roberto Weigand. São Paulo, Paulinas, 1997.

FRANCE, Marycarolyn. Cinderela brasileira. Il. Graça Lima. Trad. Luiz Raul Machado. São Paulo, Paulus, 2006.

LAGO, Ângela. Sua alteza, a Divinha (5ª ed.). Il. da autora. Belo Horizonte, RHJ, 1995.

________. De morte! Il da autora. Belo Horizonte, RHJ, 1992.

PAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. Il. Sônia Magalhães. São Paulo, Brinque-Book, 2005.

ZEMACH, Margot. Apertada e barulhenta. Il. da autora. Trad. Gilda de Aquino. São Paulo, Brinque-Book, 2000.

sábado, 31 de maio de 2008

OFICINA EM BOM PRINCÍPIO



Na noite do dia 15 de maio de 2008 ministrei uma oficina sobre a "Arte de Contar Histórias", em Bom Princípio. Gostei tanto! O grupo era grande, animado, gostoso de trabalhar. Me diverti muito e pudemos trocar muitas emoções e informações. A oficina tinha a seguinte ementa e proposta de trabalho:




Ementa:

A arte de contar histórias e seus elementos técnicos (corpo, voz, intenções, etc.); a contação coletiva; o tripé da história; exercícios de sensibilização para o ato de contar; os cuidados e atenções para garantirem uma boa performance no momento da narração de uma história.


Proposta de trabalho:

A oficina se propõe a trabalhar os elementos técnicos essenciais da arte de contar histórias, de forma prática e lúdica, de maneira coletiva, sem a utilização de quaisquer outros recursos que não os próprios do instrumental humano.




O jornal Primeira Hora, que circula por todo o Vale do Caí, publicou uma matéria sobre o trabalho, na edição : ANO 15, Nº 765, Bom Princípio, 22 de maio de 2008, na página 6.




Dê só uma espiada!




PARTICIPAÇÃO DE LUXO!


Meu amigo Jason Prado, me convidou para participar deste livro que acaba de sair. Foi uma honra escrever um texto a partir de Andersen (que eu tanto adoro!) e estar ao lado de gente tão importante, meus grandes autores e inspiradores, especialmente Marina Colasanti e Bartolomeu Campos de Queirós. Estou gratificado, emocionado e feliz! E espero que o livro seja um sucesso!




DIFERENTES HERÓIS, DIFERENTES CAMINHOS




O livro é um festival de histórias e de cores. Os 4 autores que fazem parte do livro, foram convidados para escreverem seus contos a partir de uma história de Andersen. Celso Sisto escreve sua história baseada no Soldadinho de Chumbo. Os outros autores, Bartolomeu Campos de Queirós, Marina Colasanti e Graziela Bozano Hetzel, baseiam-se em A roupa nova do rei, O patinho feio, O rouxinol e o imperador, respectivamente. Há ainda, no livro, a participação de especialistas (Maria Clara Cavalcanti de Albuquerque; Eliana Yunes; Maria Aparecida da Silva Ribeiro; Elaine Cristina R. Gomes Vidal e Sueli de Oliveira Rocha), que fazem, na segunda parte do livro, um cruzamento das histórias de Andersen com as dos autores convidados. Há também uma apresentação da obra de Andersen, feita por Regina Zilberman, uma conferência de Marina Colasanti, sobre identidade, e um ensaio da professora Eliana Yunes, tratando de questões teosóficas e convidando Dostoievski para participar! O projeto gráfico do livro é belíssimo e explora as figuras recortadas em papel, pelo próprio Andersen, além de ilustrações de Angela Lago, Elisabeth Teixeira, Celso Sisto e Roger Mello. Os textos de Andersen, também figuram ao lado dos novos, em bonita tradução de Paulo Condini.


Veja a indicação completa do livro:


PRADO, Jason & MAIA, Ana Claudia (organizadores). Diferentes heróis, diferentes caminhos. Ilustrações de Angela Lago, Celso Sisto, Elizabeth Teixeira, Roger Mello e Hans Christian Andersen. Rio de Janeiro, Leia Brasil, 2008 (Cadernos de Leituras Compartilhadas). 104p.

LIVRO COM HISTÓRIAS DE ARREPIAR!




Acaba de sair da gráfica minha mais nova produção. É um livro de histórias para sentir medo! Para ficar arrepiado! De cabelo em pé! Eu, particularmente, adoro essas histórias. Quer conferir? Veja o que eu digo no texto de apresentação do livro:




Pra Começar …


Sempre gostei de histórias de terror. Histórias macabras, dessas que vão passo a passo ficando pesadas e fortes sem que a gente perceba; e que vão transformando o riso primeiro num sorriso de canto de boca, depois num esgar de medo! E ainda por cima, gelando os pés e as mãos. Mas ao invés de sair correndo, quero mais, muito mais contos assim!
Quando comecei a contar histórias oralmente – e lá se vão mais de 20 anos –, muito rápido descobri uma infinidade de histórias arrepiantes, que faziam a platéia delirar. Botar medo nos outros é muito bom... Hoje, depois de tanto tempo, tenho um grande repertório dessas narrativas, mas as que mais gosto são essas aqui, que reconto agora, neste livro.
A bruxa desencantada é baseada em Franklin Cascaes e está no livro “O fantástico na ilha de Santa Catarina , em que figuram histórias que ele recolheu da boca do povo. Aliás, a ilha da magia é repleta de histórias de bruxas e o “manézinho da ilha”, tem sempre um bom caso desses pra contar.
A noiva do diabo é bastante conhecida no Rio Grande do Sul. Quando vim morar no Estado, ouvi várias versões desta história e fiquei com vontade de contá-la. Por isso acabei escrevendo uma versão minha. Além dos relatos orais que ouvi, outra importante fonte para a história foi também o livro de Antônio Augusto Fagundes, “Mitos e lendas do Rio Grande do Sul. Aliás, dizem que a história aconteceu de fato, por volta de 1930, numa cidade gaúcha chamada Encantado – nome pra lá de sugestivo!
O estranho cavaleiro é a história de tesouros enterrados, que ninguém sabe exatamente onde, mas todo mundo quer achar. Os piratas eram mestres nisso! Os bandeirantes também! São muitas histórias deste tipo, em tudo quanto é lugar. Ela está presente em muitas coletâneas de histórias populares, tanto européias quanto brasileiras, principalmente contos populares de São Paulo. Na versão que conto aqui, a ganância dos sujeitos que têm a sua coragem posta à prova me provoca um certo riso de medo e uns bons arrepios!
A procissão noturna também é muita conhecida, principalmente quando se fala de histórias de almas penadas. Sempre vi esta história em coletâneas de contos, principalmente, contos mineiros, até que fiz uma viagem de trabalho para a Espanha e fui trabalhar nas Astúrias. E qual não foi minha surpresa ao encontrar naquela região espanhola uma variante da mesma história que eu conhecia... Juntei tudo, então: a memória, as outras versões e escrevi a minha...
Espero que o leitor sinta muito medo. Que tenha vontade de largar o livro, mas que curioso, continue lendo até o fim... Depois, se tiver pesadelos, não vale me culpar! RÁ! (Rá é grito para assustar!!!).
Boas tremedeiras, bons chiliques e trimiliques, se for o caso, mas, especialmente, boas leituras!


Celso Sisto




A indicação completa do livro é esta:




SISTO, Celso. Cruz-credo! Ilustrações do autor. São Paulo, Larousse, 2008. 64p.

PALESTRA EM PORTO XAVIER


Estive na quinta-feira passada conversando com professores, alunos e demais interessados, na feira do livro de Porto Xavier. Tínhamos umas 120 pessoas na platéia e o assunto era "A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS". Foi uma delícia! O público era super interessado, havia muitos alunos do curso de Magistério e contei as seguintes histórias: "Menina bonita do laço de fita" (Ana Maria Machado), "Os figos da figueira" (conto popular), "Um espinho de marfim" (Marina Colasanti) e "Maria Angula" (conto popular). A minha ida ao município foi patrocinada pelo SESC de Santa Rosa e contei com a companhia agradável da Adriele. Foi uma manhã inesquecível... pena que não pude ver o rio Uruguai, e a Argentina, logo ali do outro lado!!! Tive que voltar correndo... e o frio estava de matar! Mas ficou a promessa da Secretária de Educação de me levar, num outro momento, para dar uma oficina para os professores, já que o interesse foi grande! Espero voltar muitas vezes!!!!

OFICINA DE CRIAÇÃO DE TEXTOS PARA O PÚBLICO INFANTIL


Estou ministrando uma oficina de produção de textos, destinada a adultos que querem escrever para crianças, no SESC Santa Rosa. Nesta oficina abordo as seguintes questões: a matéria literária infantil e seus fatores estruturantes; as espécies literárias mais exploradas pela literatura infantil; a forma literária conto popular e seus desdobramentos; gêneros literários explorados pela literatura infantil, tendências da literatura infantil atual; novidades temáticas, desconstruções, paródias e releituras. No total são 5 encontros de 4 horas/aula, num total de 20 horas/aula. É pouco, bem sabe-se, mas dá pra produzir bastante. O ideal para este tipo de trabalho, em que vamos socializar a feitura de textos, é 15 alunos. Mas, em Santa Rosa, estou trabalhando com 25 alunos! Já apareceram alguns textos muito bons! O melhor deste tipo de trabalho é a troca, essa escrita coletiva, em que todo mundo dá palpite no texto de todo mundo. As conquistas são enormes! E principalmente, o contato com obras de qualidade de outros autores, com uma leitura orientada, para que se possa perceber o processo de construção do texto. Eu adoro fazer esse trabalho!
Já tivemos aulas nos dias 14 e 28 de maio. Agora ainda teremos aula nos dias: 04, 18 e 25 de junho. E claro, estamos sempre esperando o melhor dos nossos alunos!

sábado, 26 de abril de 2008

SEMANA DO LIVRO NA PUC-RS

Meus amigos... esta semana comemoramos a Semana do Livro também no curso de Pós-Graduação da PUC-RS.
Fui convidado para dizer alguns poemas - de Cecília Meireles ou de Machado de Assis, os homenageados - nas salas de aulas. A tática era a seguinte: entrar na sala de aula da Graduação ou da Pós do Curso de Letras (onde faço Doutorado, todos sabem!) e surpreender os alunos com uma performance literária. Os professores sabiam e estavam avisados.
Foi uma delícia.
Na terça-feira passada (22/04/2008) trabalhei com os seguintes textos de Cecília Meireles:

Discurso

E aqui estou, cantando.

Um poeta é sempre irmão do vento e da água:
deixa seu ritmo por onde passa.
Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentesandaram.

Também procurei no céu a indicação de uma trajetória,
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel.

Pois aqui estou, cantando.

Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?

Ah! Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?

Fio

No fio da respiração,
rola a minha vida monótona,
rola o peso do meu coração.

Tu não vês o jogo perdendo-se
como as palavras de uma canção.

Passas longe, entre nuvens rápidas,
com tantas estrelas na mão...

— Para que serve o fio trêmulo
em que rola o meu coração?


É preciso não esquecer nada


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta
nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.


Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Na quarta-feira, dia 23/04/2008, trabalhei com os seguintes textos de Machado de Assis:

Círculo vicioso

Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:
"Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:

"Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela"
Mas a lua, fitando o sol com azedume:

"Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume"!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:

Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...

Menina e moça

Está naquela idade inquieta e duvidosa,
Que não é dia claro e é já o alvorecer;
Entreaberto botão, entrefechada rosa,
Um pouco de menina e um pouco de mulher.

Às vezes recatada, outras estouvadinha,
Casa no mesmo gesto a loucura e o pudor;
Tem cousas de criança e modos de mocinha,
Estuda o catecismo e lê versos de amor.

Outras vezes valsando, o seio lhe palpita,
De cansaço talvez, talvez de comoção.
Quando a boca vermelha os lábios abre e agita,
Não sei se pede um beijo ou faz uma oração.

Outras vezes beijando a boneca enfeitada,
Olha furtivamente o primo que sorri;
E se corre parece, à brisa enamorada,
Abrir as asas de um anjo e tranças de uma huri.

Quando a sala atravessa, é raro que não lance
Os olhos para o espelho; e raro que ao deitar
Não leia, um quarto de hora, as folhas de um romance
Em que a dama conjugue o eterno verbo amar.

Tem na alcova em que dorme, e descansa de dia,
A cama da boneca ao pé do toucador;
Quando sonha, repete, em santa companhia,
Os livros do colégio e o nome de um doutor.

Alegra-se em ouvindo os compassos da orquestra;
E quando entra num baile, é já dama do tom;
Compensa-lhe a modista os enfados da mestra;
Tem respeito a Geslin, mas adora a Dazon.

Dos cuidados da vida o mais tristonho e acerbo
Para ela é o estudo, excetuando-se talvez
A lição de sintaxe em que combina o verbo
To love, mas sorrindo ao professor de inglês.

Quantas vezes, porém, fitando o olhar no espaço,
Parece acompanhar uma etérea visão;
Quantas cruzando ao seio o delicado braço
Comprime as pulsações do inquieto coração!

Ah! se nesse momento, alucinado, fores
Cair-lhe aos pés, confiar-lhe uma esperança vã,
Hás de vê-la zombar de teus tristes amores,
Rir da tua aventura e contá-la à mamã.

É que esta criatura, adorável, divina,
Nem se pode explicar, nem se pode entender:
Procura-se a mulher e encontra-se a menina,
Quer-se ver a menina e encontra-se a mulher!

Relíquia íntima

Ilustríssimo, caro e velho amigo,
Saberás que, por um motivo urgente,
Na quinta-feira, nove do corrente,
Preciso muito de falar contigo.

E aproveitando o portador te digo,
Que nessa ocasião terás presente,
A esperada gravura de patente
Em que o Dante regressa do Inimigo.

Manda-me pois dizer pelo bombeiro
Se às três e meia te acharás postado
Junto à porta do Garnier livreiro:

Senão, escolhe outro lugar azado;
Mas dá logo a resposta ao mensageiro,
E continua a crer no teu Machado.


Constatação: dizer poemas é muito bom! As pessoas também gostam de ouvir! E por que não fazemos mais isso? Por que não promovemos saraus literários, como nos velhos tempos? Falar às pessoas, através dos versos dos grandes poetas é estabelecer esse diálogo, em que a emoção viva pode ser tocada, no ar!

domingo, 20 de abril de 2008

OFICINA NO FÓRUM DE LITERATURA

Quem não foi ao 2ºFórum de Literatura Infantil e Juvenil do Rio Grande do Sul, perdeu! As atividades oferecidas foram de uma qualidade e riqueza imensas!


Além de ter participado do painel de escritores, atividade promovida pela associação gaúcha de escritores e coordenado por Christina Dias, dei uma oficina que se chamou TÉCNICAS PARA O TRABALHO COM LITERATURA INFANTIL E JUVENIL, com carga horária de 3 horas/aula, para dois grupos disntintos, um pela manhã e outro pela tarde, no sábado, dia 19 de abril de 2008.


Minha oficina, cuja ementa era: exploração do texto literário a partir das dimensões pedagógica, psicológica, histórica, estética, social e cultural, como caminhos para perceber a pluralidade de leituras que um texto comporta. Propostas lúdicas de criação de atividades, a partir do texto ficcional. Exercícios práticos.


O texto, escrito por mim para a oficina é esse:


UMA MULTIPLICIDADE DE LEITURAS
Celso Sisto
[1]
http://www.celsosisto.com/

O texto literário é sempre uma incógnita! Estou falando de sua recepção: como o leitor vai receber um determinado texto? Vai gostar, ficar arrepiado, com os olhos cheios d’água? Vai ter vontade de ser o personagem da história (seja ele qual for)? Vai ficar pensativo, lembrar-se de algo parecido que viveu ou já viu acontecer? Vai achar excelente, bom, ruim? Vai ter vontade de argumentar, defender um personagem, discordar de suas atitudes? Vai se ver vivendo num outro lugar e num outro tempo? Vai obter informações sobre coisas interessantes que não sabia? Vai descobrir uma maneira de lidar com um problema pelo qual já passou ou está passando? Vai ficar feliz de travar contato com algo tão criativo ou fantástico ou inusitado? São tantas as maneiras de um texto atingir o leitor! (e ninguém leva para a sala de aula um texto que não seja para afetar o leitor!). A pior coisa para uma obra de arte é a indiferença!
De alguma maneira o texto tem que afetar o leitor. Esse é o princípio da identidade (ou da memória): permanece aquilo que me atinge. E esse atingir também tem muitas vias. Pode ser pela emoção, pelo conteúdo histórico, pelas técnicas empregadas pelo autor para construir a história; pelas possibilidades de discussão social; pela alegria em descobrir coisas que não se sabia, sobre a vida, sobre o mundo, sobre um determinado assunto, sobre si mesmo; pela satisfação e curiosidade de “ver” uma outra cultura diferente da nossa, enfim, pela magia da arte de dar vida e transformar, com palavras.
Por mais que não percebamos - ou ainda que façamos isso de modo intuitivo e aleatoriamente -, é sempre possível observar um texto literário em várias dimensões. De imediato podemos levantar, a partir do texto, os níveis psicológico, histórico, estético, social, cultural e pedagógico. Para isso é necessário fazermo-nos algumas perguntas. Vejamos algumas possibilidades:
No nível psicológico: a partir dos conflitos que aparecem na história, pode-se pensar em valores, em ética, em moral, em formação do sujeito, construção da personalidade, etc. De que maneira a obra “delineia” essas questões ou permite “vivê-las” no plano mental?
No nível histórico: o pano de fundo da história é o hoje? É outro tempo? Qual? Está explícito ou é deduzível?
No nível estético da obra: como o autor conta sua história, que tipo de estrutura ele usa (é uma história linear, com relação de causa e conseqüências entre os fatos? Ou os fatos são “descosturados”, fragmentados, com se fosse apenas um painel? Há um vai e vem, uma alternância entre passado e presente? Ou é circular, isto é, começa e acaba no mesmo ponto)? É conto, lenda, mito, fábula, etc.? Qual o gênero: amor, humor, terror, aventura, mistério, etc.? A linguagem usada no texto é coloquial, cotidiana ou é poética? A ilustração amplia o texto escrito ou repete o que está dito? Qual o estilo da ilustração, quase fotográfica ou “inventiva”? Que cores são usadas: vibrantes, frias, esmaecidas? Que material o ilustrador emprega? Pode-se fazer alguma aproximação com a pintura, com a obra de outros artistas plásticos?
No nível social: que papéis sociais os personagens representam? Há uma ideologia aparente? Ou várias ideologias? Qual predomina? As posições assumidas têm um cunho autoritário, dogmático ou permitem posições diferenciadas?
No nível pedagógico: o que é possível discutir com essa história? O que eu posso aprender com ela, que não seja fechado e único? O aprendizado contido nesta história é puramente informativo ou formativo? Eu aprendo sobre a vida? Sobre os outros? Sobre mim? Sobre a arte da própria escrita?
No nível cultural: que usos, costumes, crenças, padrões artísticos da “sociedade” aparecem na história? Há uma ou várias culturas em convivência no texto? Há juízos de valores ou esse é um aspecto aberto?
Certamente perceber essas dimensões de um texto literário é fazer uma leitura rica e cheia de possibilidades, inclusive para sair da mesmice, quase sempre centrada em aspectos pedagógicos do texto.
Mas há um antes, que precisa ser cuidado também. O momento (que considero sagrado!) da escolha. O papel do professor é de multiplicador, de propagador, portanto, não há espaço para promovermos textos ruins! Livros ruins! Livros deliberadamente comerciais e mal feitos!
Vejamos algumas dicas que podem nos ajudar a perceber a qualidade do texto. Para escolher bem um texto é necessário perceber: 1. As emoções que o texto desencadeia em você; 2. Se os conflitos apresentados na história são instigantes; 3. Se os personagens estão bem delineados (Há coerência entre a “fala” do narrador e a linguagem e a ação dos personagens? Os personagens não são estereotipados? Os personagens são lineares demais?; 4. Se a estrutura da história está bem armada; 5. Se a linguagem é coerente, acessível, (e que não se preocupe em fazer concessão ao fácil); 6. A extensão do texto; 7. Se o texto apresenta possibilidades de interpretação nas entrelinhas (se dá espaço para o leitor completar as coisas ou se dá tudo “mastigadinho”!); 8. Se o texto pode ser contado (é preciso fazer adaptações do escrito para o oral? Isso não vai descaracterizar a obra e o estilo do autor?); 9. Se há uma preocupação clara em passar ensinamentos em detrimento da arte de escrever e contar bem uma história (o que compromete o texto, claro!); 10. Se o texto é óbvio, didático, doutrinário, preconceituoso; 11. Se o texto cativa, se suscita o desejo de querer ouvir e/ou ler novas histórias; 12. Se o texto dá prazer, provoca arrepios, leva à percepção de novas coisas, amplia a imaginação, mostra novos ângulos do mundo, da vida, do homem...
E por fim, podemos constatar, que ao ler ou ouvir uma história as crianças querem se divertir (e viver várias emoções), querem ser desafiadas, querem trocar/dialogar com a história; querem “aprender” (no sentido mais amplo possível da palavra! Não é obrigá-las a guardar e repetir informações inúteis!). Portanto, abandonemos de vez as escolhas (infundadas) no moralismo e nas boas intenções, pois elas são insuficientes para garantir um bom texto e para garantir o interesse das crianças!
Uma dica eficaz: visando ampliar nossa margem de escolha de livros, para acertarmos cada vez mais, podemos visitar uma livraria uma vez por mês (que seja! se pudermos mais, façamos!); visitar a biblioteca pública, fuçar nas estantes e consultar a lista dos principais prêmios literários do país (especialmente a lista dos prêmios da FNLIJ e o prêmio Jabuti, na categoria infanto-juvenil). Precisamos estar a par do que tem sido publicado pelas editoras, quem são os autores, quais livros vendem, o que faz ou não sucesso... Isso é o mínimo que podemos fazer se quisermos trabalhar com a literatura de qualidade no nosso exercício (honesto!) de professor!



[1] Celso Sisto é escritor, ilustrador, contador de histórias do grupo Morandubetá (RJ), ator, arte-educador, Especialista em literatura infantil e juvenil, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Doutorando em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e responsável pela formação de inúmeros grupos de contadores de histórias espalhados pelo Brasil. Tem 34 livros publicados para crianças e jovens e recebeu os prêmios de autor revelação do ano de 1994 (com o livro Ver-de-ver-meu-pai, Editora Nova Fronteira) e ilustrador revelação do ano de 1999 (com o livro Francisco Gabiroba Tabajara Tupã, da editora EDC); ambos concedidos pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Vários dos seus livros também receberam o selo Altamente Recomendável, desta mesma Fundação.



A partir da leitura do texto teórico, fizemos uma leitura investigativa dessas dimensões apontadas pelo texto (pedagógica, psicológica, histórica, social, estética e cultural), na obra BEIJO DE SOL, de Celso Sisto.



BEIJO DE SOL[1]

Para as outras tão cecílias: Lúcia Jurema, Vera Varella, Fátima Miguez,

Eliana Yunes e Norma Ribeiro



Quando o dia amanhecia,
Cecília já tinha beijado o sol.
Depois quando ouvia o
primeiro passo dentro de casa,
corria pra contar:
- Mãe, hoje foi um beijo de
jabuticaba!
E lá ia ela perfumada de fruta
se esconder atrás
dos cadernos da escola.

Na aula de artes
desenhava bolinhas roxas,
pedindo para os amigos
adivinharem:
- É um lenço de bolinhas?
- Não, não!
-É... um menino com sarampo?
- Não, claro que não!
- É o chão da lua?
- É óbvio que não é!
E escondia o desenho,
de cara emburrada,
porque ninguém tinha conseguido
entrar no seu sonho.

No dia seguinte,
o sol despontando,
corria Cecília
quando sentia o cheiro do café:
- Mãe, hoje ele me deu
um beijo de borboleta!
E lá ia ela quase que voando,
levar a notícia leve para a classe
que imaginava um jardim.

Na aula de ginástica
A brincadeira era de mímica
e o tema era bichos.
Apareceu um pilombo de duas cabeças,
um esturquino com quatro rabos,
um pomerangue com garras afiadas,
um tuledante com cinqüenta e nove dentes,
mas ninguém conseguiu ver
a borboleta de Cecília.
E a volta pra casa, nesse dia,
foi um arrastar de asas,
como se voar pintado
não fosse mais possível.

Esquecido o antes,
vinha de novo o sol.
E com ele o
primeiro xixi do dia,
e atrás, Cecília:
- Manhê, hoje ele
me beijou salgado!
E lá ia ela,
enfeitada de mar,
construir castelos de areia
por entre as contas
de diminuir e de somar.

Na aula de matemática
ninguém conseguia acertar
a conta de Cecília:
muitas conchas
mais muitos grãos de areia
mais muitas estrelas de cinco pontas
era sempre igual
a um conjunto vazio,
diziam eles.
E o resultado final
era voltar para casa
sem ter ganhado nota boa.

Um dia o sol não veio,
e ao correr
a primeira água na torneira
apareceu Cecília:
- Mãe, hoje ele me chamou
de boba e me bateu!
Foi um custo para ir à escola.
Ia a mãe,
arrastando pela rua
um saco de pedras,
para não deixar afundar
o navio sem âncora.

Na hora do conto
não se ouviu a voz de Cecília,
mesmo sendo, naquele dia,
a história da moça guerreira
que ficava gostando da lua.
Alguém sentiu sua falta.
Procuraram em todos os lugares
que sabiam que Cecília gostava
de brincar de estar:
dentro do baú de sonhos,
embaixo das mesas-navios,
atrás da porta do castelo da sala de aula.
Nada.

Não precisavam ter ido tão longe.
Em cima da mesa,
no livro aberto,
na página vinte e três
- lá estava Cecília,
subindo num raio dourado de sol,
para ser sempre
ou isto ou aquilo.


[1] SISTO, Celso. Beijo de sol. Rio de Janeiro, Ediouro, 1995. [Ilustrações de Marilda Castanha]







Em seguida, foi proposto que a história fosse recontada num novo formato. Que ficou dividido da seguinte maneira: 1) Psicológico: carta; 2) Histórico: um contrato; 3) Estético: poema narrativo ou propaganda de tevê; 4) Social: rap ou funk; 5) Cultural: uma receita (de comida); 6) Pedagógico: bula de remédio. A nova forma tinha que contar toda a história que está no livro!


Os trabalhos dos grupos foram muito bons e criativos. Em breve vou colocà-los aqui.


domingo, 13 de abril de 2008

2º FÓRUM ESTADUAL DE LITERATURA INFANTIL & JUVENIL DO RS

Nesta semana vai acontecer o 2º Fórum de literatura infantil e juvenil do Rio Grande do Sul. A realização é das Secretarias Municipais de Educação e Cultura de Porto Alegre. Na programação palestras, colóquios com escritores, painéis e oficinas.

Eu estarei participando do painel de escritores, promovido pela Associação Gaúcha de Escritores (AGES), no dia 18 de abril. O painel está programado para acontecer das 13h às 18h.

Também e estrei ministrando a oficina "TÉCNICAS para o trabalho com literatura infantil e juvenil", no dia 19, uma turma pela manhã (8h30min às 11h30min) e outra à tarde (13h às 16h30min).

O Fórum é nos dias 18 e 19 de abril de 2008, no Teatro de Câmara Túlio Piva (REpública, 545 - Cidade Baixa - Porto Alegre-RS).

sexta-feira, 4 de abril de 2008

FOTO DE PRESENTE

No ano passado, eu, Caio Ritter e Hermes Bernardi Jr. fomos jurados do 8º prêmio Habitasul - Revelação Literária, na categoria Dando a Letra, em que podem participar crianças até 12 anos. Foi uma delícia ler os textos e escolher depois, o premiado e os que estariam no livro, editado pela Habitasul, que (desculpem a similaridade sonora!), habitualmente é ofertado ao público, no dia da entrega do prêmio!

Como memória dessa noite de premiados, está aí a foto do vencedor Henrique Petiz Caetano com essa trinca de amigos! A foto, ganhei de presente do meu amigo Hermes (O mensageiro!).

quinta-feira, 3 de abril de 2008

PARA QUE SERVEM OS PRÊMIOS?

Pois é... Quem não fica feliz ao saber que ganhou um prêmio? Sabemos bem que há órgãos, instituições, esferas de poder, que legitimam as ações, os acontecimentos, os produtos, em sua área de atuação...

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) têm, desde 1974 um prêmio para sinalizar, destacar, promover a literatura de qualidade, publicada para crianças e jovens, neste país. São várias categorias, que foram, inclusive sendo criadas, ao longo da existência do prêmio. E são vários os votantes do prêmio, de várias partes do país: especialistas, livreiros, bibliotecários, pesquisadores, enfim.

E são várias, as maneiras de sinalizar essas obras. Há a confeção de uma lista de livros, feita por esta instiuição, que se chama ACERVO BÁSICO, que pode servir para orientar compras e escolhas. Há a lista dos ALTAMENTE RECOMENDÁVEIS, nas várias categorias, de onde saem os primeiros prêmios, denominado de "O MELHOR LIVRO DE..." E há ainda, uma seleção, feita com base na seleção dos livros publicados no ano, para compor o catálogo da Feira de Bolonha, que acaba também funcionando como um prêmio para os autores, ilustradores, editores. A Feira de Bolonha é uma das mais importantes feiras de literatura infantil, na qual o Brasil está sempre representado, com uma exposição (dentre outras coisas) dos livros que foram selecionados, pela FNLIJ, para seu catálogo. Quem não gostaria de saber que sua obra vai ser exposta fora do país?








Com tudo isso, aproveito para dizer, que da minha produção publicada em 2007, os livros "MÃE ÁFRICA" (Editora Paulus) ganhou o selo ALTAMENTE RECOMENDÁVEL e "MUNDARÉU" (Editora Paulus) foi selecionado para o catálogo da 45º feira de livros infantis de Bolonha.

Certamente, estou feliz! Principalmente por perceber que meus dois livros, um relacionado com a cultura africana, o outro, com a cultura indígena, podem abrir caminho para que divulguemos, cada vez mais as histórias populares dessas culturas, formadoras da nossa brasilidade! Isso sim, me deixa imensamente feliz! Contribuir para esse respeito e admiração!

domingo, 30 de março de 2008

1º ENCONTRO REGIONAL DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS



Aconteceu em Picada Café o 1º Encontro Regional de Contação de Histórias, nos dias 26 e 27 de março de 2008.

O encontro começou na noite do dia 26 de março, com uma sessão de contos narrados pelos contadores convidados (CELSO SISTO, CLÉO BUSATTO, LÚCIA FIDALGO E MARÔ BARBIERI). Foi um momento mágico, em que a platéia - cerca de 120 professores - pôde se encantar com a arte da narração!

Eu contei "A Bruxa Salomé" (de Audrey Wood, publicado no Brasil pela Ática, em 1994). Cléo contou um conto oriental (o do pássaro que vai apagar o fogo da floresta, carregando água nas asas...), Lúcia contou a história do "João Bobo" (encontrável em muitas coletâneas de contos populares... ela contou o registro dos irmãos Grimm) e Marô contou a história "O espelho da princesa", recontado por Sonia Junqueira, no livro da editora Atual.

Em seguida, foi realizado um painel, com a seguinte questão: contar histórias ajuda na formação do leitor? Fui o primeiro a falar, e defendi a seguinte posição...

"Não se pode mais ver o contar histórias de uma forma ingênua! Ele tem que ser visto relacionado ao contexto dessa linguagem artística no nosso país, Estado ou Região...(a arte quer impactar, dizer, comunicar, pronunciar, interferir/modificar o sujeito pelo objeto estético/apontar atalhos e "respiradouros" para o cotidiano/sinalizar seus pressupostos)... Prefiro vir do macro para o micro -. Ou seja, há uma multiplicidades nesta área, de caminhos e conquistas: uma história de quem já conta histórias há muitos anos; gente que conta e nem sabe o que está fazendo; gente preocupada em encontrar um caminho artístico para "falar" com o mundo (e fundamentar esse caminho); gente que visa um uso funcional e cotidiano do contar histórias (esse tem sido oda Escola , o da Educação). O que eu observo neste uso prosaico, cotidiano do contar histórias é uma ausência de profundidade das ações. Um empirismo conteudístico! Um vale tudo porque a meta é entreter! É fazer, não importa como! Isso é valido, claro, mas é preciso visar outros estágios dessa formação do contador de histórias (profissional!).


E aí, você me pergunta: contar histórias ajuda na formação do leitor? E eu digo: deveria ajudar, mas depende!

Depende de que? De quem?

Minha resposta tem como palavra-chave o termo QUALIDADE! E se desmembra em 7 aspectos:

1. do contador: ele está preparado? investiu nisso? é leitor? treinou sua capacidade de sedução?

2. do texto que ele conta (compromisso com a literatura de qualidade)

3. do público (estão familiarizados com o exercício de ouvir histórias? qual o perfil desse público?)

4. do momento (é o ideal? é o momento certo?)

5. das estratégias (o professor vai cobrar depois? vai viciar num tipo de exercício após o contar?)

6. da continuidade (só conta quando há brecha no planejamento? quando os alunos estão muito agitados?Há que transformar isso num projeto, inclusive em casa!)

7. da variedade (abarcar o maior número possível de gêneros, formas, etc.. no fazer, no suporte)

Lembrando: se os professores não podem fazer isso, que as escolas contratem contadores de histórias profissionais! Já há quem faça isso, escolas que tem esse profissional para entrar nas salas de aulas, uma vez por semana, por exemplo, para contar uma história (vi isso em Minas Gerais, em Florianópolis...). Essa prática é comum fora da Escola, normalmente em Bibliotecas Públicas, em Fundações (a Fundação Oswaldo Cruz tem contadores de histórias contratados!), em Centros Culturais (o do Banco do Brasil, o do Itaú, etc. tem esse profissional, normalmente ligados a projetos pedagógicos...).

E para concluir, uma frase do espanhol Antonio Rodríguez Almodovar, que está no seu livro "Animando a animar", na página 15: "si no formamos el oído del niño a través del cuento, la canción, el romance, la adivinanza, la retahíla... el fuego de la palabra nunca prenderá en su corazón". E sem esse fogo da palavra, fixado no coração, não há história que resista!

No dia seguinte, dia 27 de março de 2008, foram oferecidas aos participantes, as seguintes oficinas:

Celso Sisto – A arte de contar histórias
Proposta: Trabalhar os elementos técnicos essenciais da arte de contar histórias, de forma coletiva, prática e lúdica, sem a utilização de quaisquer outros recursos que não os próprios do instrumental humano, e responsáveis por sustentarem uma boa performance. A ênfase maior recairá sobre o tripé da história: texto, corpo, voz.

Cleo Busatto - Contar e encantar
Proposta: Indicar algumas possibilidades a quem pretende contar histórias: apresentar a técnica da narração oral ; estimular a oralidade em sala de aula; exercitar a fala estética.

Lúcia Fidalgo - Contando e ouvindo histórias e formando leitores
Proposta: Trabalhar os contos e as leituras de cada um para despertar o prazer pelo livro,pelo texto e pela leitura,usando também como instrumentos as palavras das histórias contadas

Marô Barbieri - história é pra contar!
Proposta: Estabelecer critérios para seleção de material de contação; diversificar e inovar as atividades de contação; conhecer e utilizar elementos de apoio para contação; analisar diferentes propostas de aproveitamento de elementos textuais,

Ao final do encontro, contadores da região narraram histórias para o público, no auditório.

Foi um encontro pra lá de estimulante!

Espero que aconteçam outros do mesmo nível, para que as questões tenham continuidade e ganhem mais profundidade.

Agradeço aos organizadores: Nóia Kern, Carla Chamorro... e a minha monitora, Maristela (e toda a equipe que certamente está por trás de um evento deste porte!). Do fundo do meu coração!

segunda-feira, 3 de março de 2008

ENTREVISTA PARA A REVISTA DONA & CIA.


No finalzinho da semana passada, a Clarice Passos, que escreve para a revista DONA & CIA., recém lançada nas bancas, me procurou, para uma entrevista. Ela queria fazer uma matéria sobre a arte de contar histórias para as crianças, com a finalidade de conscientizar as mães sobre a importância de tal tarefa, dar dicas de como fazer isso de modo melhor e apontar os benefícios que decorrem de tal atividade.


A entrevista consistiu nas perguntas abaixo. Gostei das perguntas, então reproduzo-as aqui. Mas o melhor mesmo é ver como ficou tudo isto na própria revista!




1. Qual a importância de contar histórias?




Eu diria no plural! São muitas as “importâncias” do contar histórias! Contar histórias é importante para a formação do leitor, para a consolidação da cidadania, para criar relações de proximidade entre as pessoas, para experimentar papéis sociais e situações de conflito no plano mental e imaginário, para treinar a imaginação e possibilitar o aparecimento do sujeito criativo e criador, etc.




2. No que isso contribui para a formação da criança? Existe um aspecto, de certa forma, escolar - de despertar para a leitura - mas há algum outro grau de influência do "ouvir histórias"?




O contar histórias contribui para a formação da criança em vários aspectos: no plano estético, no cultural, no histórico, no psicológico, no didático, no social. No plano estético ela aprende a lidar com os elementos da arte, convivendo com a literatura. No plano cultural ela tem contato com outras realidades culturais que não estariam a seu alcance imediato e geográfico; no plano histórico, ela pode ter acesso a outros tempos e lugares; no plano psicológico ela aprende sobre conflitos, resoluções de conflitos, “viver emoções no lugar do outro”, treinar sua personalidade, descobrir igualdades e diferenças; no plano didático( e esse é sempre o mais visível na educação)aprende que as histórias tem uma progressão, que uma narrativa tem inicio, meio e fim, ou seja, acabam internalizando uma estrutura narrativa e são estimuladas a ampliar o imaginário, cada vez mais e a criar. Afinal, o ouvinte é sempre co-autor da história que ele ouve (ou lê!). E no plano social, o contar histórias contribui para que a criança percebe, nas histórias que ouve, uma rede de relações e perfis sociais. Mesmo que ela não saiba dar nome a todas essas coisas! As crianças acostumadas a ouvirem histórias desde cedo, certamente estarão sensibilizadas para a leitura. Mas isso só não basta! É preciso que este seja um valor positivo no ambiente em que a criança vive. É preciso que o “entorno” tenha ambiências de leitura, ou seja, que ela esteja acostumada a ver as pessoas lerem ao seu redor (principalmente os pais e as pessoas mais próximas, que haja livros e biblioteca na sua casa (nem que seja uma prateleira), que ela freqüente a biblioteca pública, inclusive para “desescolarizar” a leitura, porque sempre acaba parecendo que a leitura é uma obrigação e uma tarefa da escola!




3. A partir de que idade uma criança pode ouvir histórias com interesse?




Desde a gestação! Existem vários estudos que confirmam que a s crianças acostumadas a ouvirem histórias ainda na barriga, vão se familiarizando com a musicalidade da fala, vão se acostumando com o aspecto oral das relações das pessoas, vão percebendo a proximidade e afetividade que vai embutida no contar histórias.


É claro que quem conta histórias tem que estar atento aos sinais do seu ouvinte! E sobretudo, aos interesses dos seus ouvintes, na medida em que vão amadurecendo, como pessoas e como leitores. Quanto menor a criança, mais o contador de histórias precisa caprichar nos recursos vocais e corporais, para manter a atenção da criança, para renovar o interesse, para criar outros ambientes, no plano da imaginação, para sair do cotidiano, para instaurar um outro “eu”, afinal, o contador de histórias é um personagem, que qualquer um pode assumir.




4. Que tipo de histórias são recomendadas para cada faixa etária, de maneira geral?




Quem lida com literatura e formação do leitor tem horror em falar em faixa etária. Essas classificações são, muitas vezes, estratégias das editoras, para classificar e vender livros, e são falhas! É preciso mesmo é conhecer o ouvinte, e principalmente, conhecê-lo como leitor, saber da sua experiência e maturidade com os livros e as histórias. Você, por exemplo, pode ter uma criança de 12 anos, lendo livros que uma criança de 7 estaria lendo, ou uma criança de 12, lendo livros que uma de 16 estaria lendo. Então, tudo isso é muito relativo! Inclusive, para nós que estudamos essas questões, usa-se uma outra nomenclatura, como pré-leitor, leitor iniciante, leitor experiente, leitor crítico, etc.




5. Seu pai ou sua mãe te contavam histórias? Que memórias você tem disso, caso a resposta seja afirmativa?




Minhas avós eram grandes contadoras de histórias. Contavam muitas histórias familiares, histórias de vida, histórias da infância delas. Meu pai adorava nos contar histórias de grandes personagens da História do Brasil. Mas tive professores que cumpriram muito bem esse papel. Minha professora da primeira série, numa escola pública no Rio de Janeiro (Escola Benedito Ottoni), nos contava, todos os dias, um pouco do livro “O gênio do crime”, de João Carlos Marinho. Essa narrativa em capítulos, super bem dosada, nos instigava, mexia com a nossa imaginação, fazia-nos ter desejo de ter nas mãos aquele livro, de onde sabíamos que ela tirava a história. Essa estratégia era e continua sendo muito eficaz!




6. Contar histórias para os filhos pode ser um exercício diário? Você recomenda a criação de um "momento" específico para isso?




Com certeza! É bastante comum os pais contarem histórias para as crianças, antes delas dormirem. Isso é muito bom! Sempre! Mas não podemos esquecer que a função do contar histórias não é ser “sonífero” e nem um instrumento do sono! Por isso, pode ser de grande valia repetir esses momentos em outros horários, que não seja a hora de dormir. O que mais agrada a criança, além de tudo, é esse momento de afeto e intimidade que as histórias proporcionam entre pais e filhos. E isso, certamente, acaba sendo uma ótima associação: o livro e as histórias acabam vindo sempre associados ao afeto! Mas, quando isso é freqüente!




7. O que é preciso para contar uma história para seu filho? Um livro? Marionetes? Apenas a imaginação?




Tudo isso pode ser usado. O livro, objetos, só a imaginação, o que o contador preferir. O que a criança quiser ou demonstrar mais interesse. Na verdade, o mais rico é a variedade, contar de tempos em tempos usando recursos diferentes. Mas é preciso não se perder nos recursos e deixar a história em segundo plano. O mais importante é a história! Mas, a presença física do livro também é de suma importância, mesmo que ele não vá ser usado, mesmo que ele esteja ali ao lado apenas como figura “decorativa”. O contador pode contar de cabeça, de memória, pode contar se utilizando das imagens do livro, pode mostrar o livro antes, conversar com a criança sobre o livro, e na hora de contar, fechar o livro... Ou seja, ter o livro de fato, ajuda a associar as histórias ao livro e contribui para a formação do leitor!




8. Como despertar a contadora de histórias que existe nas mães? Em outras palavras, liste 10 dicas que você daria para as mães que não têm esse hábito ou não se consideram muito boas na atividade.




1. Para despertar o contador de histórias que existe dentro de cada um é preciso ler, procurar, formar uma bagagem de leitura, freqüentar livrarias, bibliotecas, conhecer os livros premiados pelas instituições que cuidam da excelência dos livros para crianças e jovens, para que as escolhas sejam acertadas! A qualidade do que se conta para a criança deve ser uma preocupação!2. é preciso não ficar se censurando na hora de contar a história, pensando coisas do tipo: “ai, que ridículo!”. Isso destrói a espontaneidade!3. é preciso ver a história como um brinquedo, e usá-la de forma lúdica, para brincar com a criança: brincar de imaginar, de pensar, de se divertir...4. Estar atento aos usos da voz. Pode-se mudar a voz para fazer a voz do personagem, cantar no meio da história, fazer sons de fenômenos da natureza, criar ritmo, suspense, etc. A voz não pode ser a mesma do início ao fim senão fica chato!5. Usar o corpo, movimentar-se, fazer ações, isso renova a atenção e descortina para a criança uma outra pessoa, diferente do cotidiano... As crianças adoram ver os adultos em outros papéis que elas não estão acostumadas a ver!6. Prestar a atenção se você está usando a emoção. Para usar a emoção é preciso acreditar e sentir. Isso é fundamental para fazer o outro embarcar na história que está sendo contada!7. Não esquecer das pausas e do silêncio. Ninguém pode contar uma história numa enxurrada só, querendo se livrar da história e daquela tarefa. É preciso dar tempo para a criança “visualizar” o que está sendo contado; é preciso não ter pressa.8. Prestar atenção no vocabulário usado, na adequação da história ao ouvinte.9. Não ficar “didatizando” a história, ou seja, fazendo pergunta e interrompendo toda hora para ver se a criança entendeu ou está entendendo. Elas mesmas se encarregam de demonstrar isso!10. Olhar nos olhos do ouvinte sempre! Os olhos são a porta de entrada da história e o cordão umbilical do imaginário!




9. Quais são suas cinco histórias preferidas (folclóricas, literárias, vale tudo!)




As histórias que mais conto, como contador de histórias são:1. Menina bonita do laço de fita (de Ana Maria Machado)2. O macaco e a velha (conto popular... adoro a versão do Ricardo Azevedo)3. A bruxa Salomé (uma versão primorosa da escritora Audrey Wood, para a história dos Sete Cabritinhos)4. Os figos da figueira (um conto popular português, que está em várias coletâneas de folclore, inclusive em Câmara Cascudo e Silvio Romero, nossos mais profícuos folcloristas)5. Galo, galo não me calo (da Sylvia Orthof) e “Apanhei assim mesmo” (Ruth Rocha). São duas histórias contemporâneas, de nossos melhores autores, e sobretudo contos de humor! As crianças adoram!




10. Como você começou a contar histórias?




Eu tinha acabado de me formar em Artes Cênicas e estava terminando o curso de Letras. Fui então, trabalhar na Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e fiquei sabendo lá, que existia isso: um grupo de contadores de histórias. Fui convidado para participar deste grupo, nesta fundação e não parei mais. Acabei me tornando um profissional da área, e comecei a escrever e a ilustrar e hoje vivo inteiramente dedicado à literatura! Fazendo tudo isso! E trabalhando com o mesmo grupo, há vinte anos, o grupo MORANDUBETÁ, que em tupi-guarani quer dizer MUITAS HISTÓRIAS, VÁRIAS HISTÓRIAS. O grupo é formado por BENITA PRIETO, LÚCIA FIDALGOS, ELIANA YUNES e eu, CELSO SISTO. Já formamos muitos contadores e grupos de contadores por esse mundo afora. Não só no Brasil, como no exterior.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

PROJETO VENTO DE LETRAS EM OSÓRIO



Osório é a cidade dos cataventos! O Parque Eólico, que produz energia na velocidade dos ventos, também ajuda a produzir boas idéias! Minha amiga Marô Barbieri, idealizou e coordenará, para a Prefeitura e Secretaria de Educação do Município, o projeto "VENTO DE LETRAS", que levará, durante o ano letivo de 2008, 10 escritores às escolas da cidade. Cada mês, um escritor estará visitando a escola em que foi "adotado". A escola vai se preparar para essa visita com antecedência. Vai ler e trabalhar com as obras do autor escolhido por aquele estabelecimento e produzir trabalhos para serem mostrados no grande dia.


Estou bastante feliz de participar deste projeto. Meus companheiros na ventania destas letras são:




- CAIO RITTER


- CARLOS URBIN


- CELSO GUTTIFRIEND


- CRISTINA DIAS


- HERMES BERNARDI Jr.


- JANE TUTIKIAN


- MARÔ BARBIERI


- SERGIO NAPP


- VALESKA DE ASSIS




Hoje foi a abertura do ano letivo e lançamento oficial do Projeto. Além da apresentação, para os professores do Município, reunidos no GAÓ, fomos brindados com um espetáculo do grande mágico e contador de histórias ERIC CHARTIER, e com um delicioso almoço na Fazenda Santa Helena.


Bons ventos começam a soprar o ano de 2008!


terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

TRABALHO NOVO DE TEXTO E ILUSTRAÇÃO - UMA PRÉVIA

Terminei hoje, as ilustrações do meu novo livro da editora Larousse. O livro chama-se CRUZ-CREDO e é um livro de contos de terror. Nele reconto 4 histórias de vários lugares. Estão no livro: A bruxa desencantada; A noiva do diabo; O estranho cavaleiro; A procissão noturna. São histórias pra sentir medo ou ficar arrepiado.


O livro fará parte da Coleção "De boca em boca". Obedecendo ao padrão já adotado para a coleção, as imagens serão monocromáticas. Trabalhar sem poder usar uma ampla paleta de cores é um exercício difícil. O que conta são os claros e escuros, única nuance possível na impressão!

Mas mesmo assim, usei, nos originais, o máximo possível de tonalidades de verdes, que foi a cor que escolhi trabalhar. Gostei do resultado, no original. E agora, fico curioso para saber como ficará na impressão.



Para se ter uma idéia das ilustrações, vejamos uma imagem de cada uma das histórias:



ilustração para o conto "A bruxa desencantada", do livro Cruz-Credo, de Celso Sisto


Gostei muito de trabalhar com os brancos de fundo, como na ilustração acima.




Na segunda história usei umas imagens um pouco mais destorcidas e mais aquareladas. Gosto dessa brincadeira de variar, já que na primeira história eu tinha trabalhado com as cores mais vibrantes. O desafio neste conto foi criar novas imagens para uma história que já publiquei separada, num outro livro de 1999. Agora ela tinha que se adequar ao estilo também das outras histórias do livro. E necessariamente seriam menores do que no livro anterior.



(ilustração de Celso Sisto para o conto "A noiva do diabo", do livro CRUZ-CREDO!, de sua autoria)



Na terceira história, foi muito bom investir na expressão dos personagens e nos movimentos que designam ação. Talvez seja a história em que maior carga dramática aparece na expressão dos personagens. Foi a história mais difícil de fazer!





(ilustração de Celso Sisto para o conto "O estranho cavaleiro", do livro Cruz-Credo!)


E na quarta e última história do livro, brinco mais com a visão espacial.

(ilustração de Celso Sisto para o conto "A procissão noturna", do livro Cruz-Credo!, de sua autoria)

Foi uma delícia fazer esse livro, e depois de concluído vejo que as histórias têm bastante espaço externo e estão mais detalhadas, em termos de desenho. Curioso, pra mim, perceber, que tenho aprendido muito em relação ao desenho, uma vez que minha preocupação sempre foi mais com a parte plástica!

Para este livro, no total foram 33 ilustrações, mais a capa. A primeira história tem 6 ilustrações, a segunda, 8, a terceira, 11 e a quarta, 8. Ufa!

Foi, certamente, um exercício engrandecedor! Espero que a impressão seja boa também! Todo ilustrador sabe que, dependendo do tratamento dado ao material, a impressão pode se distanciar, e muito, dos originais!


É esperar pra ver! E torcer!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

CONTANDO HISTÓRIAS NA FEIRA DO LIVRO DE IMBÉ

Foi a IV Feira do livro da cidade de Imbé. O local da feira é bem gostoso, de frente para o mar. Estiveram por lá vários escritores amigos meus: Mário Pirata, Carlos Urbim, Fabrício Carpinejar. A feira, que começou na sexta-feira, dia 1 de fevereiro, portanto, antes do Carnaval, seguiu até o final de semana após as folias momescas! E me parece que o público, apesar do Carnaval (ou quem sabe, porque era Carnaval?) esteve presente em bom número.
No dia da minha participação (7 de fevereiro de 2008) também fui à TV COM dar uma entrevista ao vivo. O studio da TV, montado na praia de Capão da Canoa é muito agradável, de vidro e com uma visão muito legal do mar. Fui entrevistado pela apresentadora Simone, do Programa de Verão. A entrevista foi muito agradável e eu me senti bastante a vontade! Se alguém quiser conferir a entrevista, é possível, acessando o site : clicrbs.com.br, em seguida ir clicando em: verão 2008, vídeos, últimos 7 dias, Programa de Verão da TV COM.
Mas emocionante mesmo é estar de frente para o público, ali na feira, uma mistura saudável de adultos e crianças. Fui falando um pouco da minha produção literária, relacionando com a minha história de leitor e "costurando" com histórias de ficção, que contei para o público presente. As histórias narradas por mim neste dia foram: A bruxa Salomé (Audrey Wood); A história do nabo (conto popular russo); Dedo Mindinho (Ana Maria Machado) e Maria Angula (conto popular do Equador). As crianças curtiram, os adultos reviveram a infância e eu, certamente, curti muito mais do que todo mundo.
Saiu na Zero Hora do dia 12 de fevereiro de 2008, na página 9 (Coluna: "Pelo Rio Grande"), uma foto do trabalho e um pequeno texto falando da Feira. Quem quiser conferir, está aí abaixo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

APROVAÇÃO NA SELEÇÃO PARA O DOUTORADO

Meu presente de Natal de 2007 foi minha aprovação na seleção para cursar o Doutorado na PUC do Rio Grande do Sul. Depois de meses de preparação, redação de projeto de tese, procura de orientador, prova de proficiência em duas línguas estrangeiras, etc., a gente só sossega mesmo quando sai o resultado.
O doutorado da PUC-RS, em Teoria da Literatura tem 10 vagas e eu fui aprovado em primeiro lugar. Nem preciso dizer que estou radiante!
Meu projeto de tese se propõe a estudar os contos populares africanos, publicados no Brasil como literatura infantil. São 4 anos pela frente para viabilizar a pesquisa. Mas, para mim essa pesquisa já começou a muito tempo. Aliás, ela se formalizou mesmo com a publicação do meu livro MÃE ÁFRICA (Paulus, 2007), que de certo modo, me mostrou um rico caminho a desbravar.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

ENTREVISTA PARA REVISTA LIVRARIA CULTURA




(Fabrício na Jornada Literária de Passo Fundo, 2007)



Nesta semana, meu amigo Fabrício Carpinejar me mandou um e-mail dizendo que estava fazendo uma matéria para a revista da Livraria Cultura, cujo título era "Toda criança é poeta" e umas perguntinhas para eu responder... Não sei se o que eu disse vai sair na matéria, porque afinal, minhas respostas contrariam um pouco a afirmação do título. De qualquer forma, coloco aqui a entrevista.Eu contando histórias numa palestra em Curitiba
(2007)

Em teu trabalho de contação das histórias, é mais difícil a recepção do público adulto ou o infantil? Por quê?

O público adulto camufla mais! Demora mais para dar sinais de agrado ou desagrado. No público infantil esses sinais são quase que imediatos. O público adulto é mais tolerante ao meio termo, ao mais ou menos, à falta de carisma ou baixa qualidade de um contador de histórias. O infantil é mais sincero, mais barulhento e mais intenso! Portanto, as crianças recebem melhor uma história. Mas ainda assim, elas precisam estar familiarizadas com o exercício do ouvir histórias oralmente, do contrário isso pode ser caótico!

Em "Emburrado", trabalha com poemas. A fixação das imagens por rimas aumenta a contundência dos personagens? As crianças recebem melhor? As rimas carregam o estigma adulto de que não são naturais, mas as crianças não entendem diferente, como uma forma mais espontânea da fala?

A fixação das imagens por rimas aumenta a musicalidade, se apega mais facilmente à memória do público infantil e até provoca mais graça neles. Não é o único caminho para a poesia infantil, mas é uma caminho mais rápido, eu diria. Isso não quer dizer mais fácil nem menos elaborado. É mais fácil da criança perceber o poético na rima, porque ela percebe ali um trabalho de linguagem, diferente por exemplo, da fala cotidiana. Ao mesmo tempo que ela percebe a diferença, ela percebe o lúdico, a brincadeira, e sente prazer nisso! Elas entendem muito bem esse falar-brincando que a rima é e provoca!

Criança é poeta naturalmente? Como ela pode ser incentivada a permanecer poeta ?

Não acredito nisso! Não tão gratuitamente. Criança tem o olhar aberto para o poético na medida em que ela tem o olhar estimulado para a fantasia e para o brincar. Mas precisa ser incentivada a brincar com a língua através de muitos jogos de palavras: ditados populares, cantigas de todo tipo (de roda, de ninar, etc), parlendas, quadrinhas, histórias em forma de poema (como eram as fábulas em seus primórdios, heim?!), os poemas em si. Também ajuda viver num ambiente onde impere a poesia, ter tido liberdade para olhar o mundo de forma detida (ainda que seu tempo de concentração seja diferente do tempo do adulto), demorada e com minúcia. Afinal, criança é poeta quando em seus achados cotidianos, descobre um ângulo diferente para ver as coisas, e para expressá-las verbalmente. Normalmente a poesia de humor ou a mais inventiva possível em termos de figuras, seres, palavras, fazem mais sucesso entre as crianças.

Que livro você gostaria de ser?

Apesar de não ser explicitamente poesia, é pra mim o livro mais poético do mundo: O PEQUENO PRÍNCIPE.

Lembra de algum diálogo encantador e poético com um pequeno leitor?

Um dia, numa dessas visitas que a gente faz a escolas, quando adotam algum livro da gente, um menino me perguntou se eu gostava de ser assim, homem-criança e poeta. Eu disse que homem-criança eu ia ser a vida toda, já poeta eu poderia deixar de ser, se me faltassem as histórias e o contato com as crianças, com a fantasia, com as brincadeiras, se eu ficasse com as veias entupidas e deixasse de sentir as coisas. Aí ele me disse que se eu quisesse ser criança pra sempre eu deveria inventar um Celso de vários tamamanhos, assim quando um começasse a se gastar, entrava outro Celso mais novo no seu lugar, sem nada entupido. Um Celso que não se acabasse mais! Não é poético isso?

sábado, 2 de fevereiro de 2008

UM PANORAMA DAS MINHAS ILUSTRAÇÕES


Ilustração de Celso Sisto para o conto, de sua autoria, "Tudo outra vez", do livro "Diferentes heróis, diferentes caminhos", a ser editado pela ONG LEIA BRASIL, em 2008. O conto é uma releitura de O soldadinho de chumbo, de Hans Christian Andersen.










Veja a capa do livro





Ilustrar tem sido uma experiência mágica na minha vida de escritor! Tudo começou quando minha amiga Lúcia Jurema, na época responsável pela editoria infantil e juvenil da editora Nova Fronteira, comentou, displicentemente, que muitos ilustradores viravam escritores e que o contrário nunca acontecia. Foi o bastante! Para contrariar essa constatação, me lancei na árdua tarefa de ilustrar meu primeiro trabalho, que na verdade era o meu 13º livro: Francisco Gabiroba Tabajara Tupã (editora EDC, Rio de Janeiro, 1999). A repercussão foi grande e acabei ganhando, naquele ano, o prêmio de ilustrador revelação, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, e o livro ainda foi indicado para o Jabuti e ficou entre os 10 finalistas, na categoria ilustração de livro infantil ou juvenil.

Estava, então, lançada a minha carreira de ilustrador. De lá pra cá ilustrei outros livros meus: "A noiva do diabo" (Chapecó (SC), editora Grifos, 2000), "Vó que faz poema" (Belo Horizonte, editora Santa Clara, 2000); "Ora, pitombas!" (Porto Alegre, WS, 2005); "Angelina" (São Paulo, Larousse, 2006); "Lebre que é lebre não mia" (São Paulo, Larousse, 2007); "Mãe África" (São Paulo, Paulus, 2007) e "Cavaleiro andante" (São Paulo, Paulus, 2007).




Confira as capas





SISTO, Celso. Francisco Gabiroba Tabajara Tupã. Il. do autor. Rio de Janeiro. EDC, 1999. 24 p.


SISTO, Celso. Vó que faz poema. Il. do autor. Belo Horizonte, Santa Clara, 2000. 28p.





SISTO, Celso. A noiva do diabo. Il. do autor. Chapecó-SC, Grifos, 2000. 24p.



SISTO, Celso. Ora, pitombas! Il. do autor. Porto Alegre, WS, 2005. 80 p.






SISTO, Celso. Angelina. Il. do autor. São Paulo, Larousse do Brasil, 2006. 32 p.






SISTO, Celso. Lebre que é lebre não mia. Il. do autor. São Paulo, Larousse, 2007. 40 p.



SISTO, Celso. Mãe África: mitos, lendas, fábulas e contos. Il. do autor. São Paulo, Paulus, 2007. 144 p.

SISTO, Celso. Cavaleiro andante (livro de imagem). Il. do autor. São Paulo, Paulus, 2007. 32 p.




Adoro ilustrar! Mas como sou muito inquieto, não posso dizer que tenha um estilo pessoal, pois acredito que o texto tem que me conduzir à técnica e ao estilo ou linguagem plástica que vou desenvolver naquele trabalho. Tenho horror de pensar que alguém possa olhar para um livro meu e dizer que tudo que eu faço é igual. Não quero ser identificado assim! Cada texto demanda uma abordagem específica e isso me instiga: pensar como vou desenvolver aquelas imagens, que materiais vou usar, com que técnicas vou trabalhar. Isso é lúdico e funciona como um grande jogo, uma brincadeira bem prazerosa! Outra coisa que costumo dizer para as pessoas: não tenho a menor obrigação de fazer um desenho cópia da realidade, não sou fotógrafo! Posso inventar as coisas do jeito que quiser, deformar as figuras, modificar as cores, tudo é criação e invenção. Mas adoro misturar técnicas e materiais, apostar nas texturas, colagens, modificar uma imagem (sem uso da computação gráfica, claro! pois faço tudo direto no papel!). Mas não sou um ilustrador rápido. Preciso de tempo!




Quer ter uma idéia do meu trabalho como ilustrador, além das capas que você ja viu? Aí vão algumas imagens!


Ilustração de Celso Sisto para o livro Francisco Gabiroba Tabajara Tupã (EDC, 1999)



Ilustração de Celso Sisto para o livro Vó que faz poema (Santa Clara, 2000)


Ilustração de Celso Sisto para o livro A noiva do diabo (Grifos, 2000)





Ilustração de Celso Sisto para o livro Ora, pitombas! (WS, 2005)







Ilustração de Celso Sisto para o livro Angelina (Larousse, 2006)




Detalhe de ilustração de Celso Sisto para o livro Lebre que é lebre não mia (Larousse, 2007)


Ilustração de Celso Sisto para o livro Lebre que é lebre não mia (Larousse, 2007)

Ilustração de Celso Sisto para o livro Mãe África (Paulus, 2007)




Ilustração de Celso Sisto para o livro Mãe África (Paulus, 2007)



Ilustração de Celso Sisto para o livro Mãe África (Paulus, 2007)




Ilustração de Celso Sisto para o livro Cavaleiro andante (Paulus, 2007)

Também, paralelo ao exercício de ilustrar livros, tenho ilustrado alguns cartazes. É outro trabalho com imagens do qual gosto muitíssimo. No ano de 2001 fui convidado por Ernesto Rodriguez Abad (diretor artístico do festival) para fazer o cartaz do Festival de Narração Oral de Los Silos, Ilhas Canárias. Em seguida fiz o cartaz do Projeto Baú de Histórias, para o Sesc de Santa Catarina (2004) e novamente fui convidado para fazer o cartaz das comemorações dos 10 anos do Festival de Narração Oral de Los Silos (2005). Todos esses trabalhos são, de verdade, um grande presente!




Veja os cartazes

Cartaz Los Silos 2001



Detalhe de cartaz Los Silos 2005