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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

NOVAMENTE COLUNA DE CRÍTICA LITERÁRIA

LUGAR NA PRATELEIRA

Celso Sisto*

Este espaço é para falar de livros infantis e juvenis. Bons livros, claro. Livros que se destacam tanto pelo texto quanto pelas ilustrações e, que, por isso mesmo, podem e devem fazer parte da biblioteca dos pequenos e jovens leitores. Vale pedir o livro de presente para os pais, para os avós, para os padrinhos, para o professor ou para a biblioteca da escola! E vale acompanhar também, a cada mês as dicas desta coluna, para formar a sua própria biblioteca de livros altamente recomendáveis!



FIGUEYRA, Cláudia. Três reis magros. Il. de Denise Nascimento. São Paulo, Paulinas, 1998. 24 p. R$ 13,00

UM NATAL ATUALIZADO

Vem chegando o fim do ano e um monte de coisas começam a rondar a nossa cabeça: férias, Natal, Ano Novo. As pessoas ficam mais sensíveis, mais amorosas talvez, mais preocupadas com as diferenças sociais! As festas e os fatos se repetem, um ciclo se fecha, outro se abre, e nós somos levados a parar para pensar.
Três reis-meninos, descalços, magros e pouco alimentados, numa noite de tempestade e falta de luz, vêm pela cidade à procura do menino que nasceu. Encontram-no debaixo de uma marquise, protegido pelo pai e pela mãe e admirado por um gato e um cachorro. Só ali havia luz. Os três reis magros entregam seus presentes pro menino: paciência, esperteza e alegria; e se vão, por outros caminhos...
A história é inspirada no nascimento do menino Jesus. Mas o presépio é substituído pela marquise, o campo trocado por uma cidade grande, os reis magos viram meninos de rua e os presentes não são mais ouro, incenso e mirra! São coisas de que o menino irá precisar para se virar na vida! Tudo, tudo apontando para um futuro incerto.
O livro usa linguagem poética e pouquíssimo texto para contar a velha-nova história. A pobreza e o abandono são denunciados, mas com leveza, conquistada pelas frases curtas, pela escolha das palavras e pelo clima de festa e alegria, da canção Maracangalha, de Dorival Caymmi.
As cores fortes, os fundos aquarelados, e as manchas cinzas e azuis iluminam a travessia das crianças pela noite escura, embalada pela desproporção, o alongamento das figuras e os cortes.
O texto ganhou prêmio especial do júri, em 1996, na categoria contos infantis, da União Brasileira de Escritores (Prêmio Adolfo Aizen).
Falar sério brincando é o grande jogo desta história!

* Celso Sisto é escritor, ilustrador, contador de histórias do grupo Morandubetá (RJ), ator, arte-educador, especialista em literatura infantil e juvenil, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e responsável pela formação de inúmeros grupos de contadores de histórias espalhados pelo país.

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