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sábado, 9 de julho de 2011

CRÔNICAS SINCRÔNICAS - FRIO DE MATAR!

(Escultura "Crianças brincando" de Maria Luísa Vieira - Taubaté)

QUEM FOI que disse que criança sente frio? Pais e mães sedentários é que ficam em pânico diante dos estragos que a temperatura pode causar à saúde de suas crianças-saúvas!

Não vêem eles que os pequenos são um barracão de pólvora? Um rastilho de desenho animado, chiando e enfumaçando o caminho, até finalmente explodirem? Várias explosões por dia! Cada uma culminando com um momento de pequeno sossego: hora do almoço, hora do lanche, hora do banho, hora do jantar, hora de dormir.

Mas, não se iludam: cada hiato desses é apenas uma diminuição na rotação do motor infante! Que logo, logo voltará a disparar com a notável força atômica de um pequeno ser em crescimento.

Por mais que as mães cuidadosas encham seus pimpolhos de roupa, não há frio que faça um pequeno-espoleta ficar quieto, comportado e em posição de estátua. E quando isso acontece é puro disfarce, para se livrarem delas o mais rápido possível. Elas se vão - depois de deixá-los na escola, na creche, na casa da avó, no playground - certas de que seus anjos estão protegidos do frio, da chuva, da gripe e da febre.

E como a febre é que espanta o frio, eles testam o corpo-termômetro correndo. Primeiro, corridinhas curtas, entrecortadas de pequenas alegrias; depois acrescentam saltos, tropeços, quedas. São as quedas, as mais cinematográficas, que ajudam a manter a fogueira que toda criança tem dentro.

Por isso, mal os adultos viram ausência, elas vão jogando no fogo, gorros, luvas, cachecóis, casacos, coletes, abrigos. Só vão precisar de tudo isso de novo, quando for hora de atravessar comportadamente a porta, agarrar a mão-da-mãe (ou da avó, ou da empregada, ou do irmão mais velho...) e voltar pra casa. Mas aí, tudo em volta já ardeu no fogo da infância!

Que frio que nada!

(by Celso Sisto – 09/07/2011)

2 comentários:

Pati disse...

Olá Celso!
Acabei de descobrir você há umas duas semanas. O seu "O Vestido", delicado e profundo retirou-me lágrimas ( normalmente livros e músicas têm esse poder em mim). Como estou a descobri-lo, acabei parando aqui em seu blog depois de uma passadinha pelo site, e confesso que o que tenho lido só tem me feito gostar mais e mais de ter conhecido sua obra. A pessoas como você, que enriquecem nosso mundo com as belezas da palavra, é quase impossível não agradecer pelo bem que nos faz. Minha curiosidade está aguçada para lê-lo mais.
Obrigada,
Patrícia
34 anos, mãe de um casal de pimpolhos e professora de outros tantos

celso sisto disse...

Oi, Patrícia!
Obrigado por seu comentário tão carinhoso! Grande abraço e espero que você continue descobrindo muitas boas obras.