sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
CRÔNICAS SINCRÔNICAS - FINDAR
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
CRÔNICAS SINCRÔNICAS - NATAL COM LIVROS
sábado, 17 de dezembro de 2011
CRÔNICAS SINCRÔNICAS - LIVROS COM ASAS
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
ENTREVISTA PARA O PRÊMIO AÇORIANOS 2011

1- Quando foi que você decidiu trabalhar com literatura infantil e infanto-juvenil? O que te levou a essa escolha?
Eu sempre li muito, desde pequeno. Quando terminei a graduação em artes cênicas, em 1988, fui fazer uma Especialização em Literatura Infantil e Juvenil, na Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi ali que meu interesse pela literatura infantil começou a ganhar corpo. Em seguida, fui trabalhar como crítico literário na Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e meu universo de conhecimento dessa literatura infantil contemporânea ampliou-se muitíssimo. Na época eu era também professor de literatura numa escola no Rio de Janeiro e foi para esses alunos, do Instituto Nazaré, no bairro de Laranjeiras, que escrevi as minhas primeiras histórias infantis.
2 - Quando você travou o primeiro contato com o mundo da contação de histórias? Quanto isso influenciou teu trabalho como escritor?
Desde criança, na escola primária ainda, o contato com as histórias me fascinava. Na minha casa se contava muitas histórias, meu pai, minhas tias, minhas avós. Esse modelo de proximidade, de pai, avó, mãe, tia que conta história sempre ficou em mim, pela vivência. Mas foi também na Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil que travei o primeiro contato com um grupo de contadores de histórias (da Venezuela) e fiquei sabendo que era possível ser um contador de histórias profissional. Então, fundamos nosso grupo, o grupo Morandubetá, que existe há mais de 20 anos e está junto até hoje, com a mesma formação. E contar histórias, trabalhar com a narrativa na oralidade foi fundamental para o meu trabalho de escritor. Costumo dizer que virei um "escritor de ouvido". Testar a história na narração oral ajuda a "equalizar" a história, a apurar o ritmo, a perceber o que está sobrando e o que está faltando...
3 - Você também atua como crítico literário e é doutorando em Teoria Literária. Você acha que essa formação ajuda ou atrapalha no seu processo criativo?
Ajuda enormemente. Quando você se habitua a perceber os mecanismos de construção dos textos literários, em especial, você também se torna muito exigente com o seu próprio texto. Mas no ato da criação, isso têm que ficar momentaneamente esquecido (ou relegado), para que a criação possa fluir sem amarras. Esse processo ultra crítico é para a segunda etapa do trabalho. E escrever para o público infantil e juvenil requer muito conhecimento desta literatura, muita leitura, frequentar livraria, acompanhar os prêmios, estar em dia com toda essa produção. E, principalmente, estar em contato com esse leitor. Ir às escolas, como vamos, nos programas de promoção da leitura, é fundamental para se ter um retorno de como funcionam, para o leitor, as nossas obras.
4 - Seu trabalho parece ser bastante calcado nas relações familiares. Isso foi intencional ou algo que surgiu espontaneamente?
Surgiu espontaneamente. Jamais decidi: vou escrever sobre as relações familiares! Mas acho impossível pensar em uma história para crianças sem que esta envolva relações familiares. A não ser que a criança esteja sozinha no mundo e isolada de tudo... Do contrário, as relações familiares, de algum modo, serão importantes e virão à tona! E são nessas relações que os maiores conflitos aparecem. E são essas relações que marcam para sempre a vida das crianças e dos jovens. Mas eu também gosto muito de escrever sobre situações polêmicas, essas questões que exigem que o escritor encontre uma maneira peculiar para abordá-las, para tratá-las, enfim.
5 - Você é carioca, mas mora há muito tempo em Porto Alegre. Como ocorreu a escolha de morar aqui? Como foi se adaptar à cidade?
Escolhi viver no Rio Grande do Sul. Acho que é um privilégio você poder escolher onde quer viver. Saí do Rio de Janeiro em um momento em que a cidade estava muito violenta e eu, amedrontado. Queria mais tempo e um lugar mais sossegado para poder escrever e ilustrar. Fui morar e trabalhar em Gramado, primeiro. Depois é que vim para Porto Alegre. Mas hoje ainda me divido: moro metade da semana em Porto Alegre, principalmente por causa do Doutorado, dos trabalhos, das viagens; a outra metade, na praia de Cidreira. Preciso estar perto do mar. E preciso da tranquilidade dos lugares pequenos para poder produzir, escrever, criar. Amo Porto Alegre, mas ainda tenho muito que descobrir sobre a cidade e seu modo de vida. Minha casa em Porto Alegre é no Centro. Adoro o centro histórico, a arquitetura, o viaduto da Borges (uma verdadeira obra de arte!), o Guaíba, os cafés dos museus. Mas só depois de 13 anos vivendo aqui, tive coragem para escrever uma obra ambientada no Rio Grande do Sul. Acabei de publicar, pela editora Planeta, uma novela infantojuvenil ("O rei das pequenas coisas") totalmente ambientada no Rio Grande do Sul. E, quando me perguntam, hoje em dia, de onde eu sou, eu digo, sem titubear: sou cariúcho!
domingo, 4 de dezembro de 2011
CRÔNICAS SINCRÔNICAS - TEATRO INFANTIL URGENTE!

Hoje venho banhar-me na fonte das musas! Nas águas de Tália, nas águas de Melpômene, carregando ramos de hera, e também de videira. Tenho nas mãos o cajado do pastor e a maça de Hércules. Mas, já que não posso decidir entre a comédia e a tragédia, posso tocar o clarim e anunciar: foi o teatro que me levou aos livros! Assistir a uma peça de teatro é o mesmo que ter ao alcance das mãos, a história materializada! Agora, imagina isso na vida de uma criança? Por mais que ela esteja habituada ao faz-de-conta, a relação é outra: agora não é ela quem brinca de personagem, ela é apenas testemunha ocular daquilo tudo! Daquela imensidão! E tudo aquilo existe de verdade! Embora seja um jogo, é real! É inesquecível! É definitivo!
O primeiro impacto do teatro na minha vida foi na escola, assistindo “A onça e o bode”, na quarta série. A peça acabou, voltei para casa, mas a comporta estava aberta e jorrava com tanta força e tão continuamente, que cheguei em casa e não parei mais de fazer teatro. Construí o cenário da peça com lençóis, cadeiras, sofás. Ensinei os papéis aos meus irmãos e apresentamos aos nossos pais. Assim começava a minha vida na arte!
Era mais do que brincar de faz-de-conta-que-eu-era-o-bode-e-você-a-cabra! Era mais, muito mais! Porque havia já a noção da existência da platéia para quem fazíamos de conta! Era já a consciência da arte. Era a primeira construção da estética teatral na minha vida!
Mas o primeiro autor de teatro, que descobri de verdade foi mesmo Pernambuco de Oliveira. Seu texto, “A revolta dos brinquedos”, na 6ª série provocou o meu imaginário, durante muito tempo. Naqueles idos dos 70, a professora de Português, que dirigia o grupo de teatro da escola, Dona Adelaide Botelho, estava montando a peça. Eu sabia: se eu fosse bom aluno, talvez conseguisse entrar no grupo! Por isso, li ávida e desesperadamente tudo o que ela mandava: Senhora, O tronco do Ipê, A Moreninha, Meu pé de laranja lima, Éramos seis, etc. Li tudo, li com prazer, li com sofreguidão, li com paixão, porque sabia que a literatura era uma outra forma de me fazer feliz. Porque a literatura poderia me levar ao teatro! Jogar-me no mundo. Fazer-me integralmente gente! Eu queria, eu podia, eu consegui! Virei um grande leitor! Foi exatamente assim que virei leitor crítico!
E o inesperado aconteceu. Passei a amar a leitura de textos de teatro! Daí para amar os textos de Maria Clara Machado foi um pulo! Pluft o fantasminha, O cavalinho azul, Tribobó city, A bruxinha que era boa, A menina e o vento, Maroquinhas Fru-Fru e tantos outros textos. Será que fui a única criança que gostava de ler texto de teatro? Pegava na biblioteca e lia, lia sem parar. Até que, na adolescência, entrei no teatro profissional, de Amauri Canuto, que se apresentava nos fins de semana, no auditório da TV Brasília, pelo teatro popular do SESI. Depois participei de uma montagem profissional de O rapto das cebolinhas, também na capital federal. Eu e o Maneco éramos as mesmas pessoas. Eu e o bruxo Belzebu Terceiro viramos faces da mesma moeda. Eu e o Vicente tivemos, por um tempo, o mesmo registro civil. Esse mistério de se converter em outro, de se converter em muitos era o que eu queria pra mim. Para sempre! Com o teatro.
Pois foi também o teatro, nessa época, que me ajudou a escrever meu primeiro texto infantil: O menino que brincava de ser (tá bom, eu sei, minha amiga, a escritora Georgina Martins, tem um livro com esse mesmo título! Mas a minha peça de teatro foi escrita em 1976 e o livro dela é de 2000! E além do mais, o meu texto se perdeu nos guardados e nas mudanças de casa, pelo mudo afora!).
Hoje, olhando pra trás reconheço um dos dias mais felizes da minha vida. Ainda em Brasília, fui assistir, no teatro Galpão, ao espetáculo Os saltimbancos, dirigido por Hugo Rodas. O ano era 1977. A transformação do clássico Os músicos de Bremen dos Irmãos Grimm, em musical infantil, feita por Sérgio Bardotti (letrista italiano) e Luiz Enriquez (músico argentino), no Brasil, ganhou versão de Chico Buarque. Foi um sucesso estrondoso! Sucesso total. No texto predominava a alegoria política, que criticava os senhores poderosos, os militares, os desmandos, e acenava com uma solução voltada para a esquerda, para a classe operária e para os artistas de verdade, perfeito para o momento brasileiro. Ainda mais para quem vivia, como eu, na capital federal! No embalo, era também um grito de libertação do jugo do Barão, da elite, do pai e da mãe. Perfeito para aquele momento da minha vida!
Estava então decidido! Eu ia ser ator! Mas, o tempo passou, virei mesmo foi um ator-escritor e um ator-contador de histórias. E hoje, assisto, com muita alegria, um certo renascimento do livro de dramaturgia, direcionado ao leitor infantil. Algumas editoras têm investido na publicação de peças de teatro para crianças, dando ao objeto livro o mesmo tratamento que dão a qualquer outro livro infantil. Isso me enche de esperança. Mas ainda é pouco, muito pouco!
Urgente é percebermos que é preciso voltar sempre à Maria Clara Machado, buscar os textos do teatro irreverente e hiper lúdico de Sylvia Orthof, descobrir o rico teatro infantil de Flávia Savary, que vem por aí, com força total, em muitos livros. De lambuja, também é urgente abrir espaço para ler teatro com as crianças na sala de aula! Experimente usar os discos da Taba, lançados nos anos 80, pela Abril Cultural. Foram 40 histórias, que traziam ainda uma seção denominada “Escolinha de Teatro”, proposta por ninguém menos que Ilo Krugli! Eu duvido que depois de ouvir uma história dessa antiga coleção, as crianças não queiram ler e brincar de fazer teatro!
Ah, só pra lembrar: fazer teatro com as crianças na sala de aula não é para formar necessariamente atores, mas para que o exercício do faz de conta seja potente e assumido também pela escola, de uma forma larga; e para que o teatro na educação seja também uma maneira de cada criança treinar outros papéis, polir seu imaginário e conquistar confiança para exercer o seu papel no Reino da Vida.
Uma lembrança mais do que feliz: Peter Pan foi primeiro peça de teatro para virar depois um livro clássico da literatura infantil universal.
Por isso, não me canso de pedir: Oh musas, que a eloqüência de Calíope se misture à minha e que um dia, possamos dizer, como Shakespeare disse no prólogo de Henrique V: “quem me dera uma musa de fogo que os transporte ao céu mais brilhante da imaginação; príncipes por atores, um reino por teatro, e reis que contemplem esta cena pomposa”.
A cena pomposa é somente esta: um salão repleto de livros de teatro, e muitas crianças lendo, encenando, brincando! Neste dia, adoraremos as nove musas e ofereceremos sacrifícios ao culto heróico do teatro infantil, no mousaion, o altar das musas, o lugar destinado à exibição pública do conhecimento.
(by Celso Sisto – 04/12/2011)






