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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

ENTREVISTA NA RÁDIO FM CULTURA DE PORTO ALEGRE


Dia 3 de março, às 12h e dia 6 de março às 22h estarei no programa "As músicas que fizeram a sua cabeça", apresentado por Ivete Brandalise, na Rádio FM Cultura (107,7). Foi uma delícia participar deste programa, que é veiculado desde 1988. Fiquei encantado com a Ivete! O programa foi divertidíssimo! Uma hora e meia de papo e música. Através das músicas escolhidas, o programa me proporcionou um passeio pela minha própria biografia, da infância até à vida adulta. Foi tão bom! Recordar é muito bom! Por isso, quero compartilhar... A motivação para a entrevista, foi, principalmente os 2 Açorianos que ganhei em 2011!

DA SÉRIE "POEMEUS" - TRIBUTO


DA SÉRIE "LAMPEJOS" - DITADO POPULARTE 31


sábado, 25 de fevereiro de 2012

CRÔNICAS SINCRÔNICAS - CARNAVAL DA CRIANÇA QUE EU FUI!


Gosto da possível origem da palavra carnaval: carrum navalis, que era o carro sem motor, que carregava a imagem do deus Dionísio, em meio à música, dança e folia, na Grécia antiga, lá no século 14 antes da nossa era.
Também sei de cor quase todas as famosas marchinhas de carnaval. Me encanta o ritmo picotado que provoca uma alegria inesperada, pra cima. Talvez por isso eu não consiga escolher a minha preferida. Adoro o “pirata da perna de pau”, “índio quer apito”, “sassaricando”, “mulata bossa-nova”, “olha a cabeleira do Zezé”,  “Chiquita Bacana lá da Martinica”, “mamãe eu quero mamar” e tantas outras. Mas, as crianças de hoje provavelmente não conhecem nenhuma dessas músicas. Que triste! E se bobear, nem gostam mais de carnaval. Eu adoro!
Naquela época, anos 60, os pais costumavam levar os filhos para brincarem o carnaval e havia baile infantil, as famosas matinês, em tudo quanto é clube e em tudo quanto é lugar. Parando pra pensar, é mesmo um mistério risível essa coisa de ver as pessoas andando em círculo, em volta de um salão, todo decorado com motivos carnavalescos: máscaras, instrumentos típicos dos blocos de rua, personagens com fantasias clássicas, coroas, apitos, etc. E ainda mais, jogando confete e soltando serpentinas. E uma banda, tocando música ao vivo, com irresistíveis instrumentos que aguçavam a nossa imaginação, como o clarim, lembrado na letra da marcha: “... quero me afogar em serpentinas, quando ouvir o primeiro clarim tocar...”.
O gostoso era voltar pra casa, com pedaços de papel colorido, até nos lugares mais escondidos do corpo! Confete e serpentina estão no topo da lista dos elementos mágicos do carnaval, aos olhos das crianças da minha época. Dizem que o confetti nasceu em Roma e que eram confeitos de açúcar, informações que nos levam ao século 15 e ao Papa Paulo Segundo. As pessoas jogavam umas nas outras, como o confete feito de papel que conhecemos hoje. Esse, dizem que nasceu mesmo em Paris, no carnaval de 1892. E no mesmo ano passou a ser adotado na minha terra natal, o Rio de Janeiro. Daí, o uso generalizou-se. Mas a serpentina parece ser ainda mais antiga no Brasil. Dizem que veio das “bolas carnavalescas”, usadas no carnaval de 1878, que eram bolas de papel de seda e que se desfaziam ao serem lançadas. Digo “dizem” porque há controvérsias! Há sempre muitas versões para a origem das coisas... E com a história do carnaval não poderia ser diferente!
Por exemplo, “batalhas de confete” acabaram virando apelido de baile de carnaval, mas no início eram uma espécie de disputa entre grupos da elite carioca, que inspirados nas “batalhas de flores” francesa, desfilavam pela avenida Beira-Mar do século 19, no Rio de Janeiro, em carruagens enfeitadas, com pessoas fantasiadas, atirando flores, confete ou serpentina, quando se cruzavam. Há uma série de variações e filiações - o mela-mela, os limões de cheiro, o lança-perfume, ligadas a essa atitude de jogar coisas nos outros, inclusive porcarias. E há também uma progressão desses festejos e desfiles, que vem do Entrudo, dos portugueses no Brasil do século 16, até nos levar às escolas de samba atuais. Ai, que nostalgia! Eu queria ter vivido tudo isso e muito mais!
Mas, como diz “O primeiro clarim” (de Rutinaldo e Klécius Caldas), minha marcha rancho preferida (acabo de descobrir que é essa!), sucesso na voz de Dircinha Batista: “hoje eu não quero sofrer, hoje eu não quero chorar, deixei a tristeza lá fora, mandei a saudade esperar, lá-lá-ia-lá, hoje eu não quero sofrer, quem quiser que sofra em meu lugar”.
O que não me impede de ainda ficar me perguntando: o que é o carnaval hoje para as crianças? Quando comecei minha carreira de professor de literatura, trabalhando com os pequenos, fazia um baile de carnaval na sala de aula, na semana dos festejos momescos, antes do feriado escolar, claro! E como preparação, víamos as fantasias mais comuns de antigamente, ouvíamos e aprendíamos as músicas famosas, líamos livros legais que falavam do carnaval (o que definitivamente são muito poucos; falo dos destinados ao leitor infantil, que acho que não chegam a completar os dedos das mãos!)
As fantasias também já não são as mesmas. Vira e mexe vejo aquele álbum de fotografias, em que estou de sarongue. Sabe que fantasia é essa? É uma vestimenta havaiana, feita com um saiote florido e cordão de flores (ainda que de plástico). Minha primeira lembrança de fantasia de carnaval é com essa roupa. Eu e meus irmãos. Lindos! E minha mãe, com um terninho sem mangas, com uma faixa na cabeça... Bem anos 60! Sentada no laguinho que servia de aquário, na casa onde morávamos. Essa imagem continua firme na minha memória. Assim como continuam indeléveis, as fantasias de colombina, pierrô, arlequim. Também se falava em pareô! Meu Deus, será que estou ficando velho e babão? Mas era tão romântico ver o povo vestido de pirata, bailarina, nega maluca, índio, odalisca, melindrosa, cowboy, cigana, sheik árabe...
Eu, acostumado a ir para a rua com os meus pais, no carnaval, tinha mesmo era medo de encontrar o Bate-Bola. Eles andavam em bando, com aquelas máscaras horrorosas, de enfiar na cabeça, com um apitinho na boca, uma maquiagem borrada de palhaço louco, um macacão inteiro, feito de cetim e uma varetinha com uma bexiga de boi, fedorenta, com que batiam com força no chão. Apesar de coloridas, as figuras eram barulhentas e aterrorizantes, e meu medo deles virou um medo secular, que carreguei durante toda a infância. Hoje sinto falta deles. Onde foram parar? Devem estar escondidos nas dobras do tempo e podem pular na minha frente em qualquer carnaval desses por aí! Tomara! Hoje não sairei correndo! Prometo!
Esse fio de lembrança, me leva de volta à infância não só colorida, mas também onírica. Meu primeiro pesadelo também aconteceu no carnaval. Depois de assistir escondido à transmissão de um Baile dos Horrores, com seu antigo concurso de fantasias, fui dormir e não deu outra: todas aquelas figuras deformadas e fantasmagóricas vieram morar nas nuvenzinhas que pairavam sob o meu sonho! Acordei gritando, chorando, acreditando que havia sido devorado por aqueles seres monstruosos! Socoooooooooorrrooooooooooooooo!
Certamente eu preferia as outras máscaras, as que vieram adornando o imaginário popular desde a comédia dell’arte, e que cruzaram a corte de Carlos Sexto, depois viraram objeto de sedução das damas elegantes do século 18, atestando a bela herança veneziana, até virarem mania, após o carnaval de 1840, quando houve o primeiro baile de máscaras que se tem notícias, no Brasil.
E para completar esse meu passeio pelas entranhas de outros carnavais, evoco também aqui a alegria que era sair  nos blocos de sujo. Isso é que era diversão! O tom desorganizado e improvisado era o que deveria predominar, inclusive com instrumentos feitos artesanalmente, valendo até tocar tampas e panelas! O mais importante era reunir pessoas animadas, desfilar, contagiar os outros com a animação e o deboche também da sátira política. Valia tudo! Hoje, os blocos quilométricos e multiplicados em cada esquina ainda conservam um pouco deste espírito, será?
E  pra encurtar a conversa, que já vai longa, uma última lembrança: a primeira vez que me lembro de ter ficado sozinho em casa, foi exatamente quando meus pais saíram de noite, para ir a um baile de carnaval. Vejo ainda o colorido das pulseiras, as bolas dos colares, as perucas de minha mãe; lembro-me até de dormir na companhia de minha avó, acordando a todo instante, para espiar se eles já tinham voltado...
Se o carnaval surgiu no Egito, há 10 mil anos atrás, para espantar o inverno e comemorar a chegada da primavera, não posso afirmar com certeza! Se nasceu no século 4, nas procissões romanas, em homenagem a Baco, onde já figuravam os carros alegóricos, não sei, não sei! A festa é pagã e o calendário cristão acabou por aceitá-la, e ela ficou ali, servindo de marco entre o Dia de Reis e a Quaresma, que após o período da permissividade, exige a penitência do sujeito já na quarta-feira de cinzas! É como virar Fênix e renascer, não é não? Para morrer novamente, logo ali na frente, na Páscoa. Mas essa já é uma outra história!!! Por enquanto, “quero ver milhões de colombinas, a cantar, tra-lá-lá-lá-lá-lá, quero me perder de mão em mão, quero ser ninguém na multidão”.

(by Celso Sisto – 25/02/2012)

DA SÉRIE "POEMEUS" - POEMA-BUQUÊ


DA SÉRIE "LAMPEJOS" - DITADO POPULARTE 27


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

CRÔNICAS SINCRÔNICAS - SONHOS DE CRIANÇA


Sonhar é a atividade mais gostosa do mundo! Dormindo ou acordado, de olhos abertos ou fechados!  Vendo uma coisa e imaginando outra. Falando uma coisa e querendo dizer outra! Ah, as possibilidades são enormes!
Sonhar é sim um grande exercício de ampliação do imaginário! Eu vejo coisas que ninguém vê. Ouço coisas que ninguém ouve. Imagino coisas que só eu posso imaginar! Exerço a minha liberdade sem amarras! Então, sonhar é ser livre! É brincar de dono do mundo. É exercer a deidade! Só depois, quando transformo as palavras e as imagens sonhadas em contos, poemas, textos, quando escrevo as coisas que ficaram ecoando na minha cabeça, é que todo mundo pode ouvir, tocar, repetir, multiplicar. Esse é o alvo do sonho em forma de arte: a propagação! Mas isso é um sonho canalizado, não é? Pois nem sempre é assim!
O sonho na infância corre por outros prados e tem outros sabores! Primeiro é o desejo permeado pela visão mágica; o sonho ancorado na necessidade de destacar-se pela força; o desejo de uma vida cheia de ação e de aventura. Para isso, as crianças do passado escolhiam ser super-heróis, mágicos, fadas, bruxas. Depois é o desejo contagiado pela noção da imagem social; a percepção de que é necessário unir o útil ao agradável. Para isso, as crianças de antigamente sonhavam em ser policial, bombeiro, guarda de trânsito, professor.
A raiz desses sonhos-escolhas ainda era ingênua... Agora, o sonho de futuro das crianças de hoje vem sustentado pela rapidez, como se o mundo da tecnologia nos tivesse desabituado da espera. Elas querem estalar o dedo e executar as tarefas na velocidade da conexão da internet a que estão acostumadas. Não querem gastar tempo aprendendo, não querem gastar tempo com as tarefas escolares, com os serviços de casa, com o diálogo afetuoso e as trocas amavelmente negociadas, com o dormir e o acordar e o esperar os dias passarem. Talvez, com isso, não tenham mais do que meia dúzia de histórias para contar. Eu tenho muitas!
Esperar foi sempre a minha primeira lição de ansiedade! Na época em que tudo era longamente planejado... Como quando meu pai anunciava que íamos viajar, e eu quase não conseguia dormir, querendo ver o dia chegar. Era uma noite inteira de uma espera feliz, antecipando na imaginação todas as possibilidades que se abririam dali pra frente! A minha primeira ida à fazenda do meu tio, para os lados de Santa Cruz, foi uma das grandes emoções: ver um Rio de Janeiro que eu não conhecia, e principalmente, andar a cavalo pela primeira vez, tomar leite quente tirado na hora, subir em árvores seculares e próximas das nuvens, tomar banho de rio. E a realidade superou tudo o que eu tinha conseguido antecipar: havia o banho de chuva e o temporal no meio do campo, que eu não havia previsto; havia o passeio de carroça, e aquele facão solto, correndo de lá pra cá em cada curva, quase cortando a gente; havia a beleza dos raios rasgando o céu, atravessando o descampado, tentando incendiar as gotas de chuva, que eu jamais havia imaginado; havia o nome dos diferentes tipos de capim, que eu tinha ido buscar para dar de comer aos coelhos... Tanta coisa que a realidade trouxe para enriquecer o sonho!
Essa interação constante entre sonho e realidade é que regeu sempre a minha vida. A vontade de Morfeu, o deus grego dos sonhos, convocando Hipnos, seu pai, e seus irmãos, é que me alimentou. Como por exemplo, Fântaso, a quem usei sempre para chamar os menestréis, os reis, os astronautas, os cavaleiros, que um dia deixariam a cama de ébano da caverna escura ornada com flores, para fazer do sonho, realidade duradoura.
O sonho no rumo da ciência é interpretável, vira oráculo, nos adverte das possibilidades de futuro. O sonho como fuga, pode adiar a realidade, ensinar a viver na borda da sanidade, e instaurar a loucura criativa. Tudo isso apresentou-se para mim como uma maneira  vigorosa de viver a vida! E, contudo, aprendi que o transe da criação, da loucura criativa, é mesmo um estar possuído de tanta energia onírica que não há outra saída senão transbordá-la para o cotidiano.
Mas um dia descobri que havia ainda o sonho de mão única: o sonho que não é mais um projeto de futuro e vira apenas obsessão! Esse sim caminha de outro jeito, às vezes por vias tortuosas...  e na medida em que aumenta a distância entre o sonhar e o realizar, fica mais e mais perigoso.
Sonhar como brincadeira não tem obrigatoriedades! Sonhar como única maneira de realização e condicionante da felicidade pode virar doença! Gerar frustração. Virar passo sem compasso! Ser irreversível.
Mudei muitas vezes de sonho, sem maiores traumas, porque fui descobrindo que eu gostava de muitas coisas na vida! E que sempre daria um jeito de me realizar, fazendo fosse o que fosse. Por isso fui (e sou) ator, professor, contador de histórias, escritor, ilustrador. E nada disso é excludente!
Mas nem sempre é assim. Dentre as frustrações destruidoras da modernidade, há mesmo essa que não vê saída e que ao demolir um sonho, acaba com tudo! Meninos dispensados pelas escolinhas de futebol dos grandes clubes estão caindo no crime, e pior, acabando com a própria vida. Meninas em busca do sonho de virar modelo e atriz fazem de tudo, inclusive, abraçar a prostituição. O limite é a linha tênue entre o fazer absolutamente tudo para chegar lá ou aprender a hora de definir outros rumos.
Tenho visto, de modo triste, uma plêiade de meninos e meninas que vivem em busca de serem entronizados na fama da noite para o dia, destruírem suas vidas ao aceitarem mais do que podem suportar, em nome de enriquecimento também espetacular e instantâneo!
Tenho minha consciência tranqüila. Sempre que trabalhei com crianças, soube identificar aqueles que precisavam de liberdade assistida, já que saber esperar, dar tempo ao tempo, aceitar o ritmo natural da vida e deixar as coisas madurarem pode ser uma angústia superior às suas forças.
Alguém vai me lembrar, seguidamente, que hoje os tempos são outros. Concordarei piamente! Mas a matéria da qual são feitos os homens é a mesma, desde que o mundo é mundo! E que o sonho que nasce da inapelável privação de conquistas pode ser um pesadelo, principalmente quando Hipnos e Tânatos se encontram forte e indissociavelmente entrelaçados!


(by Celso Sisto – 12/02/2012)

DA SÉRIE "POEMEUS" - CASTELOS


ENTREVISTA PARA A RÁDIO UFMG EDUCATIVA


Na sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012, conversei com a Rosaly Senra, da Rádio UFMG Educativa. O programa foi ao ar por volta das 9h15 em:  www.ufmg.br/radio
Nossa conversa girou em torno do meu trabalho de crítica literária, dos meus cursos de formação de contadores de histórias (desde o final dos anos 80), da minha tese recém defendida e dos meus livros na editora Aletria, sediada em Belo Horizonte, MG (Francisco Gabiroba Tabajara Tupã, O maior nabo do mundo e Chá das dez). Foi uma delícia! Alguém aí de Minas ouviu?




A entrevista foi para o programa "Universo Literário", no quadro "Falando de livros" e já está no ar e pode ser conferida em: http://www.ufmg.br/online/radio/arquivos/004239.shtml






DA SÉRIE "POEMEUS" - MINOTURNO


DA SÉRIE "LAMPEJOS" - DITADO POPULARTE 15