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quarta-feira, 4 de abril de 2012

DA SÉRIE "LAMPEJOS" - DITADO POPULARTE 61


DA SÉRIE "POEMEUS" - SINA

POEMA DEDICADO AOS AMIGOS DA ESCOLA LEONARDO DA VINCI 1977-1979 (BRASÍLIA)

SALÃO FNLIJ DO LIVRO PARA CRIANÇAS E JOVENS - RIO DE JANEIRO


Amigos do Rio de Janeiro e arredores! 
Aí vai a minha programação no Salão FNLIJ (FUNDAÇÃO NACIONAL DO LIVRO INFANTIL E JUVENIL) do livro para crianças e jovens.
Local: Centro de Convenções Sul América.
Endereço: Av. Paulo de Frontin com Av. Presidente Vargas - Cidade Nova
ESPERO TODOS VOCÊS LÁ!
No cartaz estão as datas, os livros que estarei lançando, os horários e os espaços internos, onde serão minhas atividades...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

DA SÉRIE "POEMEUS" - LUGARDEN

Para comemorar o DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL E JUVENIL, que é também a data de nascimento de Hans Christian Andersen...

domingo, 1 de abril de 2012

DA SÉRIE "LAMPEJOS" - DULCÍSSIMO


DA SÉRIE "LAMPEJOS" - DITADO POPULARTE 58


DA SÉRIE "LAMPEJOS" - RESERVA


DA SÉRIE "LAMPEJOS" - DITADO POPULARTE 57


DA SÉRIE "POEMEUS - DÂNAE EM FLOR


DA SÉRIE "LAMPEJOS" - DITADO POPULARTE 56


DA SÉRIE "POEMEUS" - RE-POUSO


CRÔNICAS SINCRÔNICAS - GOLPE BAIXO E PELAS COSTAS!


Eu tinha apenas 3 anos! Mas provavelmente devo ter sentido, de algum modo, o manto da noite longa cobrindo o dia! Só não sabíamos ainda que essa escuridão duraria mais de 20 anos.
A audácia dos militares em acreditar que o Brasil de Jango seria transformado numa ditadura socialista, teria me irritado profundamente! Mas eu era apenas uma criança! E não teria descoberto nem mesmo a desculpa da Guerra Fria que acabou por alimentar uma Guerra Quente, que de maneira enviesada, sempre fazia Estados Unidos e União Soviética meterem o bedelho em outros lugares, venderem armas até não poderem mais, interferirem nas organizações locais, e, claro, criarem uma relação de dependência, disfarçada de protecionismo.
Ah, o Brasil de Jango ruiu, por conta dos seus planos. Mas reforma urbana e reforma agrária continuaram na pauta de muitos governos. Só que aquele Brasil dos 60, pagou o preço por defender a distribuição de renda, por olhar para a ala pobre da população brasileira, por levantar a necessidade de ações políticas que contemplassem a saúde pública.
Manutenção da legalidade e restauração da ordem serviram de escudo para os monstros militares agirem! Em 1964, na inocência dos meus três anos, eu teria pensado neles como num ataque de leões famintos, ursos polares desembestados, panteras negras esfaimadas, lobos ensandecidos, loucos para desbaratarem as confrarias e dispersarem as multidões presentes aos espetáculos dos circos citadinos.
Então o golpe de Estado acarretou a quebradeira! De mãos dadas com os protetores do Mundo, o onipresente Estados Unidos da América, o Brasil se bestializou! E veio o regime. O país foi atrofiando, ficando magro de cultura. De liberdade! Passando fome de justiça. E só não agonizou, porque um resto de brio que vencia o medo estimulou a resistência de alguns.
A verdade é que eu cresci num país silenciado! Acossado! Amedrontado! Até na escola roubaram nossa voz! Meus professores de História, em plena capital federal, falavam por senhas, e eram perseguidos. A tal da Moral e Cívica obrigava-nos a adorar os símbolos pátrios! E assim, desviar-nos dos crimes que eram cometidos em segredo de Estado!
Vamos repetir esses nomes com escárnio! Para vituperar esses monstros! Será que resistem ao grito público de “Assassinos”? Castelo Branco, Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel, João Baptista de Oliveira Figueiredo, Lício Maciel, Nilton Cerqueira, e muitos outros, que estiveram no comando de Atos Institucionais, na dissolução dos partidos políticos, nas cassações de políticos, na abolição das uniões nacionais e estaduais dos estudantes, na criação da terrível polícia do pensamento, o SNI, na invasão e fechamento de Universidades, na castração da liberdade individual, na nomeação direta de prefeitos, na dissolução do Congresso Nacional, na outorga de plenos poderes ao Presidente da República, na punição com a expulsão do país e com a pena de morte para os contra-revolucionários, na abolição dos debates políticos nos meios de comunicação, no empastelamento de vários jornais, na aberração da criação dos senadores biônicos, no terrorismo fomentado para culpar a oposição, no voto vinculado, nas eleições indiretas, nos atos de tortura...
E em meio a tudo isso, ainda ecoava a melodia do “Eu te amo, meu Brasil, eu te amo, meu coração é verde amarelo branco azul anil (...) ninguém segura a juventude do Brasil”. Quanta ironia! A juventude, a minha, que teve uma atuação política pífia. Que se viu à mercê das bolas de chumbo, colocadas nos pés de quem podia protestar e das mordaças grudadas às bocas de quem podia gritar mais alto!
Ainda bem que logo ali, na curva da minha juventude, o sucesso do livro Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva, não nos deixou esquecer as mortes do deputado Rubens Paiva, e de roldão, trouxe também a lembrança da perseguição e morte de Carlos Lamarca, da tortura de Vladimir Herzog e Stuart Angel, do acidente forjado de Zuzu Angel e tantos outros episódios de extermínios.
E que bom que vieram as peças de teatro, as músicas de protesto, os filmes que inteligentemente burlavam a censura, com leituras nas entrelinhas, muito além da capacidade dos censores! Pelo menos isso! Essas brechas que nos enchiam de ar!
Pois ainda hoje, os homens bestiais, se reúnem no Clube Militar do Rio de Janeiro, para comemorar o golpe de 64. Que vergonha! Na rua os jovens gritam: "Cadeia já, cadeia já, a quem torturou na ditadura militar"! Esses mesmos homens, beneficiados por uma anistia ampla, geral e irrestrita, festejam, sob a proteção da lei aprovada por intimidação do poder militar, no Congresso Nacional e promulgada em 1979. Essa mesma lei que deixa no anonimato os que torturaram, assassinaram por motivos políticos, nas prisões, a sangue frio, e que violaram a Constituição, impondo-nos, pela força, um regime militarizado e escoltado pelas armas. E agora eles mesmos se esforçam e se unem contra a abertura dos arquivos da ditadura militar e tentam impedir a criação da Comissão Nacional da Verdade.
É, a ditadura militar se foi! O tempo passou. E nada disso pode ficar esquecido! É preciso contar para as crianças, que tudo isso existiu, e que se não abrirmos bem os olhos e as feridas, pode haver repetição!
E se engana quem acredita que as crianças, não podem, desde a mais tenra idade, travar contato com temas polêmicos e com esses atos atrozes, capazes de formar, desde ai, uma visão crítica da realidade que as cercam. Podem e devem! Louvores à Ruth Rocha, que com seus livros dos Reizinhos, denunciou e denuncia os estragos do poder ditatorial. É preciso ler para as crianças e com as crianças, O reizinho mandão, O que os olhos não veem, O rei que não sabia de nada, em especial, para contá-las também que o nosso país já foi assim! É preciso, com essa biblioteca de viés também  político, narrada à altura das crianças, fazer contato com a história de quem viveu no exílio, como em De olho nas penas, de Ana Maria Machado, e pra completar, conhecer a comovente história que Gabriela Bozano Hetzel, conta em O lobo, sobre o sumiço do pai de Lília, que felizmente, consegue sobreviver a tudo isso!
As veias abertas do abominável golpe militar de 1964 não podem e não devem ser estancadas com o tempo! Contemos tudo às crianças! E assim, talvez possamos também aplacar a dor de muitas crianças que um dia fomos!

                                                                                                                                                                                                           (by Celso Sisto – 31/03/2012)