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sábado, 15 de setembro de 2012

DA SÉRIE "ALGUMA COISA ACONTECE..." - 31



(texto Celso Sisto; ilustração de John R. Neill)

Sinos acordam outros tempos dentro de mim. Esse carrilhão, que desperta histórias, me conduz aos mosteiros onde se purificam as minhas palavras. O sagrado ecoa por todos os lados. Subo aos ares, para balançar nas cordas do badalo. Para voar inteiramente convertido em bronze. É como se... uma explosão, como se... outros sons. Como se a estridência, o baque, o toque, o arranhão... Em cada nota, rompe-se um invólucro, tange-se uma legião, move-se uma história, dialogam os ponteiros do velho relógio. Aquele, ainda, guardado na casa da Avó. Por que voltarei sempre a ele, como se na sacristia de cada poema eu tivesse que presidir o rito? Paramentar o ato? Beber do cálice? Poeta, sátiro, sacerdote inábil, tudo isso eu... Que os sinos não me desamparem! Não me ensurdeçam!

15.09.2012

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