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sábado, 27 de outubro de 2012

LANÇAMENTO DO MEU LIVRO NA 58ª FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE


Amigos e amigas (e isso inclui ALUNOS E ALUNAS!!!), conto com vocês no lançamento em Porto Alegre (sessão de autógrafos), do meu livro novo das Paulinas, com ilustrações de André Neves. Dia 08 de novembro (quinta-feira), às 18 horas... Ala Infantil da 58ª Feira do Livro de Porto Alegre, Cais do Porto.

SEMINÁRIO "A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS" NA 58ª FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE




Está chegando a hora! Entrada franca! Ainda é possível se inscrever pelo e-mail: agenda@camaradolivro.com.br

DA SÉRIE "ALGUMA COISA ACONTECE..." - 47



(Texto Celso Sisto; Ilustração de Willy Pogany)

47. Quero o silêncio cristalino, para ouvir a respiração das flores. Uma gota se enchendo e depois derramando os odores de outrora. As azedinhas explodindo na boca e os canteiros da Avó formando ruas para as nossas bicicletas-voadoras. Escapulidas rápidas! Correr é o que mais se aprende na meninice! Passam por mim os velozes cachorros, latindo o prazer oculto de irem na frente, aos pulos, para alcançarem as mangas das camisas. Eles abocanham a minha atenção; e eu... encho o peito de futuro, para os dias em que não haverá mais brinquedo e nenhuma língua-pátria que afague. 

27.10.2012

domingo, 21 de outubro de 2012

DA SÉRIE "ALGUMA COISA ACONTECE" - 46


(Texto Celso Sisto; ilustração Virginia Sterrett)


46. A voz torneada me alcança, como uma revoada de pássaros. Mais do que o bater das asas, é a sofreguidão que me impressiona. A força despreendida, o movimento hercúleo, a limpidez no sentir. Pelo labirinto dos tímpanos, desço até o centro de mim. Depois de rasgar o tempo, com as unhas, não saberei mais voltar sem cantar. Minhas melodias guardarão sempre um jeito de protestar. Sou vate, saltimbanco, adivinho, subindo pelas tranças do mundo...

21.10.2012


DA SÉRIE "ALGUMA COISA ACONTECE" - 45


(Texto Celso Sisto; Ilustração Virginia Sterrett)


45. Doce a música, falada por todas as embocaduras - clarividentes clarinetas, sagrados saxofones, tremeluzentes trompetes - e, empurrada por todas as línguas. Reluzindo, com o o ouro dos metais, a orquestra serviu banquetes, incendiou paixões, espalhou encantos. As canções, encharcadas de perfumes, fizeram o refluir dos mares, desafiaram as tempestades, deixaram avançar as belezas que ficaram escondidas no fundo da caixa de Pandora. Como é possível viver sem essa partitura invisível, que tange sonhos, olhares, miudezas e induz a caminhar na ponta dos pés? Dissipar os desertos! Tocar a linha do tempo! Pisar firme a terra filarmônica dos livros é segredo que só uma confraria de sopros pode contar! Voilá! O barco das musas já pode ancorar!

20.10.2012

DA SÉRIE "ALGUMA COISA ACONTECE" - 44



(Texto Celso Sisto, ilustração Kay Nielsen)

44. Professar. Nasci em ninho de palavras. Promulguei minha liberdade de pensar nas nuvens e nas rotas estelares. Criar é porta para a imensidão; reluzir é acreditar que tudo pode gerar luz! A escada que leva ao Céu está feita de livros. E eu vou, de degrau em degrau, arrancando também as páginas: gaivotas (ou passarinhos) não suportam a prisão. Minha profissão é voar. Minha profecia é amar. Sou eu, professor, profusão de papéis, recomeçar.

15.10.2012


sábado, 13 de outubro de 2012

DA SÉRIE "ALGUMA COISA ACONTECE" - 43

(Texto Celso Sisto; Ilustração Kay Nielsen)


43. A tarde está forrada de murmúrios. As incontáveis folhas dançam na calçada. Escapam-me os segredos. Abaixo-me para ouvir as flores e sou encapsulado pelo vento. Assim, vestido com o manto transparente das histórias, desfilo minhas alegrias: o embornal das palavras, a valise dos personagens, os lábios molhados das cantigas, os gestos arredondados dos rituais, os lápis pirográficos da escrita, a emoção dardejante dos olhos. Ninguém gritará a minha nudez! Nunca estará nu quem amarrou a ponta do novelo lá na infância e foi entrando na floresta encantada, atrás de João e Maria. Pão e pedra. Alimento e sinal. Doce e sal. Ir e voltar é que ensina a habitar-se...

13.10.2012



DA SÉRIE "ALGUMA COISA ACONTECE" - 42



(Texto Celso Sisto; ilustração em porcelana, com desenho de Walter Crane)

42. A casa está em mim. Carrego meus santuários nos braços estendidos. Um rastro de veleidades me acompanha. A xícara, a compoteira, o licor das frutas, os espelhos de cristal - tudo tão vítreo e frágil e duradouro. Repito vagaroso os gestos. Agora a solenidade é uma dança. E tudo o que eu quero é me sinfonizar, como se cada objeto oculto da casa-corpo fosse um instrumento que sopra, dedilha, repercute... Me parto em notas que se perderão no ar! Mas no fim da melodia está a criança, tão sonora criança, a cantarolar sozinha a história que virá...Atravesso o futuro e os tempos se encontram!
12.10.2012