Seguidores

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

DA SÉRIE "ALGUMA COISA ACONTECE..." - 54





(Texto Celso Sisto; Ilustração de Newell Convers Wyeth)



54. Sou uma pedra. E estou no meio do caminho, como quis Drummond. E não há imobilidade no meu ser-pedra. Há solidez, inteireza, resistência ao choque. Eu mesmo rolo daqui pra lá, de lá pra cá. Sou uma pedra sim! E no meio do caminho posso ser ardósia, calcário, dolomite, granito, mármore, ônix, travertino, alabastro. O certo é que o meu ser-pedra só serve mesmo para revestimento em mim: piso, parede, jardim; corpo consistente em torno do qual a poesia se aninha. Quero ser pedra muitas vezes, para entrar no mundo com olhos minerais, e deixar que a área, a dimensão, o espaço e a extensão sejam calcificados pelas ação dos tempos verbais, dos milhares de poemas engoliiiiiiiiiiidos!

16.11.2012

Nenhum comentário: