Dia 3 de março, às 12h e dia 6 de
março às 22h estarei no programa "As músicas que fizeram a sua
cabeça", apresentado por Ivete Brandalise, na Rádio FM Cultura (107,7).
Foi uma delícia participar deste programa, que é veiculado desde 1988. Fiquei
encantado com a Ivete! O programa foi divertidíssimo! Uma hora e meia de papo e
música. Através das músicas escolhidas, o programa me proporcionou um passeio
pela minha própria biografia, da infância até à vida adulta. Foi tão bom!
Recordar é muito bom! Por isso, quero compartilhar... A motivação para a
entrevista, foi, principalmente os 2 Açorianos que ganhei em 2011!
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
CRÔNICAS SINCRÔNICAS - CARNAVAL DA CRIANÇA QUE EU FUI!
Gosto da possível
origem da palavra carnaval: carrum
navalis, que era o carro sem motor, que carregava a imagem do deus
Dionísio, em meio à música, dança e folia, na Grécia antiga, lá no século 14
antes da nossa era.
Também sei de cor quase todas as famosas marchinhas de carnaval. Me
encanta o ritmo picotado que provoca uma alegria inesperada, pra cima. Talvez
por isso eu não consiga escolher a minha preferida. Adoro o “pirata da perna de
pau”, “índio quer apito”, “sassaricando”, “mulata bossa-nova”, “olha a
cabeleira do Zezé”, “Chiquita Bacana lá
da Martinica”, “mamãe eu quero mamar” e tantas outras. Mas, as crianças de hoje
provavelmente não conhecem nenhuma dessas músicas. Que triste! E se bobear, nem
gostam mais de carnaval. Eu adoro!
Naquela época, anos 60, os pais costumavam levar os
filhos para brincarem o carnaval e havia baile infantil, as famosas matinês, em
tudo quanto é clube e em tudo quanto é lugar. Parando pra pensar, é mesmo um
mistério risível essa coisa de ver as pessoas andando em círculo, em volta de
um salão, todo decorado com motivos carnavalescos: máscaras, instrumentos
típicos dos blocos de rua, personagens com fantasias clássicas, coroas, apitos,
etc. E ainda mais, jogando confete e soltando serpentinas. E uma banda, tocando
música ao vivo, com irresistíveis instrumentos que aguçavam a nossa imaginação,
como o clarim, lembrado na letra da marcha: “... quero me afogar em
serpentinas, quando ouvir o primeiro clarim tocar...”.
O gostoso era voltar pra casa, com pedaços de papel colorido, até nos
lugares mais escondidos do corpo! Confete e serpentina estão no topo da lista
dos elementos mágicos do carnaval, aos olhos das crianças da minha época. Dizem
que o confetti nasceu em Roma e que eram
confeitos de açúcar, informações que nos levam ao século 15 e ao Papa Paulo Segundo.
As pessoas jogavam umas nas outras, como o confete feito de papel que
conhecemos hoje. Esse, dizem que nasceu mesmo em Paris, no carnaval de 1892. E
no mesmo ano passou a ser adotado na minha terra natal, o Rio de Janeiro. Daí,
o uso generalizou-se. Mas a serpentina parece ser ainda mais antiga no Brasil.
Dizem que veio das “bolas carnavalescas”, usadas no carnaval de 1878, que eram
bolas de papel de seda e que se desfaziam ao serem lançadas. Digo “dizem” porque
há controvérsias! Há sempre muitas versões para a origem das coisas... E com a
história do carnaval não poderia ser diferente!
Por exemplo, “batalhas de confete” acabaram virando apelido de baile de
carnaval, mas no início eram uma espécie de disputa entre grupos da elite
carioca, que inspirados nas “batalhas de flores” francesa, desfilavam pela
avenida Beira-Mar do século 19, no Rio de Janeiro, em carruagens enfeitadas, com
pessoas fantasiadas, atirando flores, confete ou serpentina, quando se
cruzavam. Há uma série de variações e filiações - o mela-mela, os limões de
cheiro, o lança-perfume, ligadas a essa atitude de jogar coisas nos outros,
inclusive porcarias. E há também uma progressão desses festejos e desfiles, que
vem do Entrudo, dos portugueses no Brasil do século 16, até nos levar às
escolas de samba atuais. Ai, que nostalgia! Eu queria ter vivido tudo isso e
muito mais!
Mas, como diz “O primeiro clarim” (de Rutinaldo e Klécius Caldas), minha
marcha rancho preferida (acabo de descobrir que é essa!), sucesso na voz de
Dircinha Batista: “hoje eu não quero sofrer, hoje eu não quero chorar, deixei a
tristeza lá fora, mandei a saudade esperar, lá-lá-ia-lá, hoje eu não quero
sofrer, quem quiser que sofra em meu lugar”.
O que não me impede de ainda ficar me perguntando: o que é o carnaval
hoje para as crianças? Quando comecei minha carreira de professor de
literatura, trabalhando com os pequenos, fazia um baile de carnaval na sala de
aula, na semana dos festejos momescos, antes do feriado escolar, claro! E como
preparação, víamos as fantasias mais comuns de antigamente, ouvíamos e
aprendíamos as músicas famosas, líamos livros legais que falavam do carnaval (o
que definitivamente são muito poucos; falo dos destinados ao leitor infantil,
que acho que não chegam a completar os dedos das mãos!)
As fantasias também já não são as
mesmas. Vira e
mexe vejo aquele álbum de fotografias, em que estou de sarongue. Sabe que
fantasia é essa? É uma vestimenta havaiana, feita com um saiote florido e
cordão de flores (ainda que de plástico). Minha primeira lembrança de fantasia
de carnaval é com essa roupa. Eu e meus irmãos. Lindos! E minha mãe, com um
terninho sem mangas, com uma faixa na cabeça... Bem anos 60! Sentada no
laguinho que servia de aquário, na casa onde morávamos. Essa imagem continua
firme na minha memória. Assim como continuam indeléveis, as fantasias de
colombina, pierrô, arlequim. Também se falava em pareô! Meu Deus, será que
estou ficando velho e babão? Mas era tão romântico ver o povo vestido de pirata,
bailarina, nega maluca, índio, odalisca, melindrosa, cowboy, cigana, sheik
árabe...
Eu, acostumado a ir para a rua com os meus pais, no carnaval, tinha mesmo
era medo de encontrar o Bate-Bola. Eles andavam em bando, com aquelas máscaras horrorosas,
de enfiar na cabeça, com um apitinho na boca, uma maquiagem borrada de palhaço
louco, um macacão inteiro, feito de cetim e uma varetinha com uma bexiga de
boi, fedorenta, com que batiam com força no chão. Apesar de coloridas, as
figuras eram barulhentas e aterrorizantes, e meu medo deles virou um medo secular,
que carreguei durante toda a infância. Hoje sinto falta deles. Onde foram
parar? Devem estar escondidos nas dobras do tempo e podem pular na minha frente
em qualquer carnaval desses por aí! Tomara! Hoje não sairei correndo! Prometo!
Esse fio de lembrança, me leva de volta à infância não só colorida, mas
também onírica. Meu primeiro pesadelo também aconteceu no carnaval. Depois de
assistir escondido à transmissão de um Baile dos Horrores, com seu antigo
concurso de fantasias, fui dormir e não deu outra: todas aquelas figuras
deformadas e fantasmagóricas vieram morar nas nuvenzinhas que pairavam sob o
meu sonho! Acordei gritando, chorando, acreditando que havia sido devorado por aqueles
seres monstruosos! Socoooooooooorrrooooooooooooooo!
Certamente eu preferia as outras máscaras, as que vieram adornando o
imaginário popular desde a comédia dell’arte, e que cruzaram a corte de Carlos Sexto, depois viraram objeto de sedução das damas elegantes do século 18, atestando a bela herança
veneziana, até virarem mania, após o carnaval de 1840, quando houve o primeiro
baile de máscaras que se tem notícias, no Brasil.
E para completar esse meu passeio pelas entranhas de outros carnavais, evoco
também aqui a alegria que era sair nos
blocos de sujo. Isso é que era diversão! O tom desorganizado e improvisado era
o que deveria predominar, inclusive com instrumentos feitos artesanalmente,
valendo até tocar tampas e panelas! O mais importante era reunir pessoas
animadas, desfilar, contagiar os outros com a animação e o deboche também da sátira
política. Valia tudo! Hoje, os blocos quilométricos e multiplicados em
cada esquina ainda conservam um pouco deste espírito, será?
E pra encurtar a conversa, que já
vai longa, uma última lembrança: a primeira vez que me lembro de ter ficado
sozinho em casa, foi exatamente quando meus pais saíram de noite, para ir a um
baile de carnaval. Vejo ainda o colorido das pulseiras, as bolas dos colares,
as perucas de minha mãe; lembro-me até de dormir na companhia de minha avó,
acordando a todo instante, para espiar se eles já tinham voltado...
Se o carnaval surgiu no Egito, há 10
mil anos atrás, para espantar o inverno e comemorar a chegada da primavera, não
posso afirmar com certeza! Se nasceu no século 4, nas procissões romanas, em
homenagem a Baco, onde já figuravam os carros alegóricos, não sei, não sei! A
festa é pagã e o calendário cristão acabou por aceitá-la, e ela ficou ali, servindo
de marco entre o Dia de Reis e a Quaresma, que após o período da
permissividade, exige a penitência do sujeito já na quarta-feira de cinzas! É
como virar Fênix e renascer, não é não? Para morrer novamente, logo ali na
frente, na Páscoa. Mas essa já é uma outra história!!! Por enquanto, “quero ver
milhões de colombinas, a cantar, tra-lá-lá-lá-lá-lá, quero me perder de mão em
mão, quero ser ninguém na multidão”.
(by Celso Sisto – 25/02/2012)
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
CURSO DE ESCRITA CRIATIVA, VOLTADO PARA LITERATURA INFANTIL - INSCRIÇÕES ABERTAS!!!!
Pra quem quer escrever para crianças e não sabe por onde começar, eis a oportunidade!
O programa detalhado do curso é este:
Estou te esperando!
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
domingo, 12 de fevereiro de 2012
CRÔNICAS SINCRÔNICAS - SONHOS DE CRIANÇA
Sonhar é a atividade mais gostosa do mundo! Dormindo ou
acordado, de olhos abertos ou fechados! Vendo
uma coisa e imaginando outra. Falando uma coisa e querendo dizer outra! Ah, as
possibilidades são enormes!
Sonhar é sim um grande exercício de ampliação do imaginário! Eu
vejo coisas que ninguém vê. Ouço coisas que ninguém ouve. Imagino coisas que só
eu posso imaginar! Exerço a minha liberdade sem amarras! Então, sonhar é ser
livre! É brincar de dono do mundo. É exercer a deidade! Só depois, quando
transformo as palavras e as imagens sonhadas em contos, poemas, textos, quando
escrevo as coisas que ficaram ecoando na minha cabeça, é que todo mundo pode
ouvir, tocar, repetir, multiplicar. Esse é o alvo do sonho em forma de arte: a
propagação! Mas isso é um sonho canalizado, não é? Pois nem sempre é assim!
O sonho na infância corre por outros prados e tem outros sabores!
Primeiro é o desejo permeado pela visão mágica; o sonho ancorado na necessidade
de destacar-se pela força; o desejo de uma vida cheia de ação e de aventura.
Para isso, as crianças do passado escolhiam ser super-heróis, mágicos, fadas,
bruxas. Depois é o desejo contagiado pela noção da imagem social; a percepção
de que é necessário unir o útil ao agradável. Para isso, as crianças de
antigamente sonhavam em ser policial, bombeiro, guarda de trânsito, professor.
A raiz desses sonhos-escolhas ainda era ingênua... Agora, o
sonho de futuro das crianças de hoje vem sustentado pela rapidez, como se o
mundo da tecnologia nos tivesse desabituado da espera. Elas querem estalar o
dedo e executar as tarefas na velocidade da conexão da internet a que estão acostumadas.
Não querem gastar tempo aprendendo, não querem gastar tempo com as tarefas
escolares, com os serviços de casa, com o diálogo afetuoso e as trocas amavelmente
negociadas, com o dormir e o acordar e o esperar os dias passarem. Talvez, com
isso, não tenham mais do que meia dúzia de histórias para contar. Eu tenho
muitas!
Esperar foi sempre a minha primeira lição de ansiedade! Na época
em que tudo era longamente planejado... Como quando meu pai anunciava que íamos
viajar, e eu quase não conseguia dormir, querendo ver o dia chegar. Era uma
noite inteira de uma espera feliz, antecipando na imaginação todas as possibilidades
que se abririam dali pra frente! A minha primeira ida à fazenda do meu tio,
para os lados de Santa Cruz, foi uma das grandes emoções: ver um Rio de Janeiro
que eu não conhecia, e principalmente, andar a cavalo pela primeira vez, tomar
leite quente tirado na hora, subir em árvores seculares e próximas das nuvens,
tomar banho de rio. E a realidade superou tudo o que eu tinha conseguido
antecipar: havia o banho de chuva e o temporal no meio do campo, que eu não
havia previsto; havia o passeio de carroça, e aquele facão solto, correndo de
lá pra cá em cada curva, quase cortando a gente; havia a beleza dos raios
rasgando o céu, atravessando o descampado, tentando incendiar as gotas de
chuva, que eu jamais havia imaginado; havia o nome dos diferentes tipos de
capim, que eu tinha ido buscar para dar de comer aos coelhos... Tanta coisa que
a realidade trouxe para enriquecer o sonho!
Essa interação constante entre sonho e realidade é que regeu
sempre a minha vida. A vontade de Morfeu,
o deus grego dos sonhos, convocando Hipnos,
seu pai, e seus irmãos, é que me alimentou. Como por exemplo, Fântaso, a quem usei sempre para
chamar os menestréis, os reis, os astronautas, os cavaleiros, que um dia
deixariam a cama de ébano da caverna escura ornada com flores, para fazer do
sonho, realidade duradoura.
O sonho no rumo da ciência é interpretável, vira oráculo, nos
adverte das possibilidades de futuro. O sonho como fuga, pode adiar a
realidade, ensinar a viver na borda da sanidade, e instaurar a loucura
criativa. Tudo isso apresentou-se para mim como uma maneira vigorosa de viver a vida! E, contudo, aprendi
que o transe da criação, da loucura criativa, é mesmo um estar possuído de
tanta energia onírica que não há outra saída senão transbordá-la para o cotidiano.
Mas um dia descobri que havia ainda o sonho de mão única: o
sonho que não é mais um projeto de futuro e vira apenas obsessão! Esse sim caminha
de outro jeito, às vezes por vias tortuosas... e na medida em que aumenta a distância entre o
sonhar e o realizar, fica mais e mais perigoso.
Sonhar como brincadeira não tem obrigatoriedades! Sonhar como única
maneira de realização e condicionante da felicidade pode virar doença! Gerar
frustração. Virar passo sem compasso! Ser irreversível.
Mudei muitas vezes de sonho, sem maiores traumas, porque fui
descobrindo que eu gostava de muitas coisas na vida! E que sempre daria um
jeito de me realizar, fazendo fosse o que fosse. Por isso fui (e sou) ator,
professor, contador de histórias, escritor, ilustrador. E nada disso é
excludente!
Mas nem sempre é assim. Dentre as frustrações destruidoras da
modernidade, há mesmo essa que não vê saída e que ao demolir um sonho, acaba
com tudo! Meninos dispensados pelas escolinhas de futebol dos grandes clubes estão
caindo no crime, e pior, acabando com a própria vida. Meninas em busca do sonho
de virar modelo e atriz fazem de tudo, inclusive, abraçar a prostituição. O
limite é a linha tênue entre o fazer absolutamente tudo para chegar lá ou
aprender a hora de definir outros rumos.
Tenho visto, de modo triste, uma plêiade de meninos e meninas
que vivem em busca de serem entronizados na fama da noite para o dia, destruírem
suas vidas ao aceitarem mais do que podem suportar, em nome de enriquecimento
também espetacular e instantâneo!
Tenho minha consciência tranqüila. Sempre que trabalhei com
crianças, soube identificar aqueles que precisavam de liberdade assistida, já
que saber esperar, dar tempo ao tempo, aceitar o ritmo natural da vida e deixar
as coisas madurarem pode ser uma angústia superior às suas forças.
Alguém
vai me lembrar, seguidamente, que hoje os tempos são outros. Concordarei
piamente! Mas a matéria da qual são feitos os homens é a mesma, desde que o
mundo é mundo! E que o sonho que nasce da inapelável privação de conquistas pode
ser um pesadelo, principalmente quando Hipnos e Tânatos se encontram forte e
indissociavelmente entrelaçados!
(by Celso Sisto – 12/02/2012)
ENTREVISTA PARA A RÁDIO UFMG EDUCATIVA
Na sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012, conversei com a Rosaly Senra, da Rádio UFMG Educativa. O programa foi ao ar por volta das 9h15 em: www.ufmg.br/radio.
Nossa conversa girou em torno do meu trabalho de crítica literária, dos meus cursos de formação de contadores de histórias (desde o final dos anos 80), da minha tese recém defendida e dos meus livros na editora Aletria, sediada em Belo Horizonte, MG (Francisco Gabiroba Tabajara Tupã, O maior nabo do mundo e Chá das dez). Foi uma delícia! Alguém aí de Minas ouviu?
A entrevista foi para o programa "Universo Literário", no quadro "Falando de livros" e já está no ar e pode ser conferida em: http://www.ufmg.br/online/ radio/arquivos/004239.shtml
sábado, 11 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
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