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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

DA SÉRIE "VESTIR OS VIVOS" - IX




(Texto de Celso Sisto para a série “Vestir os vivos”; ilustração de Harold Gaze)

IX. Estou revestido de vidro. E ainda assim carrego opacidades. No começo do dia, estilhaçado, contenho os queixumes da areia que me antecede. Sangro, em silêncio e mais, com a retenção da invisibilidade. Meu vidro é de todo frágil – sempre será preferível a docilidade à inflexão do ferro – às vezes ágil, por vezes cortante. Tenho a sorte de quebrar para refazer-me. E a cada vez um novo homem-mosaico se anuncia na beirada de mim. É um enorme mistério portar nos olhos esse jeito de catedral. Sempre abrigarei a ideia de ser vitral, se a luz das palavras me atravessa...

11.01.2013


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