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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

DA SÉRIE "VESTIR OS VIVOS" - VII






(Texto de Celso Sisto para a série "Vestir os vivos"; ilustração de Edmund Dulac)

VII. Abrirei o mar depois do dilúvio, como se meu exército inteiro de histórias passasse para o outro lado de mim, para salvar-me da perseguição e do massacre da imaginação ponderada. Abrirei as montanhas mágicas, com um simples sussurro de "abre-te sésamo" entre dentes, mas também entre escombros, porque às vezes é preciso enovelar-se no lodo, para dar voz a si mesmo. Abrirei os céus com um fio de cabelo, separando o dia da noite, tal qual Miraíra, a filha da Cobra-Grande, para sossegar a minha angústia, cada vez que o pássaro da criação trafegar dilacerado e sem ânsia de pousar. Até que eu possa, com tantos caminhos e veias abertas, dizer enfim, "eu cheguei, vestido de nada"!

09.01.2013


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