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domingo, 13 de janeiro de 2013

DA SÉRIE "VESTIR OS VIVOS" - XI


(Texto de Celso Sisto para a série “Vestir os vivos”; ilustração vetorial by Vector Autumn Illustration)


XI. Este ano o pé de manacá não floriu. Esteve ausente, muito ausente, para chorar sua dor. Deixou guardadas as flores para uma outra estação, ainda sem nome. O silêncio, por sua vez, revestiu as noites. E havia, em tudo, a cooperação dos ventos: alísios, monções, simum, minuano, ciclones, tufões esbravejavam em terras longínquas e carpiam. Ao alcance da mão apenas a última folha, que ainda beijava o chão. Não ouvimos a explosão de cores, a alegria floral desapareceu, os galhos amedrontados se abraçaram mais do que nunca. A noite eterna do jardim repercutia em mim. Vou agora aquietar a respiração, morrer também em pequenas doses instantâneas, para dizer lá dentro das minhas cavernas que este é o eco da assombrosa ausência... ssênciaaa... ciaaaa... iaaa... iaa... iaa... que ainda não emudeceu!

13.01.2013


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