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domingo, 27 de janeiro de 2013

DA SÉRIE "VESTIR OS VIVOS" - XV




XV. Não abraço nada e o dia começa lá fora. São as frestas da janela que pincelam de luz a parede. Este quadro, um móbile feito de sombras, arranca de mim a poesia. Soprarei meu rosto e não queimarei nada. Chutarei o ar e não desmoronarão os castelos. Abrirei devagar os olhos alvorecentes e aquela nuvem de pássaros que ondula dentro de mim finalmente voará de encontro ao céu. É hora de lavar o azul, de sacudir o verde, de pendurar o amarelo das roupas no varal de domingo. Enquanto dormem as abelhas, soprarei o pólen, mas anuncio logo em ato musical: fecunda em mim é a palavra fecunda em mim é a palavra fecunda em mim é a palavra...

27.01.2013

(Texto de Celso Sisto para a série “Vestir os vivos”; ilustração de Madalina Andronic)

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