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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

POEMA "VAI COMEÇAR", POR CELSO SISTO




(poema "Vai começar", de Celso Sisto; ilustração de Shaun Tan)


Era a última hora.
Todo o nosso presente agora era feito de futuro.
As árvores do caminho antecipavam os séculos, vestidas para a festa.

Um fraque, uma cartola, uma saia rodada, uma túnica floral se desprendiam da sombra, feito uma floresta que avançasse de braços abertos...

Pelo tato, atravessamos o tempo, prolongamos os dias!

Ainda ouviremos a valsa,
como se desembarcássemos agora no salão.

Dá-me tua mão!
Escreverei meu nome com os dentes!

Faremos um diário na carne.
Agora só conta o que está assinado em vermelho-sangue!
O resto, suavizaremos com o sopro, até virar acalanto!

Somos agora os frutos secos e ainda assim sumarentos...

Os anos de colheita não nos separam!
Nem joio, nem trigo!


02.01.2013

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