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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

DA SÉRIE "VESTIR OS VIVOS" - XIX



(Texto de Celso Sisto para a série “Vestir os vivos”; Ilustração de Jan Durina)



XIX. Não é a queda da noite que me cega. É o frio do olhar. Os corvos que passeiam nos telhados e nas cabeças de amianto, os caramujos que despedaçam as folhas dos canteiros e as salivas que não deixam nada crescer. Antes escrever uma palavra cega e desnorteada, que se choque com versos perdidos, suspiros represados, pontos-finais pontiagudos, palavreado exótico e provoque a reação tormentosa da linguagem, do que deixar que a escuridão dos hipócritas murche as flores do meu jardim. Para os que podem ver o dia que vem logo ali, há um verdadeiro e ilimitado horto da poesia...

06.02.2013



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