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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

DA SÉRIE "VESTIR OS VIVOS" - XXIV




(Texto de Celso Sisto para a série “Vestir os vivos”; Ilustração digital  by Byetom)



XXIV. A Grande-Mãe ergueu-se dos tempos, vestida de azul e reflorestada. Na mão, o trigo. De todas as fomes que saciará, está a minha. Engolirei com sofreguidão as tempestades, os ciclones, os vendavais, os infortúnios da terra e do céu. E repleto de abalos sísmicos então depurados, abrirei a boca cheia de grãos, as mãos cheias de brotos, os olhos cheios de sementes. Os pés imersos na água primordial da poesia suavizarão as encostas, abrandarão as marés, ajardinarão as armas de guerra, adoçarão as paisagens. Só então, a Grande-Mãe aninhará novamente o pássaro. Já não há necessidade de voar além da palavra enraizada. Enfim, dormiremos em paz.

12.02.2013


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