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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

DA SÉRIE "VESTIR OS VIVOS" - XXV



(Texto de Celso Sisto para a série “Vestir os vivos”; ilustração de Nicoletta Ceccoli)



XXV. Cruzei os braços e deixei que os pássaros voassem. Da morada mais nobre, carregando fios de ouro, eles se foram. Cabeças coroadas hão de receber as filigranas da criação. São pássaros de toda estação. E tão logo a liberdade trance seus ninhos, eles desejarão por ovos em outros lugares. São pássaros urgentes, que às vezes precisam ser soprados, para que voar ganhe ossatura. Para que o voo termine em pouso desejado aos pés do mundo dos sonhos. São pássaros que arrastam consigo as divindades oraculares, que piam poemas antigos quando querem advertir-me que o carrilhão do tempo não repete sempre a mesma cantilena. Um dia, eles me levarão pelos cabelos, dispersarão na enormidade do céu as tranças, à força de oferecerem degraus para as torres que guardam princesas, castelos, livros sagrados. Eu sei que a biblioteca transportada no bico dos meus pássaros não abre os ouvidos de qualquer um, mas pode começar apontando a necessidade das asas bem na altura das portas...

13.02.2013



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