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sábado, 16 de fevereiro de 2013

DA SÉRIE "VESTIR OS VIVOS" - XXVI



(Texto de Celso Sisto para a série “Vestir os vivos”; Ilustração de Jim Flora)


XXVI. Amarelada. Avermelhada. Fólios resistentes. A fruta no ponto. As cores sobrepesadas pelo tempo dão sinais de uso. Nelas o transcurso dos dias é apelo do olhar, do pálido desejar ao vulcânico ter. Chega a hora da máxima potência: o tudo. Quero as fitas penduradas nas janelas, o ar embriagado de sândalo, os cristais filtrados de luz, os vasos habitados de gérberas. Recebo a criação como uma festa. A água represada agiganta-se, roda atarefada nas pás musicais, como a escrever linhas intermináveis. Esse ofício de preencher com letras miúdas os espaços em branco do meu ser exige gesto semeador, escultura expectante e boca salivar diante da fruta. Os dentes que explodem a ideia sumarenta libertam também a poesia.

16.02.2013


Um comentário:

Creuza disse...

A cada visita que faço aqui, Cavaleiro Andante, eu me perco no tempo e no espaço, viajendo nas suas palavras, nas suas histórias. Um carinho imenso! Creuza Arrais