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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

DA SÉRIE "VESTIR OS VIVOS" - XXIII



(Texto de Celso Sisto para a série “Vestir os vivos”; ilustração de Kirsti Wakelim)


XXIII. Desmanchar no ar. O sopro é um acerto de contas. Daqui a pouco apenas a haste sustentará o vazio. No intercurso da manada de vento, o cortejo de asas, patas, trombas, bicos, garras. Todos os bichos que teriam sido algozes, passarão. No intervalo ínfimo do sopro, outras ameaças: arestas de granizos, torrentes de chuvas, raios encharcados de sol. O coração da flor se consola na paisagem. Espera. As cores carnavalizadas erguem-se da terra com a intenção da pluma. Exibir, espetacular-se, reinar tão imaculada como as fibras do algodão. É parca a existência. O sopro é revide. A brincadeira, a boca, a torrente desmanchando tudo: só no instante é que se sabe, o era uma vez, a epifania, a mão infante, o jogo de assoprar. A flor desfeita em alvéolos carregará a manifestação da poesia para dentro dos pulmões. Natureza única. Circular dimensão.

11.02.2013.



Um comentário:

Anônimo disse...

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