Seguidores

domingo, 24 de janeiro de 2016

POEMAS DA SÉRIE "QUANDO SOU OUTRA COISA" - XXIV.


XXIV.

O disco iluminado
resplandece
nessa noite de verão

todos os bichos
saem das tocas

dançam pra lua

o leite de prata
escorre nas bocas
e cada um ganha
a sua estrela

não há fogueiras
nem outra luz
e no entanto
há fogo e claridades

e olhos tão acesos
e brilhantes
que o mundo todo
é agora um círio luminoso
uma guirlanda suspensa na noite
uma ciranda que roda
sem hora pra acabar

ouve então esse frenesi de poemas
lapidando a semiescuridão
e espalhando-se no ar

é certo que ninguém vai dormir agora
há o risco grande e efetivo
de nunca mais se ficar enluarado

por isso fica aí Mãe-Lua
grudada nessa colcha
de retalhos estelares
até que nossas veleidades
tenham coragem de incendiar-nos
como às vezes faz
o dragão que mora em ti.

celso sisto
24 de janeiro de 2016
(Da série “Quando sou outra coisa”)








2 comentários:

Maria Helena Ramalho disse...

Na noite resplandecente, a estrela foi o prêmio... O dragão incendiou e enluarou está que lê tão belo poema!Bravo, Celso Sisto!

Maria Helena Ramalho disse...

Na noite resplandecente, a estrela foi o prêmio... O dragão incendiou e enluarou está que lê tão belo poema!Bravo, Celso Sisto!