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domingo, 17 de janeiro de 2016

POEMAS DA SÉRIE "QUANDO SOU OUTRA COISA" - XVII


XVII.

começo um poema
pisando na terra
desejo solerte de ser
semente
palavra-fruta-boa-de provar
depois, o escarro dos sentidos
e a poesia líquida
escorrendo na cara

até que um soldado romano
do nada, salta na rua,
brandindo no ar
a sua espada cartonada
prata e pranto
pranto e prata
círculo do povo

é a cidade e seus ícones
a cidade de domingo
a cidade e sua feira
das desumanidades
onde eu frutifico

mas onde o poeta?


minha calçada está cimentada
e de cima a baixo
esse arremedo de árvore
sem  folhas para o futuro:

galhos finos
não sustentam
meu  ninho.


celso sisto
17 de janeiro de 2016
(Da série “Quando sou outra coisa)

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