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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

POEMAS DA SÉRIE "QUANDO SOU OUTRA COISA" - XIX

XIX. 

trabalha a pá para arrancar
a erva daninha
linha coreográfica
síncope
tambor metálico
repercutindo vozes
pedindo em coro
que a terra liberte
o capim rasteiro
e os ideogramas
que o vento
desenhou
na terra

eu, transeunte à toa
assisto o dia
espalhando-se como
marcha triunfal
numa ópera
de Verdi

entintar  com raios luminosos
as sombras da cidade
salientar esmeraldamente
os desejos humanos
com fartas oferendas
colocar de pé
para lutarem
com abraços
a força e a malícia

a manhã me  pega pelas mãos
e leva-me a lugares distantes
para erigir edifícios poéticos
onde eu mesmo possa morar
enfeitado de brisa e de mar

como pode um peixe vivo
viver fora dessa água
que deságua no princípio
de tudo?

dia
pedra talhada
mar de dentro
mar grosso
da minha estrada...


celso sisto
19 de janeiro de 2016
(Da série “Quando sou outra coisa”)






3 comentários:

Ayvu Rapyta disse...

Como sempre, belíssimo poema! Beijos, amado Celso.

Vera Maria Hoffmann disse...

Lindo demais, como tudo que este grande poeta escreve. Parabéns!!!

Vera Maria Hoffmann disse...

Lindo demais!!!
Falta, porém, algo importantíssimo. Falta publicar um belo livro ilustrado com a coletânea de seus belíssimos versos, grande poeta!