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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

POEMAS DA SÉRIE "QUANDO SOU OUTRA COISA" - XX


XX.

ele cruza palavras
e constrói seu quartel poético
para abrigar-se do tempo
dos homens e das injustiças

vejo-o envelhecer em dias tempestuosos
no verão 
corre sem camisa fingindo
no azul do dia
um nado sincronizado e invisível
na primavera
 esconde atrás da orelha direita
uma margarida
a modo de dizer-se
“bem-me-quero”
depois some
na longa gestação
do inverno

a rua me engole
com seus personagens inteiros
de carne e sangue
não sei me defender
não importa
arranco portas e janelas
e faço a casa na varanda

- uma moedinha, por favor?

temos todos a mesma fome!

celso sisto
20 de janeiro de 2016

(Da série “Quando sou outra coisa”)


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