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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

POEMAS DA SÉRIE "QUANDO SOU OUTRA COISA" - XXI.


XXI.

elas estão no meu canteiro
na divisa entre o que sobrou
do homem e do menino

eu sou feito de canteiros
mesmo que minha mão jardineira
ainda dependa
da sentença suprema
de anjos e pássaros

alegria no broto alegria na flor

tocar olhos aquosos
anunciando
o pequeno e misericordioso
milagre da cor

nomeio a vida
e minhas flores
desafiam o branco
mais branco da manhã
e no azul mais celeste
distribuem carícias
que permitem ao vento
tirá-las pra dançar

volteiam em trajes de gala,
crepitam de prazer
revestem o dia de aromas
e ouvem atentas
a oração que as nuvens dirigem ao sol

de mãos dadas
já serenadas
na simples arte do anoitecer,
elas, as flores, filhas das minhas
mãos velam

por mim
sem perfume
e com tantos espinhos...

celso sisto
21 de janeiro de 2016
(Da série "Quando sou outra coisa")




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