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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

POEMAS DA SÉRIE "QUANDO SOU OUTRA COISA" - XXXIII.


XXXIII.

minha Iemanjá é negra
diz mesmo em  yorubá
Yèyé omo ejá
e veio da Nigéria
é do povo Egba
e conhece o caminho
para Abeokuta e Ibará

rainha das águas do meu mar
é Maria princesa do Aioká
Mãe D’Água
sereia
Rainha do Mar

deixa ser Inaê
deixa vir Aiucá
Yiá Ori vem pra dançar

seu poder seu mistério
a gênese da vida ancestral
mãe de todos mãe do mundo
seus filhos seus peixes
está escrito no nome:
maternidade universal


senhora dos navegantes
atravessa rios atravessa mares gigantes
ergue a mão, constrói o mundo
Ifé, Ibadan, desaguam no rio Yemojá
quem virá desaguar no rio Ògúm?
um que um...  um que um

do seu trono de lá
qualquer água é corpo
qualquer fundo de oceano
é poço,
ira do mar e loucura
mareou mareou

mulher que joga o Ifá
teus filhos procuram
a terra do entardecer,
mulher, quebra a vasilha
o rio também quer  
para o mar correr

muitos mitos ritos andanças
a beleza  ostentada no colo
a montanha, com o raio
vai abrir e Iemanjá vai passar
vai ficar vai reinar no mar
vai carregar  o sol e a lua
a cabeça dos homens
e o destino do lar

varrer com as ondas,
reger as marés,
varre varre Odoiá!
cabeça do bom destino
coroa de rainha, franja de pérolas,
oráculo a decifrar

Hoje tudo é feito pra te adorar.

celso sisto
2 de fevereiro de 2016
(Da série “Quando sou outra coisa”)



                                                                Desenho de celso Sisto













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