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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

POEMAS DA SÉRIE "QUANDO SOU OUTRA COISA" - LII a L.


LII.

a cadeira rodava
ele
ele
giramundava

hippie de outros tempos
a coroa de flores
na cabeça
mais paz do que amor
sem paz e sem amor

sua fala embriagada
de rock
rocamboleava

ainda tinha força
para girar a cadeira
roda da vida
e atirar pedra na piedade...

celso sisto
24 de fevereiro de 2016

(Da série "Quando sou outra coisa")



LI.

volúpia
a luz obtusa no vidro
e a violência da manhã

âncora no vazio
velocidade
cães carros
caleidoscópio humano
motores e
máquinas de correr

quando o amanhecer-me
sem pressa escudar
gratuidade resposta
regresso
terei mesmo
alvorecido

minha poesia é sobretudo
indissolúvel à luz do dia...

celso sisto
23 de fevereiro de 2016
(Da série "Quando sou outra coisa")



L.

sopro da palavra que me sopra
primeiro era o verbo
sou
carne da palavra
que me habita

sem ela não sou, estou

errático, fantasmagórico, fleumático

de modo intransitivo, vegeto
meu ser exige complemento
não ao objeto, altar do sujeito abjeto
direto quando urge o desejo
indireto se a ação é pouco insurgente

o sopro da palavra que me sopra
é obra decomposta
fragmento de tantas letras
caco também
e lâmina

eu, sujeito oralizante,
passo a palavra
ao sujeito escrevente

que o poder invocado na boca
seja também o poder afiançado
pela pena no papel
labirinto de papel...

hei de achar o fio da palavra "saída"
e a mão de Ariadne!

celso sisto
22 de fevereiro de 2016
(Da série "Quando sou outra coisa")



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